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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

26
Ago20

O texto que tenho adiado escrever...

Quem segue a Caixa no Instagram sabe o que aconteceu neste último mês. Sabe que há um mês comecei com obras em casa (pinturas de paredes e tetos com alguns arranjos de fissuras pelo meio). Sabe que há um mês o meu pai deu entrada no hospital e depois de uma semana excessivamente intensa a nível emocional, com as notícias dia após dia a conduzirem a um desfecho previsível, esperado mas que nada nos prepara para o derradeiro momento, aquele em que, depois de ter sido chamada ao hospital para me despedir dele, me comunicam que faleceu.

Continuo sem palavras para descrever o momento em que esta realidade se abateu sobre mim. Continuo sem perceber muito bem como me tenho mantido de pé a tratar de uma imensa burocracia que enerva, esgota a paciência, suga toda a energia que resta num momento destes.

As férias deixaram de ser férias para tratar de um funeral e desencadear uma série de processos em diversas entidades, processos que ainda decorrem, e ontem, mais um dia de férias queimado para ultimar burocracias, mas afinal ainda há mais uma declaração que é precisa para entregar nas Finanças e fazer uma adição ao imposto de selo e só depois, só depois é que pode voltar cá e prosseguir... e só para iniciar o processo desembolsa x, e desembolsa y e mais o caralhinho para tanto papel e selos timbrados e o raio que parta esta máquina burocrática que empata e entrava e chateia e nos suga vida e dinheiro. A sério que estamos no séc XXI, em plena era digital? A sério que, alegadamente, devido à pandemia, muitos serviços tiveram de agilizar procedimentos? Ah não. Isso era a expetativa. A realidade é que ainda estão mais bloqueados, difíceis de aceder e resolver de uma vez.

Poupo-vos detalhes, porque tudo isto ainda é uma ferida aberta e dolorosa. Recebo o embate da morte do meu pai e, com todas as vantagens e desvantagens que isso acarreta, sou única herdeira. Em cima de mim caem todas as decisões, responsabilidades, despesas. E isto de herdar propriedades é muito giro na boca do povinho ignorante que acha que agora devo ser uma espécie de condessa lá da terrinha. Eu só vejo dinheiro a sair da conta, tudo se paga, os impostos não esperam, os encargos com as propriedades também não e agora está tudo nos meus ombros.

Respiro fundo. Tudo se resolve. Não escolhi que isto acontecesse na minha vida. Aconteceu. Agora é lidar da melhor forma possível. Se haveria momento ideal para pôr em prática o que, também nesta altura, aprendi naquele desafio de auto coaching, que com tanto entusiasmo me inscrevi, foi este. Na semana do internamento e na semana em que faleceu, valeram-me as meditações diárias do desafio, cada dia com um tema a explorar num pre talking. Valeram-me esses momentos em que, durante cerca de 30 minutos por dia, eu estava comigo e a tratar de mim. Encontrei força onde não julgava haver. Mantive um equilíbrio quando achava que ia simplesmente colapsar.

Houve dias difíceis. Muito difíceis. Sei que os haverá. Ainda este fim de semana fui abaixo e andei a chorar descontroladamente com um sentimento de vazio, de estar sozinha no mundo, porque as pessoas que mais amei e de quem guardo as melhores memórias já se foram. Tal e qual como a casa que acabo de herdar, sinto-me vazia, abandonada. Morreram. Foram-se para sempre e não voltam. Ficam aquelas paredes repletas de anos de memórias e histórias de três gerações de uma família.

Houve um momento que me afastei das redes sociais no geral, de pessoas em particular. A silly season a decorrer, o Instagram repleto de fotos de férias, praias, piscinas, famílias, verão no seu esplendor e leveza que deixa as pessoas felizes. E eu a ter de lidar com a dor que a morte de alguém tão próximo deixa, aquele vazio que nada nem ninguém nunca preencherá, enredada numa teia de burocracia que estava a exigir demasiado de mim, a sugar-me a pouca energia que sentia. Houve dias que não atendi telemóvel nem respondi a mensagens. Agradeci ter pessoas preocupadas e a mostrarem todo o seu carinho e apoio. A seu tempo expliquei-lhes, desculpando-me, que precisava do meu tempo de sossego e solidão para carpir a dor, quando ao mesmo tempo a vida exigia demasiado de mim.

O tempo não cura. Acalma. Cicatriza.

Regressei ao trabalho e isso permitiu-me sentir de volta a vida como a conhecia, na sua normalidade que nos faz sentir numa zona de conforto. Voltei a sentir apetite e vontade de comer, voltei a ler, voltei a estar com as outras pessoas. Voltei à minha vida. Diferente. Eu e a vida.

Estou a voltar. Porque a vida continua e eu tenho de continuar. Por mim. Pela memória dos que partiram. Pelos que estão ao meu lado e foram excecionais neste momento tão difícil e doloroso da minha vida.

Estou a voltar. Aos poucos...

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17
Fev20

Sogra vs Nora

O conflito é simples, a nora é vista pela sogra como a substituta ilegítima do seu reinado de mãe soberana de um filho obediente e dependente emocional. Ele que nunca quer assumir conflitos com sua querida mamãe fica passivo e tentando colocar panos quentes nos desentendimentos velados ou explícitos da mãe e da esposa.

Na hora do racha sai de fininho e diz que não pode tomar partido: “é minha mãe, poxa!”.

O resultado é trágico, pois em cada evento social surge aquela briga nas entrelinhas pela atenção do homem da vida das duas.

A sogra tem um agravante, na maior parte das vezes quer fazer as vezes de companheira emocional do filho e tirar a nora da trilha. Ela no papel de mãe deveria estar ciente de que a nova família do filho se sobrepõe à família de origem. Mesmo sendo a mãe não deveria interferir ou palpitar nas escolhas do filho, mas de modo geral faz o oposto, critica, aponta, acusa e faz intrigas. Se a nora reage parece sempre a louca, enquanto a pobre sogra permanece chorosa pela a agressividade “gratuita” pela nora.

É de chorar ver duas mulheres, que se supõe maduras, entrando em brigas absolutamente dispensáveis. Se questionada a sogra dirá que está defendendo os direitos do filho (ainda que não tenha sido chamada para advogar) e sempre terá uma dose grande de desconfiança: “essa garota não cuida tão bem dele quanto eu, é meio relapsa e as vezes soa interesseira, sei que ela tem ciúme de mim.”

Nessa hora a sogra esquece que quem convive, ama e transa com o filho é a nora e não ela.

Por isso soa tão estranho esse tipo de disputa, parece até que rivalizam o parceiro amoroso. A nora tem razão de reivindicar seu parceiro, mas a sogra não.

O que costuma reafirmar essa briga é que normalmente a sogra tem um casamento falido ou inexistente e que costuma legitimar sua solidão em busca da companhia do filho querido.

A própria esposa no fundo tem medo de incentivar esse conflito para não precipitar uma guerra familiar e para não ter que testemunhar o marido recuar diante de sua mãe, normalmente dominadora.

A solução está no marido que precisará enfrentar a própria mãe de um jeito que sempre tentou evitar. A guerra entre a sogra e a nora só evidencia um cordão umbilical que nunca foi rompido realmente.

 

Para ler o artigo na íntegra, clicar aqui.

Devia ter oferecido uma tesoura ao homem pelo dia dos namorados. Talvez cortasse a venda que tem nos olhos e lhe tolda a visão sobra a "querida" mãezinha, ou cortava o cordão umbilical que ela faz questão de ter bem apertado em volta do pescoço dele.

Assim como assim, a louca sou eu, e a minha sogra continua a não saber o lugar dela e invade a nossa vida como se o filho fosse só dela e de mais ninguém. O filho é um coninhas passivo que não enfrenta a mãe e remata sempre com "ela é assim". E eu, bem, eu estou aqui a pensar se lhe faço as malas e lhe dou um chuto no traseiro que o leve direto para casa da rica mãezinha. Eu bem propus ele preparar uma malinha e ir duas semanas (as duas semanas que ela está em convelescença de uma cirurgia) para casa dela e assim estar lá a tempo inteiro ao dispor, e no fim desse tempo nós conversávamos. Ele não quis. E eu tenho de aturar novamente uma situação em que a sogra é dona e senhora da vida e do tempo dos outros, como aliás o tem feito nas últimas semanas. 

Já passei por este inferno. Na semana passada avisei quem tinha de avisar do que estava para vir. Mas falei para uma parede. Portanto, parece que sou eu quem vai ter de ter os ditos cujos no sítio para ir confrontar a mulherzinha insuportável e mostrar-lhe o lugar dela. Ou isso, ou sair de fininho e deixar mãe e filho no seu idílio amoroso: feitos um para o outro... amor de mãe! 

 

11
Fev20

Aguenta, a ver se dói menos!

Os dias estão maiores e quando saio a horas do trabalho, ainda há luz do sol. Fico contente. Com outra energia. Fevereiro trouxe subidas nas temperaturas e houve dias verdadeiramente primaveris. Sabem bem. Muito bem. Renovam logo a energia de uma pessoa (a minha, pelo menos).

Estive doente. Uma crise gastro intestinal arrumou comigo durante uma semana. Inicialmente associei a um fim de semana com alguns excessos alimentares, que na minha condição desencadeiam logo estas crises. No entanto, e volvidas quase duas semanas, ainda não estou totalmente recuperada, e dias há em que incho desalmadamente (pareço mais grávida que a Carolina Patrocínio em fim de gestação... mas também não é difícil, né?) e tenho cólicas dolorosas. E em que dias isso acontece? Em dias que os nervos disparam. O meu corpo tem tido uma resposta ao stress que me deixa prostrada. 

Preciso proteger-me, cuidar de mim. No entanto isto fica difícil quando há coisas que invadem a minha vida sem pedir licença, quando há pessoas, cujas atitudes e escolhas que fazem, não têm noção do impacto que trazem à vida dos outros, de como viram os dias dos outros de cabeça para baixo, dos imprevistos que causam e fazem desistir dos planos.

Nas últimas semanas temos vivido em sobressalto, em modo "bombeiros de prevenção". As próximas semanas trazem incertezas, dúvidas e mais estados de alerta. Não se pode fazer planos sob pena de um telefonema virar tudo do avesso. O que, aliás, tem acontecido nas últimas semanas.

E é fodido este viver os dias assim. Num permanente sobressalto. Mais ainda quando a pessoa que os causa parece que anda a gozar com a cara e a vida dos outros, prejudicando-se a si própria e à sua saúde, por teimosia ou estupidez pura. 

 Aguenta, Pandora. Aguenta! 

 

13
Jan20

A minha sogra calada era... uma santa!!!!

Sogra é desbocada. Não é novidade. Não tem filtros. Nem ponta de noção. Diz o que quer e lhe apetece sem qualquer respeito ou consideração pelos outros. E o pior é que tem a puta da mania que só ela é que sabe e tem sempre razão. Desisti. Ela que fique com a dela, não dou para esse peditório. Pessoas que só ouvem a sua própria voz não merecem, de todo, que gastemos o nosso latim e energias com elas. Deixai os cães ladrar enquanto a caravana passa...

Se por um lado o ficar calada perante uma personagem destas é o mais sensato, a verdade é que como não há quem a enfrente, contrarie e também a ponha no lugar, ela sente-se a rainha do pedaço, dona da verdade, senhora da razão. E não saímos disto. Haja paciência e muita ginástica para rebolar os olhos e respirar fundo. Muito fundo.

Ora, na altura do natal eu estive bastante doente. Tanto que no dia 26 voltei ao médico e vim com antibiótico, xarope e anti-histamínico. Dois dias depois de ir ao médico ela passa por nossa casa. O filho não estava. Portanto que remédio tive eu de a "atender". Ainda nem tinha aberto a porta, ela ouviu-me tossir, e larga o seu: ai rapariga, essa tosse... escusado será dizer que pelo natal levei uma esfrega sobre xaropes de cenoura com açúcar amarelo, cebola (com casca, ouviste?) e mel, mais chá disto e daquilo... Ora, reclamava ela da minha tosse a entrar na minha casa, quando lhe digo que já tinha ido ao médico, e com o antibiótico estava melhor. 

Quando falei em antibiótico ela vira-se para mim e com o dedinho espetado no ar, olhos arregalados e um tom de preocupação genuína na voz, dita a sua sentença: olha tu tem cuidado que o antibiótico corta o efeito da pílula. 

Aquilo apanhou-me tão desprevenida que nem tive reação. E ainda bem... que reação pode uma pessoa ter perante este comentário de merda?

Primeiro, sou uma pessoa minimamente informada, bem sei que os antibióticos têm impacto na toma da pílula. Mas obrigadinha pela informação. Devia era ter ensinado melhor a filha há muitos anos atrás, talvez ela não tivesse engravidado antes dos 20's, quando ainda andava na escola.

Segundo: não era de estar caladinha? Sabe lá ela se até andamos a tentar ou não ter filhos? Há uns anos saiu-se com uma de que eu não queria engravidar para não engordar. Fiquei tão danada com este comentário... é que era uma altura em que eu não tinha qualquer estabilidade profissional, tinha trabalhos temporários cujos contratos eram de 3 meses, e ora renovavam ora lá ia para o desemprego até vir um novo trabalho temporário. Mas não era isto que me fazia não querer filhos nessa altura. Era o não querer engordar. 

Sinceramente não sei qual é o problema dela, ou melhor, até sei. É que sou eu que vou para a cama com o filho. Não é ela. Sim, a minha sogra tem o complexo de Jocasta. E não é paranóia minha ou ciúmes de nora com sogra possessiva. Ainda não há muito tempo ela falava de um pretendente que tinha, mas que não queria nada com ele porque ele era baixinho, e ela quer assim um homem alto e jeitoso como o Gandhe (detalhe: não disse "como o meu filho"... disse o nome dele... Freud explica!). 

Agora a sua súbita preocupação que eu pudesse engravidar por causa do antibiótico, sem saber se até é algo que está nos nossos planos, tendo em conta que tenho 38 anos, é assim só parva. E sem ponta de noção. Caladinha podia ser uma santa. Ou perto disso. A menos que o problema não seja eu engravidar, mas ela ser avó. Só que ela já é avó. E foi avó cedo... Ou então acha que se eu tiver um filho, vou espetar com a criança em casa dela para ela tomar conta. Ah que não tenha esse medo... jamais faria isso. 

Este sábado voltou a passar por nossa casa (apanhou-se outra vez com confiança e agora não é à vontade... é à vontadinha). Quando ela tocou à campainha eu estava no terraço a apanhar roupa. O filho foi abrir-lhe a porta, ouvi logo a voz esganiçada dela e deixei-me estar. Quando acabei, entrei na cozinha com o cesto nos braços e, por boa educação, fui ao pé dela para a cumprimentar. Não só me deixou literalmente pendurada, como nem olá, nem boa tarde, nem vai à merda... mostrou-me uma fotografia que descobriu no telemóvel da gata, que tanto trabalho e despesa me deu, para ela deixar fugir e sabe-se lá o que aconteceu ao animal. Limitei-me a fazer um sorriso amarelo, virar costas e ir para dentro separar a roupa que era para passar, e dobrar a que era para arrumar sem ir ao ferro. Deixei-me estar até perceber que ela tinha ido embora. E então comento com o Gandhe que nem na minha casa sou respeitada. E ele disse um tímido: pois, a minha mãe teve uma atitude de merda, mas já sabes como ela é.

Claro que sei. E por isso uma pessoa engole e ignora. Porque ela é assim... os outros que se fodam!

Numa era em que anda tudo preocupado com o ambiente, com a reciclagem e a proteção do planeta, ainda não inventaram um contentor para reciclar sogras? A poluição sonora iria diminuir drasticamente. Garanto.

 

29
Dez19

Podia ser uma piada de stand up comedy, podia. Mas é pura realidade!

Há um mês, mês e pouco, Gandhe diz-me que riqueza de sua mãe,  minha sogrinha querida, queria oferecer-nos uma máquina de secar roupa.  Ia comprar uma para ela, e queria porque queria dar-nos também uma. Ora, não desfazendo tão generosa oferta, conversamos sobre o assunto. Primeiro eu não me sentia confortável em receber dela uma prenda assim desse valor, depois não é de todo algo que estejamos a precisar, um eletrodoméstico que nos seja essencial, fundamental,  de extrema necessidade. E em termos de logística de espaço,  teria de a instalar na garagem. Portanto agradecemos a oferta mas declinámos. Não valia a pena ela gastar dinheiro numa coisa que não nos faz falta. (Se fôssemos outros teríamos aproveitado para pedir outra coisa, mas não o fizemos).

Ora, veio o Natal,  estivemos com ela, filhinha querida não veio e avisou de véspera. E nós com prendas compradas,  paciência. Leva-as quando decidir vir visitar a família. Para a sogrinha querida,  e porque é uma esquisita de merda que nunca aprecia nada do que lhe dão,  sugeri ao Gandhe, e ele concordou, em oferecer-lhe um conjunto da Yves Rocher, edição especial natal: uma lata (bem gira) com produtos lá dentro, dos quais um gel de banho, creme de corpo, creme de mãos e esponja para banho. Produtos de beleza que qualquer mulher que goste de se cuidar usa e gosta. E ela pareceu gostar... pareceu. 

Então e a nós,  já que não quisemos a máquina de secar roupa, que nos ofereceu? Chocolates, claro, para não variar é às caixas de chocolates, como se fôssemos viciados e comêssemos bombons ao pequeno almoço.  E ainda... rufem os tambores que isto merece... e ainda... eu mostro: 

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... Uma agenda da pequena sereia,  dos cheneses. Coisa mailinda!!! 

Foda-se, mas eu tenho 10 anos? 

E não,  não uso agenda de papel há alguns anos, e se usasse de certeza que, mesmo nos cheneses, escolhia outra capa qualquer que não fosse tão infantil (exceção feita se fosse o Garfield). 

E pronto,  podem rir à vontade, que é o que ando a fazer há vários dias. Quisesse eu enveredar por uma carreira de stand up comedy, não me faltaria material para satirizar. A começar por episódios da minha vida real e da total anedota que é a senhora minha sogra.  

Entretanto já houve outra saída dela, daquelas em que se ela estivesse calada era uma poetisa, mas deixo para outro post. A bem da minha (in)sanidade mental, ficamos por aqui hoje. 

 

03
Nov19

Altos e baixos, tempestades e previsões de bonança

Eu sei, eu sei, ando meia ausente, incerta por estes lados, e quando venho é quase sempre em lamúria por um ano fodido que está a ser 2019. E dizer fodido é ser simpática.

No entanto, e dando uma de Gustavo Santos, o guru dos clichés, eu posso não controlar o que acontece, mas está nas minhas mãos decidir que importância dou ou o que faço em relação ao que acontece. É o meu poder. E é um poder do caraças, digo-vos já. Por que isso implica tomar as rédeas da vida que é a minha e só minha, da pessoa que sou eu e cujo bem estar depende inteiramente de mim, e só de mim. 

2019.

Um ano marcado por falecimentos (a avó do Gandhe, o pai de uma amiga muito próxima, e o mais recente o meu avô paterno).

Um ano marcado por doenças graves de pessoas ou familiares de pessoas que me são próximas ou extremamente especiais para eu sentir a dor que elas sentem e estar aqui, muitas vezes sei lá como, para lhes dar o apoio que necessitam.

Um ano que, em pouco tempo, a mãe dele foi fonte de aflições e preocupações: primeiro teve um grave acidente de carro que nos deixou sem pinga de sangue, mas do qual saiu milagrosamente ilesa. Houve o prejuízo do carro, que foi para a sucata e, sem contar, teve de comprar outro. Do mal o menor.  Um tempo depois, e num espaço de 48h, duas crises cardíacas graves, muito graves, que nos deixaram literalmente de coração nas mãos e por pouco não suspendemos as férias de verão. Acabou tudo por correr bem, devidamente medicada e nós com olho atento,  tem estado tudo calmo. Por enquanto. Porque ela e o problema cardíaco que tem são uma bomba relógio.

Um ano marcado por constantes desavenças e desentendimentos com o Gandhe... o ano do nosso 15º aniversário (que por pouco nem lá se chegava) tem sido desgastante para ambos, temo-nos deixado levar por uma série de fatores externos, sinto que estamos a remar em direções opostas, com prioridades diferentes, pior, sinto-me sozinha numa relação em que eu tenho ficado para depois porque aparecem sempre outras coisas muito importantes e inadiáveis. Por dois momentos a minha aliança esteve em cima da mesa, num tudo ou nada, assim não quero, não sou feliz, não é o que quero na minha vida nem no meu futuro. Note-se que a segunda vez que isto aconteceu foi há duas semanas. Invariavelmente é quando bate no fundo que ele reage. Que ele mostra o que sente. Que ele luta por mim, por nós. Há duas semanas ele deixou-me sem palavras com todo um discurso em que se expôs emocionalmente como muito poucas vezes o vi expor-se nestes anos todos. E acreditei na força do que nos une, mais do que tudo o que nos parece querer afastar. 

Estes dias de férias em que estive parcialmente sozinha pude dedicar tempo a mim. Também preciso. Dormir, passear, ir tratar da beleza (ajuda ao ego e à auto estima), check up na nutricionista, ir às minhas aulas de dança nas calmas, sem a típica correria do sai do trabalho, come qualquer coisa e corre para não chegar (muito) atrasada. Tive um jantar de amigas. Fomos dançar. E rir. Muito. Comprei uma mini saia de pele (sintética). E senti-me bem. Fui até à praia com o Gandhe (que fez um esforço para, nas horas depois do trabalho, estar comigo, compensando a falha de não ter marcado as férias para esta semana estarmos juntos). Respirei a maresia, ouvi o som das ondas, contemplei um horizonte com uma mistura de nuvens, raios de sol e água. Senti a areia nos pés. O vento no cabelo. Bebi um chocolate quente. Andámos a explorar novos sítios na cidade. Jantámos num sítio diferente (novo para nós). Tivemos tempo para nós, e também para as coisas de cada um. Um bom equilíbrio, que é o que mais nos tem feito falta. Quase que fomos para fora dois dias, acabámos por não ir. Não faz mal. O tempo foi bem aproveitado.

E, como que a marcar uma nova fase, hoje vieram almoçar connosco, cá em casa, a mãe dele e o meu pai. Foi um agradável almoço de uma família que tem perdido tanto e não tem sabido encontrar um rumo que leve a uma união. Somos poucos, contamos com tão poucos e mesmo assim não nos unimos, não nos procuramos, ficamos sozinhos, cada um na sua bolha. Aproveitei que o meu pai faz anos hoje e convidei para almoçarem cá em casa, fiz uma surpresa com o bolo, conversámos sobre muitos assuntos... e foi bom. Há tanto tempo que não me sentia "em família". 

2019 tem sido um ano duro. Sofrido. Penoso. E está nas minhas mãos retirar as lições que a vida quer que eu aprenda, enfrentar as dificuldades e obstáculos com uma postura mais serena, espero que mais sábia, no fim de tanta provação... porque, e recordo uma frase que a Alice partilhou, "o desgosto e a alegria dependem mais do que somos do que daquilo que nos acontece". Portanto, há que arregaçar as mangas e erguer a cabeça, ser eu, inteira, sem medos, ou que seja com medos mas que haja coragem de ir, com fé e confiança em mim e no caminho que escolho trilhar. Quem quiser acompanhar-me, a minha mão está estendida e o meu coração agradece. Quem quiser ficar pelo caminho, só tenho a agradecer as histórias vividas e partilhadas e entender que há algumas pessoas que ficam pelo caminho para que outras melhores possam aparecer, há histórias que têm de terminar para que outras possam acontecer. E acima de tudo: deixar a vida acontecer, porque ela dá muitas voltas, e escolha eu o caminho que escolher, hei-de chegar onde tenho de chegar, com as pessoas que me quiserem acompanhar. 

 

 

 

 

27
Set19

Hoje estou de luto... Amanhã luto!

chegou_a_hora_do_ultimo_adeus_da_despedida_sem_voz

O meu avô paterno faleceu. Aquele avô que um dia me disse que eu não devia ter nascido, porque estraguei a vida ao meu pai, o mesmo avô que em pleno dia de natal me proibiu de entrar em casa dele, e eu fiquei na rua, à chuva, sem entender o porquê de tantas coisas que me disse e fez e magoaram, e eu continuava a ir lá até esse dia, o dia que me senti um cão de rua, que toda a gente enxota com nojo.

O meu avô faleceu e eu lamento não ter tido oportunidade de esclarecer umas quantas coisas. De, quiçá,  recuperar um pouco daquele avô da minha infância,  que foi colo e porto de abrigo, que foi mão que ampara e sabedoria que ensina,  que me levou a tantos sítios, que me mostrou tantas coisas. Aquele avô que partilhou comigo brincadeiras e gargalhadas, muitas histórias de vida e ensinamentos. 

Os últimos anos foram agrestes. Ele tinha o seu mau feitio. Tinha as suas manias. E não estando a isentá-lo da sua responsabilidade quanto aos seus atos, acredito que uma boa cota parte das confusões e desentendimentos que houveram tiveram o dedo maquiavélico e manipulador da mulher que me pariu...

Não posso recuperar o tempo. Posso, agora, escolher se guardo mágoa e rancor, ou se guardo o amor incondicional que, durante a minha infância e adolescência, existiu entre nós. Eu escolhi guardar o amor.  No seu derradeiro destino perdoei-lhe as mágoas. Na minha memória quero que prevaleça o avô extraordinário que tive a sorte de um dia ter tido. O avô que tanto me deu, tanto me ensinou,  tanto me mostrou. 

Até sempre avô.  Gosto muito de ti. Sempre gostei. ❤ 

 

23
Abr19

Mixórdia de temáticas*

Eu disse que prometia falhar

Ah e tal, devia estar proibida de comprar livros até ao fim do ano.

Só que não.

A wishlist é extensa e hoje, dia mundial do livro, eu não pude resistir à campanha da WOOK. De maneira que estão dois a caminho 

Entretanto, no mês de abril já li o4º volume da saga Sebastiann Bergman, A Menina Silenciosa, e já estou a meio do 5º volume, O Castigo dos Ignorantes.

A saga é tão viciante, cada livro é melhor que o seu antecessor, que depois é isto: perto de 600 páginas lidas em duas semanas (menos), e quase outro tanto lido em uma semana. Vem aí um feriado... acho que antes do dia 30 de abril tenho o5º volume terminado. 

E depois???!!!!

Depois vou sofrer, como os fãs do Games of Thrones, que ficam numa ânsia angustiante à espera da temporada seguinte. (Só para que conste, não, não vejo a série, mas tenho várias pessoas que vêem e são assim mega fãs que nem preciso ver a dita para saber o que se passa e quem são as personagens e os dragões, e a tia que anda com o sobrinho, que tinha morrido, mas afinal ressuscitou and so on...)

Espero bem que haja um 6º volume e que não demore muito. Está aqui uma fã a entrar em taquicardia.

Pronto, é isto.

Ando meia desaparecida do blog. Confesso-me: estou sem inspiração/vontade/assunto para vir aqui debitar cenas. A vida real tem-me ocupado demasiado tempo e passei por uma fase de enorme desgaste emocional, pelo que, ainda estou no meu momento de retiro para recuperar ânimo e energia. 

A Páscoa já se foi. Até correu bem, teve o seu quê de interessante e divertido à conta das aventuras amorosas da sogra. Eu até estou aqui a magicar propor um reality show à TVI: quem quer casar com a minha sogra? À quantidade de pretendentes que lhe caem aos pés, uma pessoa tem que avaliar os concorrentes 

Por fim, e só porque me apetece, voltar aos treinos depois da Páscoa, quando uma pessoa ainda está em modo rebolation" é assim uma espécie de tortura sadomasoquista. Estava eu nos agachamentos e a profe ao pé de mim. Comenta ela: eh lá, já se notam ali os músculos nas pernas, olha ali? Eu bem que olhei e só via crateras de celulite por baixo dos leggings. Acho que lhe vou oferecer um voucher para ir fazer um check up à vistinha. Já os abdominais continuam numa linha curva, assim tipo amêndoas de chocolate, estão a ver?! Pois. 

Agora, se me permitem, vou ali atirar-me ao livro.

 

*Título do post descaradamente copiado da rubrica do RAP na Rádio Comercial. Não me acusem de plágio, sim?! Estou a admitir o "roubo" e segundo a vox populis, "quem diz a verdade não merece castigo".

 

18
Fev19

Oh fevereiro mais amargo

A culpa não é de fevereiro, mas, bolas, está a ser um mês complicado. Difícil de gerir tantas emoções e tantos imprevistos a acontecerem.

Tenho dedicado tempo (e dinheiro, que as idas à veterinária estão a ser por minha conta) com a Ritinha (eu chamo-lhe Bebecas, e quando pensei que fosse ficar comigo já estava rebatizada de Becas).

A gatinha foi resgatada da rua porque a minha sogra quis e se comprometeu. Só que depois de quase duas semanas lá em casa dela, acabou por vir para nós para o processo de socialização, que tem sido um sucesso. Acompanhamento veterinário. Entretanto percebemos que a constipação que tinha não passou por si, apesar de já estar num ambiente controlado e mais confortável, e levo com a sogra a dar as suas ordens: levem-na e quando estiver boa tragam-na!

Caiu-me tão mal. É que eu saí do consultório com a prescrição do tratamento a saber que ela sozinha não o ia conseguir administrar. A gata ainda não estava totalmente dócil para que lhe fossem dados comprimidos pela garganta abaixo, nem xaropes, nem limpezas de ouvidos, só uma pessoa. Mas não, Gandhe garante que a mãe sabe tratar de gatos, só que ainda mal o filho tinha começado a explicar o tratamento, sai-se com aquela pérola. Podia ser um, eu não devo conseguir fazer isso tudo sozinha, ou vocês vêm cá ajudar-me, ou ficam com ela mais estes dias. Não. À boa maneira dela, é eu quero, posso e mando, levem-na e quando estiver boa tragam-na. Confesso: não me apeteceu devolver-lhe gata nenhuma. Adiante.

Mais uma semana com ela, a dar-lhe a medicação e a continuar com o processo de socialização. Evolução extraordinária, quer na constipação que ao fim de 48h se notava melhorias extraordinárias, quer no desenvolvimento dela. Ganhou peso, começou a brincar e a interagir mais, a confiar mais. Ainda que, sempre que ela sai do seu "ambiente" e muda de divisão, fica novamente em estado de alerta, com tendência a procurar um esconderijo. Normal... é um animal que veio da rua e tem os instintos de sobrevivência apurados.

Nova consulta a um sábado, Ritinha curada e ótima, é para ir para a sua dona legítima, estava fora o fim de semana. Ok, regressou a casa na segunda ao fim do dia. E eu aproveitei mais dois dias de namoro com a Bebecas, no domingo à tarde dormiu horas ao meu colo embrulhada num casaco meu, felpudo e fofo que ela adora.

Na segunda lá vai Ritinha, com os brinquedos dela, com o meu casaco que ela adora, para a sua casa. E lá fica, calma, junto do seu amiguinho.

Dia seguinte teve um surto, escondeu-se, parece que bufou e atirou as garras à sogra, que liga para o filho a mandar vir. Recebo eu uma mensagem a anunciar-me que ia buscar a gata, ficavamos com cinco, e ponto final, não estava mais para se chatear.

À tarde mudou a 180º. "Ai que a gatinha está mais calma, é um fofa, até dormiu a sesta comigo, brinca muito e gosta muito de estar aqui no casaco..."

É que aquela alminha finalmente fez o que desde início lhe dissemos que era necessário fazer, faz parte do processo. Aquele animal precisa estar num ambiente controlado para se ir sentindo seguro e começar a confiar. Lá pôs a gata num quarto que tem desocupado, montou lá as coisas dela, comida, areia, brinquedos, o arranhador que lhe comprámos, a transportadora onde ela tanto gosta de estar, o meu casaco. Claro que o animal acalmou, num ambiente sossegado e com as coisas que lhe são familiares. 

Mas eu passei-me. A mulher já não é nenhuma miúda de 5 anos para andar a fazer birras que agora não quero a gata, agora já quero. Passei-me com o filho, claro, que se pôs logo armado em cavaleiro andante em defesa das merdas da mãe. Discussão feia, muito feia. Grave. E ele disse-me coisas que me quebraram, que rasgaram feridas antigas que foram cicatrizando com o tempo. Estava tão magoada com ele, que mesmo ele, horas depois (nada normal, nada dele), ter-me vindo pedir desculpa pelas coisas que disse, porque também estava stressado com as pancas da mãe, eu só consegui responder-lhe: partiste-me com o que disseste. Hoje não consigo aceitar o teu pedido de desculpas. Talvez amanhã.

Mas a vida tem umas ironias do catano. Manhã seguinte, eu sem pregar olho, estupidamente magoada, com umas olheiras que mais parecia um panda, venho para trabalhar e carro não pega. Puta que pariu a minha sorte. Mais alguma coisa?

Ligo a uma colega, peço-lhe boleia. Envio ao Gandhe uma mensagem: Smart não pega.

Já estava no trabalho quando ele me liga. A saber o que se passou. Ficou de sair um pouco mais cedo, apanhar-me na hora de almoço e ir ver o que se passava com o carro.

E é assim, que os problemas reais do dia a dia funcionam como um balde de água fria numa fogueira ainda incandescente. 

Felizmente foi a bateria do carro, trocou-se e não foi nenhuma fortuna. Problema resolvido.

Vem o dia dos namorados. Eu já tinha encomendado uns cupcakes de chocolate, que uma colega de trabalho faz (deliciosos), com desenhos alusivos ao tema. Deixei a caixa dos cupacakes na bancada da cozinha. Quando ele chegou, enviou-me foto, agradeceu e disse que tratava do jantar. Quando cheguei a casa até tive direito a um cesto de rosas. 

Pronto, vale o esforço dele tentar colar o que partiu dias antes. 

Mas se as coisas pareciam estar a acalmar, estávamos iludidos. Cai a bomba. A avó dele sofreu nesse dia um AVC. Grave. Muito grave. Estava na UCI, ligada às máquinas. Prognóstico muito reservado, médica de serviço disse que dificilmente passava daquela noite.

Mas passou. E ainda está "viva", se é que aquilo é vida. Já não está ligada às máquinas, já respira por ela (uma respiração que até mete dó e aflição só de ouvir), não recuperou a consiciência e dizem os médicos que não esperemos que "acorde": Só estamos à espera que o coração efetivamente pare - citando os médicos. Ponto. Assim, direto, sem paninhos quentes. Sem ilusões de um falso milagre. Sem esperanças alimentadas por engodos.

E tem sido isto, uma angustiante espera, um constante olhar o telefone à espera da notícia que está anunciada, para breve. À espera do quando. 

Se fica por aqui? Podia ficar, dava jeito, não dava?! Mas não. Que isto quando vem maré de azar, varre tudo.

O meu mais novo está doente. Já lhe notei mudanças na quinta passada, mas ontem foi a derradeira confirmação. Hoje a primeira coisa que fiz foi marcar consulta com a veterinária. E vamos lá ver o que se passa.

Por favor, podemos ficar por aqui? Já há demasiados cacos espalhados, demasiadas feridas e angústias.

E nestes momentos em que a morte ronda os nossos, nos faz uma visita e nos lembra assim, em modo bofetada, que o nosso tempo tem um fim. Ganhamos esta dolorosa consciência da nossa finitude. A única certeza que temos na puta da vida: ninguém fica cá para semente. Todos temos o nosso fim. Só não sabemos como e quando. E que merda andamos a fazer com o tempo que temos? Que sentido estamos a dar ao privilégio, tantas vezes descurado e esquecido, de estarmos vivos e termos imensas oportunidades de poder fazer tanta coisa.

A bofetada que levamos e nos faz acordar para o enorme desperdício que fazemos do nosso tempo/vida. 

Fevereiro está a ser amargo. E doloroso. Mas que sirva para o relembrar de uma lição de vida que constantemente esquecemos: carpe diem! Amanhã pode ser tarde demais. Então não desperdicemos o nosso tempo, a nossa vida, em merdas que não trazem nada de bom, não acrescentam valor, não nos fazem melhor nem mais felizes.

 

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