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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

27
Set19

Hoje estou de luto... Amanhã luto!

chegou_a_hora_do_ultimo_adeus_da_despedida_sem_voz

O meu avô paterno faleceu. Aquele avô que um dia me disse que eu não devia ter nascido, porque estraguei a vida ao meu pai, o mesmo avô que em pleno dia de natal me proibiu de entrar em casa dele, e eu fiquei na rua, à chuva, sem entender o porquê de tantas coisas que me disse e fez e magoaram, e eu continuava a ir lá até esse dia, o dia que me senti um cão de rua, que toda a gente enxota com nojo.

O meu avô faleceu e eu lamento não ter tido oportunidade de esclarecer umas quantas coisas. De, quiçá,  recuperar um pouco daquele avô da minha infância,  que foi colo e porto de abrigo, que foi mão que ampara e sabedoria que ensina,  que me levou a tantos sítios, que me mostrou tantas coisas. Aquele avô que partilhou comigo brincadeiras e gargalhadas, muitas histórias de vida e ensinamentos. 

Os últimos anos foram agrestes. Ele tinha o seu mau feitio. Tinha as suas manias. E não estando a isentá-lo da sua responsabilidade quanto aos seus atos, acredito que uma boa cota parte das confusões e desentendimentos que houveram tiveram o dedo maquiavélico e manipulador da mulher que me pariu...

Não posso recuperar o tempo. Posso, agora, escolher se guardo mágoa e rancor, ou se guardo o amor incondicional que, durante a minha infância e adolescência, existiu entre nós. Eu escolhi guardar o amor.  No seu derradeiro destino perdoei-lhe as mágoas. Na minha memória quero que prevaleça o avô extraordinário que tive a sorte de um dia ter tido. O avô que tanto me deu, tanto me ensinou,  tanto me mostrou. 

Até sempre avô.  Gosto muito de ti. Sempre gostei. ❤ 

 

23
Abr19

Mixórdia de temáticas*

Eu disse que prometia falhar

Ah e tal, devia estar proibida de comprar livros até ao fim do ano.

Só que não.

A wishlist é extensa e hoje, dia mundial do livro, eu não pude resistir à campanha da WOOK. De maneira que estão dois a caminho 

Entretanto, no mês de abril já li o4º volume da saga Sebastiann Bergman, A Menina Silenciosa, e já estou a meio do 5º volume, O Castigo dos Ignorantes.

A saga é tão viciante, cada livro é melhor que o seu antecessor, que depois é isto: perto de 600 páginas lidas em duas semanas (menos), e quase outro tanto lido em uma semana. Vem aí um feriado... acho que antes do dia 30 de abril tenho o5º volume terminado. 

E depois???!!!!

Depois vou sofrer, como os fãs do Games of Thrones, que ficam numa ânsia angustiante à espera da temporada seguinte. (Só para que conste, não, não vejo a série, mas tenho várias pessoas que vêem e são assim mega fãs que nem preciso ver a dita para saber o que se passa e quem são as personagens e os dragões, e a tia que anda com o sobrinho, que tinha morrido, mas afinal ressuscitou and so on...)

Espero bem que haja um 6º volume e que não demore muito. Está aqui uma fã a entrar em taquicardia.

Pronto, é isto.

Ando meia desaparecida do blog. Confesso-me: estou sem inspiração/vontade/assunto para vir aqui debitar cenas. A vida real tem-me ocupado demasiado tempo e passei por uma fase de enorme desgaste emocional, pelo que, ainda estou no meu momento de retiro para recuperar ânimo e energia. 

A Páscoa já se foi. Até correu bem, teve o seu quê de interessante e divertido à conta das aventuras amorosas da sogra. Eu até estou aqui a magicar propor um reality show à TVI: quem quer casar com a minha sogra? À quantidade de pretendentes que lhe caem aos pés, uma pessoa tem que avaliar os concorrentes 

Por fim, e só porque me apetece, voltar aos treinos depois da Páscoa, quando uma pessoa ainda está em modo rebolation" é assim uma espécie de tortura sadomasoquista. Estava eu nos agachamentos e a profe ao pé de mim. Comenta ela: eh lá, já se notam ali os músculos nas pernas, olha ali? Eu bem que olhei e só via crateras de celulite por baixo dos leggings. Acho que lhe vou oferecer um voucher para ir fazer um check up à vistinha. Já os abdominais continuam numa linha curva, assim tipo amêndoas de chocolate, estão a ver?! Pois. 

Agora, se me permitem, vou ali atirar-me ao livro.

 

*Título do post descaradamente copiado da rubrica do RAP na Rádio Comercial. Não me acusem de plágio, sim?! Estou a admitir o "roubo" e segundo a vox populis, "quem diz a verdade não merece castigo".

 

18
Fev19

Oh fevereiro mais amargo

A culpa não é de fevereiro, mas, bolas, está a ser um mês complicado. Difícil de gerir tantas emoções e tantos imprevistos a acontecerem.

Tenho dedicado tempo (e dinheiro, que as idas à veterinária estão a ser por minha conta) com a Ritinha (eu chamo-lhe Bebecas, e quando pensei que fosse ficar comigo já estava rebatizada de Becas).

A gatinha foi resgatada da rua porque a minha sogra quis e se comprometeu. Só que depois de quase duas semanas lá em casa dela, acabou por vir para nós para o processo de socialização, que tem sido um sucesso. Acompanhamento veterinário. Entretanto percebemos que a constipação que tinha não passou por si, apesar de já estar num ambiente controlado e mais confortável, e levo com a sogra a dar as suas ordens: levem-na e quando estiver boa tragam-na!

Caiu-me tão mal. É que eu saí do consultório com a prescrição do tratamento a saber que ela sozinha não o ia conseguir administrar. A gata ainda não estava totalmente dócil para que lhe fossem dados comprimidos pela garganta abaixo, nem xaropes, nem limpezas de ouvidos, só uma pessoa. Mas não, Gandhe garante que a mãe sabe tratar de gatos, só que ainda mal o filho tinha começado a explicar o tratamento, sai-se com aquela pérola. Podia ser um, eu não devo conseguir fazer isso tudo sozinha, ou vocês vêm cá ajudar-me, ou ficam com ela mais estes dias. Não. À boa maneira dela, é eu quero, posso e mando, levem-na e quando estiver boa tragam-na. Confesso: não me apeteceu devolver-lhe gata nenhuma. Adiante.

Mais uma semana com ela, a dar-lhe a medicação e a continuar com o processo de socialização. Evolução extraordinária, quer na constipação que ao fim de 48h se notava melhorias extraordinárias, quer no desenvolvimento dela. Ganhou peso, começou a brincar e a interagir mais, a confiar mais. Ainda que, sempre que ela sai do seu "ambiente" e muda de divisão, fica novamente em estado de alerta, com tendência a procurar um esconderijo. Normal... é um animal que veio da rua e tem os instintos de sobrevivência apurados.

Nova consulta a um sábado, Ritinha curada e ótima, é para ir para a sua dona legítima, estava fora o fim de semana. Ok, regressou a casa na segunda ao fim do dia. E eu aproveitei mais dois dias de namoro com a Bebecas, no domingo à tarde dormiu horas ao meu colo embrulhada num casaco meu, felpudo e fofo que ela adora.

Na segunda lá vai Ritinha, com os brinquedos dela, com o meu casaco que ela adora, para a sua casa. E lá fica, calma, junto do seu amiguinho.

Dia seguinte teve um surto, escondeu-se, parece que bufou e atirou as garras à sogra, que liga para o filho a mandar vir. Recebo eu uma mensagem a anunciar-me que ia buscar a gata, ficavamos com cinco, e ponto final, não estava mais para se chatear.

À tarde mudou a 180º. "Ai que a gatinha está mais calma, é um fofa, até dormiu a sesta comigo, brinca muito e gosta muito de estar aqui no casaco..."

É que aquela alminha finalmente fez o que desde início lhe dissemos que era necessário fazer, faz parte do processo. Aquele animal precisa estar num ambiente controlado para se ir sentindo seguro e começar a confiar. Lá pôs a gata num quarto que tem desocupado, montou lá as coisas dela, comida, areia, brinquedos, o arranhador que lhe comprámos, a transportadora onde ela tanto gosta de estar, o meu casaco. Claro que o animal acalmou, num ambiente sossegado e com as coisas que lhe são familiares. 

Mas eu passei-me. A mulher já não é nenhuma miúda de 5 anos para andar a fazer birras que agora não quero a gata, agora já quero. Passei-me com o filho, claro, que se pôs logo armado em cavaleiro andante em defesa das merdas da mãe. Discussão feia, muito feia. Grave. E ele disse-me coisas que me quebraram, que rasgaram feridas antigas que foram cicatrizando com o tempo. Estava tão magoada com ele, que mesmo ele, horas depois (nada normal, nada dele), ter-me vindo pedir desculpa pelas coisas que disse, porque também estava stressado com as pancas da mãe, eu só consegui responder-lhe: partiste-me com o que disseste. Hoje não consigo aceitar o teu pedido de desculpas. Talvez amanhã.

Mas a vida tem umas ironias do catano. Manhã seguinte, eu sem pregar olho, estupidamente magoada, com umas olheiras que mais parecia um panda, venho para trabalhar e carro não pega. Puta que pariu a minha sorte. Mais alguma coisa?

Ligo a uma colega, peço-lhe boleia. Envio ao Gandhe uma mensagem: Smart não pega.

Já estava no trabalho quando ele me liga. A saber o que se passou. Ficou de sair um pouco mais cedo, apanhar-me na hora de almoço e ir ver o que se passava com o carro.

E é assim, que os problemas reais do dia a dia funcionam como um balde de água fria numa fogueira ainda incandescente. 

Felizmente foi a bateria do carro, trocou-se e não foi nenhuma fortuna. Problema resolvido.

Vem o dia dos namorados. Eu já tinha encomendado uns cupcakes de chocolate, que uma colega de trabalho faz (deliciosos), com desenhos alusivos ao tema. Deixei a caixa dos cupacakes na bancada da cozinha. Quando ele chegou, enviou-me foto, agradeceu e disse que tratava do jantar. Quando cheguei a casa até tive direito a um cesto de rosas. 

Pronto, vale o esforço dele tentar colar o que partiu dias antes. 

Mas se as coisas pareciam estar a acalmar, estávamos iludidos. Cai a bomba. A avó dele sofreu nesse dia um AVC. Grave. Muito grave. Estava na UCI, ligada às máquinas. Prognóstico muito reservado, médica de serviço disse que dificilmente passava daquela noite.

Mas passou. E ainda está "viva", se é que aquilo é vida. Já não está ligada às máquinas, já respira por ela (uma respiração que até mete dó e aflição só de ouvir), não recuperou a consiciência e dizem os médicos que não esperemos que "acorde": Só estamos à espera que o coração efetivamente pare - citando os médicos. Ponto. Assim, direto, sem paninhos quentes. Sem ilusões de um falso milagre. Sem esperanças alimentadas por engodos.

E tem sido isto, uma angustiante espera, um constante olhar o telefone à espera da notícia que está anunciada, para breve. À espera do quando. 

Se fica por aqui? Podia ficar, dava jeito, não dava?! Mas não. Que isto quando vem maré de azar, varre tudo.

O meu mais novo está doente. Já lhe notei mudanças na quinta passada, mas ontem foi a derradeira confirmação. Hoje a primeira coisa que fiz foi marcar consulta com a veterinária. E vamos lá ver o que se passa.

Por favor, podemos ficar por aqui? Já há demasiados cacos espalhados, demasiadas feridas e angústias.

E nestes momentos em que a morte ronda os nossos, nos faz uma visita e nos lembra assim, em modo bofetada, que o nosso tempo tem um fim. Ganhamos esta dolorosa consciência da nossa finitude. A única certeza que temos na puta da vida: ninguém fica cá para semente. Todos temos o nosso fim. Só não sabemos como e quando. E que merda andamos a fazer com o tempo que temos? Que sentido estamos a dar ao privilégio, tantas vezes descurado e esquecido, de estarmos vivos e termos imensas oportunidades de poder fazer tanta coisa.

A bofetada que levamos e nos faz acordar para o enorme desperdício que fazemos do nosso tempo/vida. 

Fevereiro está a ser amargo. E doloroso. Mas que sirva para o relembrar de uma lição de vida que constantemente esquecemos: carpe diem! Amanhã pode ser tarde demais. Então não desperdicemos o nosso tempo, a nossa vida, em merdas que não trazem nada de bom, não acrescentam valor, não nos fazem melhor nem mais felizes.

 

07
Dez17

Era tudo o que (não) precisava!

Sentia-me já com algum animo para juntar os meus cacos, sacudir o pó e fazer-me à estrada da vida, quando a vida, que não está para meiguices, achou que era hora de eu levar uma valente bofetada.

Recebi ontem uma SMS, vinda da mãe de quem não havia qualquer relação desde há quatro anos, a informar que a minha avó faleceu.

E se eu era um monte de cacos, em poeira de caquinhos fiquei. 

 

27
Ago16

Rio, rio, rio, rio para não chorar...

Sogrinha desde o fim de semana passado não pára de ligar ao filho. E porquê? Porque tinha lá uns tomates que nos queria dar e andou a semaninha toda a chagar a paciência por causa dos ditos. Bem, a semana toda não, porque à conta da NOS ficámos sem comunicações, e durante 5 dias não tivémos contacto de telemóvel disponível. 

Mas tanto chateou, que ele lá foi finalmente a casa buscar o raio dos tomates, e eu já a benzer-me a pensar que, tamanha aflição e urgência, só podia vir dali uma tonelada (quase) de tomates e que haveria eu de fazer a tanto tomate (já me imaginava no meio de la tomatina).

Eis que ele me aparece em casa com dois tomates. DOIS! Tanta aflição por causa de DOIS tomates?!

Pronto, eu poupo-vos a piadas ordinárias que agora podia fazer com os dois tomates da sogra...

 

02
Mai16

Já ganhei um lugar no céu, não?!

Ontem tomava o pequeno almoço com vagar, pensando como queria aproveitar o domingo de sol. Estava para desafiar o Gandhe a almoçarmos numa esplanada, depois aproveitava para levantar uma encomenda no centro comercial. Mas antes que eu verbalizasse os meus pensamentos, ele pergunta-me:

- Queres ir almoçar fora?

Olho para ele como se ele tivesse adivinhado os meus pensamentos. Pobre tonta, mal sabia que o convite era encapotado e ainda não estava concluído...

- Com a minha mãe. Ela convidou-nos.

O meu olhar deve-se ter transformado em gelo, porque vio-o encolher-se todo, e a medo dizer que ela já ligara no dia anterior, mas ele não sabia como me havia de perguntar.

Respiro e solto um: tá bem, é dia da mãe, mas atenção, tenho outros planos e coisas para fazer, espero que o almoço não dure a tarde toda.

Pergunto onde é o almoço, ele não sabe. E eu já a ver o filme, vamos buscar a madame e seu namorado a casa, ser os motoristas, e levar com eles o dia todo. Sério? Cedi numa parte, esperava que ele fizesse a dele.

Meu dito meu feito, eu devia ter saído de casa de Smart. Nem sequer tinha estacionado a carrinha, já ela entrava por lá dentro, instalando-se à lorde. Só faltou dizer que lhe apetecia algo. Diz onde é para ir, e lá vamos nós, eu a ruminar o fel.

Durante o almoço ela dizia pérolas como: ai consolem-se, hoje o almoço é de borla, comer é hoje que é dado. Pó caralho, que quando lhe paguei almoços em restaurantes nunca lhe disse para encher o bandulho que era eu a pagar.

Depois vira-se para o filho: ai olha ali aquela rapariga, tão linda, cabelão comprido, loiro, aqueles olhos azuis, mesmo linda.

Obrigadinha pela parte que me toca, já que sou todo o oposto: baixa, cabelo curto, castanho caju e de olhos castanhos. 

Vale o namorado até ser uma pessoa simpática, e lá ia conversando e atenuando os efeitos nefastos da sogra. 

Depois de almoço, ai vamos tomar café a qualquer lado. Fomos. Eu só olhava para o Gandhe de lado. Já só pensava era largar-me para o centro comercial levantar a encomenda e apanhar o comboio para casa. 

Não foi preciso. Depois do dito café numa esplanada no centro histórico da cidade, ela quis ir passear com o namorado, e disse que regressavam a casa de comboio. 

Eu lá fui fazer o que tinha a fazer, regressei a casa, e sinceramente, ignorei o Gandhe. Não vale a discussão, não vale nada, estou farta, cansada, eu nem sabia se estava danada com ele, por causa de ter feito as coisas como fez, quase que me armou uma cilada para eu não poder dizer não, ao mesmo tempo nem me agradeceu eu ter feito o esforço para ele almoçar com a mãe no dia da mãe. Enfim. Estou em voto de silêncio. Ele que não me chateie, que eu estou em modo vulcão a acordar.

Para a semana faço anos, marquei férias, temos uma escapadinha de três dias marcada, mas estou aqui com uma neura que já não me apetece ir para lado nenhum.

Episódios com a sogra têm desgastado muito a relação. E a verdade é que cheguei ao ponto em que nem sequer me apetece fazer o esforço. Não quero discussões, também não quero conversas da treta, não estou para levar com fretes, estou é farta desta merda, ponto.

Dica de Pandora para solteiras: arranjem um orfão! 

 

21
Mar16

O karma, a sogra e a minha bílis!

Por altura do natal houve um episódio (mais um) da sogra que me deixou a ferver. Depois de tantas, foi como a gota de água que fez transbordar o copo. Depois daquilo, ela de mim não teria mais consideração, nem engolir sapos, nem nada. Posso ter muitos defeitos, mas não sou nem hipócrita nem cínica, portanto cansei de me esforçar para manter algum tipo de relação, com o mínimo contacto possível, de andar a engolir sapos e fazer alguns fretes, tudo pelo Gandhe, que é filho (e parvo, que continua a ser tapete debaixo dos pés da mãe).

Ora que fez ela no natal. Quis ficar sozinha, porque a mãe dela ia para casa de outro filho passar o natal, o namorado ia para casa de uma filha, e ela alegou umas dores de dentes e que não estava para se chatear. Portanto, a única pessoa que ela tinha no natal, curiosamente é a mesma e a única pessoa que ela tem nos restantes 365 dias, não estava para se chatear no natal, não se esforçou minimamente. Se a filha viesse cá, não lhe doíam os dentes, se a mãe não fosse para o irmão, não lhe doíam os dentes, se o namorado não fosse para a filha, não lhe doíam os dentes. Ironicamente, e o karma é fodido, só lhe restava o filho, que ela trata como criado, e eu, a cabra da nora, filha de Belzebu. Logo, não se esforçou minimamente pela família que lhe restava. 

Para mim foi um alívio. Mas custou levar com aquela cuspidela em cima, mais por ele, obviamente. E cheguei a dizer-lhe que é nessas alturas que agradeço não ter filhos, porque não saberia explicar à criança que não somos suficientemente especiais para a avó fazer um esforço.

Assim se passou, poucos dias depois ela a ligar para o filho fazer favores, ele a ir feito estúpido, eu a ficar com a bílis azeda durante uns dias, e a coisa acalma, até ela dar o ar de sua graça outra vez. 

Agora diz-me ele, por e-mail, pois acredito que tenha as bolinhas bem pequeninas para mo dizer na cara, que a senhora sua mãe no domingo de Páscoa tem a almoçar em casa a mãe dela, o namorado, e nos convidou também.

Ora, o karma a fazer das suas. Por um lado a minha oportunidade de lhe dizer que não estou para me chatear. Não vou, quero que ela se foda, tenho receio de morrer engasgada à mesa com um bago de arroz, não estou para engolir sapos, muito menos o meu orgulho ferido, como se nada se tivesse passado. Por outro lado quem sou eu para privar o Gandhe de almoçar com a mãe, com a avó e o pseudo padrasto?

Solução: ele vai, eu não. 

Seria simples, mas imagino que ele entre numa birra, só vai se eu também for, depois eu decido não ir, ele fica de trombas porque queria ir almoçar a casa da mãe, se engulo eu o orgulho e decido ir, vou estar eu fodida da vida, com a bílis a arder...

A sério, que faço eu?!

Não há nenhum ovni que passe e me leve antes de domingo? Por uns dias. Alguns. Dois. 

 

23
Fev16

Nas palavras dos outros vejo-me ao espelho

Hoje bati com os olhos numa crónica. Na hora de almoço, enquanto aguardava pelo plim do microondas, passeava os olhos pelo mural do facebook e algo me chamou a atenção. Abro o link. Leio de um trago o texto e sinto aquele arrepio de quem recorda um pesadelo.

Vais ser sempre uma infeliz.

Ouvi tanto isto. Ouvi tantas das coisas descritas neste texto. Vivi outras tantas. É duro. Foda-se, é mesmo duro. E não tem cura. É um vazio e uma mágoa que nos acompanha até ao fim dos dias. Conforta-me a coragem de ter virado costas, de largar, de procurar viver em vez de sobreviver. Conforta-me saber que há outras pessoas com histórias de vida familiar semelhantes. Que ouviram as mesmas coisas, que sentiram as mesmas coisas, que sofreram de igual forma. Conforta-me saber que a culpa não é minha, que o monstro não sou eu, que contra quem mais me devia apoiar e gostar de mim, eu procuro ser feliz como sou. 

 

12
Out15

Tenho de rever a minha forma de vestir

Ontem tivemos um lanche ajantarado em casa da avó do Gandhe, já que era a festa da santa terrinha e a senhora, no alto dos seus 80's e, gosta de reunir filhos e netos e quem mais apareça. Sogrinha mais querida não costuma ir, já que está de relações cortadas com irmãos. Nós vamos. É uma ótima oportunidade de conviver com tios e primos do Gandhe, que ele não costuma ver assim muito. 

Ora, como o evento era informal e familiar, eu levei os meus jeggings, os botins, uma camisola de linho soltinha e larguinha, como assim dita o código de coordenados das calças justas. Pergunta-me uma tia do Gandhe, com os olhinhos a brilhar e um sorriso no rosto:

- Estás grávida?!

Oh foda-se! 

Terei de vestir-me com um fato justo, digno de uma catwoman, para verem, sem sombras de dúvidas, que não há gravidez?! É que mesmo o pneuzinho que andava aqui a chatear, está a diminuir. 

Amanhã regresso à ginástica, just in case.

 

 

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