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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

17
Jul19

Ando nisto há mais de um ano, e agora virou tema que anda de boca em boca

Cristina Ferreira, goste-se ou não se goste, é uma mulher multifacetada, inteligente, empreendedora e indiscutivelmente uma figura pública que todos os dias está sob o escrutínio dos telespetadores e do público em geral (era das redes sociais).

Ora, Cristina vem a público escrever este Tem Dias. E estes dias são os dias de muitas de nós, mulheres, que andamos numa correria no dia a dia, enfrentamos horários, tarefas múltiplas, preocupações várias, o stress é o pão com manteiga do dia e o descanso é um luxo a que poucas têm acesso. 

O stress tem implicações nos meus níveis de cortisol e o meu corpo reage imediatamente. O que é que isso quer dizer: um dia bem, o outro inchadíssima, um dia magra, um dia com mais três quilos, um dia não mostras os braços, no outro as pernas, agora usas um vestido largo para não se ver a barriga, come porque não vale de nada não comeres, vai ao ginásio mas o músculo não fica.

Para quem quiser recordar o meu testemunho em outubro do ano passado, aqui está ele.

O exercício continua. Os cuidados alimentares também. O médico dá-me na cabeça por causa do descanso. Dormir 8 horas. Impreterivelmente. Explica-me em detalhe os ciclos do sono. Explica-me os efeitos e impacto que o descanso e as horas de sono têm no nosso organismo, nas nossas células. 

Eu vou tentando. Mas tal como a Cristina Ferreira, cá estou eu, uma anónima comum mortal que passa pelo mesmo: um dia acordo magra, ao fim do dia parece que tenho uma barriga de grávida de 6 meses. Aliás, já perdi a conta às vezes que acharam que eu estava grávida. Ainda na semana passada aconteceu. Ganhasse dinheiro de cada vez que pensaram que a cegonha vinha a caminho e eu já tinha ido de férias para um paraíso tropical qualquer.
Eu vou brincando, gozando, usando o humor para dar a volta a isto, mas é fodido. Não, não estou grávida, também não estou gorda. Estou inchada. Faço imensa retenção de líquidos. Nos dias em que o meu sistema nervoso está mais alterado, os níveis de ansiedade ou stress mais altos, a falta de descanso se faz sentir e traduz-se numa enorme falta de energia, eu pareço um balãozinho. As calças apertam, recorro aos vestidos largos, olho no espelho e não gosto do que vejo, não reconheço o corpo que já tive e, atenção, nunca fui nenhuma modelo ou coisa que o valha. 

Mas fodido mesmo fodido é esta opinião pública de gordas e magras e o que é um corpo bonito. Safoda o bonito. Que seja um corpo saudável. E eu sou saudável. Fiz vários rastreios, análises, consultas de especialidades várias. Estou ótima. Todos os médicos que procurei disseram para continuar com a minha rotina alimentar e de exercício. Estou a fazer tudo bem. Porque não responde o corpo? Porque é esta coisa do stress, o trabalho que nos ultrapassa, o chefe que nos lixa a cabeça, o ambiente de trabalho que é de cortar à faca, a constante pressão de fazer mais e melhor a troco de um ordenado de merda, questões pessoais que me vão minando a estabilidade emocional, o equilíbrio, as pessoas que magoam e desiludem e eu deixo que me afete mais do que deveria.

O meu stress obviamente é diferente do da Cristina Ferreira, quanto mais não seja a sua génese. No entanto, os efeitos, consequências, resultados são em tudo semelhantes.

Contudo, ela está pior do que eu: todos os dias aparece na televisão nacional, nas redes sociais, é vista e comentada por milhares de pessoas. Eu, cá vou andando no meu anonimato e a gozar com quem acha que eu estou grávida.

 

30
Jun16

Queria uma coisa, trouxe outra!

Ontem, aproveitei que ia deixar o carro no estacionamento do centro comercial, para ir a uma consulta, e dei um giro por lá. Ora, entrei na Stradivarius, dei a volta à loja (literalmente, percorri o perímetro) e saí. Que confusão. É que se já ia com pouca vontade de meter o nariz nos montes de roupa, in loco, a ver-me no meio do caos em forma de trapos, mais vontade deu de regressar de imediato ao lado de fora da loja.

A única coisa que pretendia mesmo comprar era um protetor solar para o cabelo, e tinha em vista um da Boticário. Lá vou eu. Loja arrumadinha, vazia, na paz. Procurei o dito protetor solar e vem a menina, toda simpática, disponibilizar ajuda. Disse o que queria e ela mostrou-me.

Olhei para o preço, em promoção, e sorri, já toda contente pela pechincha que estava prestes a comprar. Mas eis que a moça me diz: ah, mas a menina pinta o cabelo, o mais indicado seria este, que tem proteção de cor, ajuda a proteger a cor, prevenindo que desbote com a exposição ao sol e à água do mar, além de que deixa o cabelo hidratado e brilhante.

Pronto! Fui apanhada pelos argumentos. Este seria o produto ideal para o meu cabelo, e confiei. Não estava em promoção, pelo que me custou o dobro do outro. Mas vá, a embalagem também é maior. E como confio na marca, acredito que trouxe o produto mais adequado ao meu cabelo. 

 

A ideia era ir aos saldos. Era!

 

  

14
Mai16

A ditadura dos tamanhos

Não sou nenhuma modelo. Com metro e meio de altura também era difícil. 

Não sou nenhuma beldade de fazer parar o trânsito.

Tenho as minhas manias em relação ao corpo, coisas que não gosto (o rabo) e mudaria se pudesse. 

Já fui mais neurótica com a celulite, mas ela está cá, faça o que fizer, faz parte do meu corpo e é, acima de tudo, consequência da nada espetacular retenção de líquidos que faço.

A última vez que tirei as medidas na consulta da nutricionista o cenário era: peito 90cm - cintura 70 cm - anca 93 cm.

Já tive 60 cm de cintura. Numa fase em que emagreci para além da conta, tive menos de 60cm de cintura. Também já tive mais de 100 de anca. Quando o intestino não funciona e dá problemas, noto logo alterações a nível da cintura. Se oscilo em termos de peso, é na anca que se nota. 

Visto maioritariamente 36 ou S. Salvo algumas exceções, visto 38 ou M, dependendo do modelo ou do tamanho pequeno com que fazem a roupa. 

Agora digam-me... com estas medidas, que fazem o meu tipo de corpo ser o ampulheta, supostamente o tipo de corpo ideal para tudo cair bem, digam-me porque é que eu vou à Calzedónia, experimento um biquíni 36 parte de cima, M parte de baixo, e sinto-me uma autêntica baleia prenha de gémeos?

Em que tipos de corpos se baseiam para fazer os malditos biquínis?

Estou furibunda. É que ando a cair nisto há uns anitos. Bato os olhos num biquíni, fico a babar, dou-me ao direito de perder o amor aos €€€ e depois levo um banho de água fria no provador. 

Alguém consegue comprar lá biquínis??? Chiça!!!

 

20
Abr16

O drama da carteira

Por carteira entenda-se porta-documentos, porta-moedas, aguarda-por-notas, acumula-talões, coleciona-cartões-de-cliente.

Só pela descrição já perceberam que há uma infinidade de tralha a guardar na carteira. 

Ora, assim sendo, que carteira escolher? Uma de tamanho XXL que nos obriga a andar com malas também XXL, porque além da carteira XXL ainda há o necessaire com os primeiros socorros, a maquilhagem, a caixa dos óculos de sol, a agenda, o bloco de notas, o telemóvel, quiçá o tablet e o carregador, não vá ficar sem bateria, o lanche, as chaves de casa, do carro, outros óculos de sol, lenços de papel. 4 pacotes, não vá algum acabar. Continuo?

Há as de tamanho médio, cabe uma quantidade razoável de cartões, pelos menos os principais que mais usamos, e os documentos, já não exige uma mega mala, mas ainda assim, se queremos usar uma mala mais pequena, o raio da carteira é maior que a mala, ou enche logo aquilo tudo, lá vamos ter de pegar só no que é essencial e levar num porta-moedas pequeno, com espaço para dois ou três cartões.

Ah, a epifania. Afinal pode-se sair de casa com Cartão de Cidadão (ainda não mudou, pois não?), a carta de condução, o cartão multibanco, alguns trocos e siga. Mas de repente, no regresso a casa até se passou no supermercado, e raios que o cartão de cliente ficou em casa, bem como os talões de desconto. E nisto recebe-se um telefonema, queremos anotar algum recado mas raio o bloco de notas ou a agenda ficou em casa, porra para isto, malas pequenas não são para mim, nem um papel perdido na carteira tenho, porque a carteira ficou em casa, quem me manda sair de casa assim desprevenida.

Um drama. Um drama!

Ou andamos carregadas quem nem mulas de carga, ou damos uma de minimalistas e tudo nos falta.

 

 

Agora digam-me como é que ELES conseguem usar a mini carteira no bolso das calças????

Ah, já sei. O resto pedem às mulheres para guardarem. Nas malas delas. 

 

07
Jul15

Menstruação ou monstruação?

 Não é mito. A menstruação traz uma série de sintomas às mulheres. O mais conhecido é a chamada TPM, normalmente associada à irritabilidade, ao mau humor, à pilha de nervos em que nos transformamos, à vontade descontrolada de comer chocolates e doces e porcarias. Mas há também sintomas físicos: dores, cólicas, enxaquecas, enorme inchaço e desconforto abdominal. 

Nem todas somos iguais, e conheço mulheres que não costumam ter sintomas de menstruação, conheço quem tenha alguns de forma mais ou menos moderada, quem os tenha ao mais alto nível de potência (sim, já conheci quem ficasse de cama, tais eram as dores), quem tenha alguns, quem tenha todos os sintomas associados.

Eu sou das infortunadas. Tenho vários sintomas, nuns meses manifestam-se mais uns, noutros meses outros, e há meses em que tudo o que pode ser sintoma me aparece. Este é um desses meses: foram as fortes enxaquecas que só me dava vontade de me trancar num quarto escuro, as cólicas que me faziam dobrar sobre mim mesma, as dores físicas, com aquela sensação de ter sido atropelada por uma manada de búfalos em fúria, o inchaço e desconforto, que são tais que a questão do mau humor, da irritabilidade, passam despercebidas, porque nem força tenho para "rosnar". Não podendo ficar de pijama o dia todo enfiada na cama, só apetece vestir uma burka e enfrentar, com sacríficio, o dia de trabalho. 

Para mim são dias de monstruação. O que eu sofro com isto. E não, não tenho qualquer problema de saúde que o justifique, é assim que o meu corpo funciona. E eu que o aguente!

 

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