Acordo. Lá fora chove. Céu cinza escuro, carregado de nuvens. Abro a janela. Não está frio frio. Está fresco. E chove. Aquela chuvinha miudinha, chata, filha da mãe, que só dá vontade de dar meia volta e voltar a enfiar-me debaixo do edredão.
Hora de escolher o que vestir.
Já não apetece (nem é confortável) sair de vestidos de verão, manga curta, sem collants. Para usar collants, não, são quentes e ainda não está frio. As calças mais finas de verão. Nim. Frescas. Está de chuva. São claras. Está de chuva. Foda-se.
Jeans. Salvam sempre o dia. Só que não. Custam a entrar, depois de meses com as carnes à solta em vestidos leves e calças finas e largas. Enfia uma perna... que pariu, eu não engordei... enfia a outra perna... ai foda-se... entras ou não entras?! Entrou. Agora a parte difícil: passar a anca. Malabarismos dignos de uma contorcionista chinesa. Agora que passou não respira... aguenta... mais um bocadinho... botão apertado. Continua sem respirar.
Ok, e o que calçar? Botas????? MEDOOOOOOO. As all star que têm sido a transição suave (eufemisticamente falando) entre o pé ao léu, em sandálias coloridas, e o pé enclausurado, não são propriamente uma boa ideia para dias de chuva. Ok, escolhe outras sapatilhas. E umas meias mais "robustas".
Saio de casa. Corta-vento com capuz. Era o que me faltava pegar no guarda-chuva... o caracinhas! Estou em protesto.
Manhã de trabalho e coiso. Hora de almoço. Um sol do caralho. Céu azul, limpo de nuvens. Calorzinho agradável. E eu, apesar de já respirar dentro dos jeans, estou a sentir-me claustrofóbica, com os pés a gritar por socorro dentro das sapatilhas mais quentes...
Ah o outono! E se fosses dar uma volta ao bilhar grande?! É que adoro, assim de coração, esta estação em que nem é carne nem é peixe, tanto chove como faz sol, saio de casa no inverno e vou almoçar no verão. SÓ QUE NÃO!!!!!!
Pela minha paciência falecida a cada post, foto, referência à chegada do outono.
Sou do mesmo team que a Maria. Nada a acrescentar.
Aliás, há sim. Ainda nem o filho da mãe chegava oficialmente, já que na semana passada se fez sentir com toda a sua plenitude, e começaram as minhas maleitas e queixas no corpo. É que não bastava a cervical, o braço, a perna, a bacia, na sexta à noite ainda foi mais um entorse no pé do costume.
Duas horas na marquesa da osteopata e estou dorida, melhor, mas dorida e com a certeza que amanhã, na reavaliação, vou levar com o veredito de repetir o tratamento de choque (literalmente, levei choques elétricos, fora todas as outras manobras em que só ouvia os ossos a estalar).
Ai o outono e o caralho. Podemos ir para o verão outra vez? Mas verão a sério, não esta merdinha que mal chegou aos 30º durante duas ou três semanas.
Ainda fazia calor e o verão prolongava-se pelo outono quando eu acordei com uma terrível dor de garganta e ouvidos.
Com a tendência natural que tenho para aquelas -ites (amigdalite, faringite, laringite, otite), o pequeno almoço foi concluído com uma dose de Brufen. E assim andei três dias. A garganta e os ouvidos acalmaram, veio o corrimento nasal. Depois do Brufen durante três dias vou à farmácia. Dão-me um spray para aliviar a congestão nasal e a garganta. Alguns dias depois parecia estar melhor mas... começa uma tosse absolutamente esgostante. Tossia tanto a ponto de faltar o ar, de provocar o vómito, de ficar com sabor a sangue na boca e o peito a arder. Sábado fui ao médico. É-me anunciado um estado gripal que não carecia de antibiótico, iria durar entre 20 a 21 dias e a tosse podia prolongar-se por seis semanas. Analgésico, outro spray para a garganta, um xarope para a tosse. Melhorias nada.
Ontem mal me aguentei no trabalho, com constantes ataques de tosse, aflitivos, esgotantes. Liguei para o centro de saúde, consegui consulta com a médica de família, à tarde já não fui trabalhar. Nova consulta, nova medicação, agora com antibiótico, baixa dois dias para repouso e evitar diferenças de temperatura e correntes de ar.
Já vou na terceira semana doente. Adiei a ida ao médico, e provavelmente piorei por isso. Agora estou eclausurada em casa, de pijama, com tamanha pedrada que só me apetece dormir. Os ataques de tosse, parece-me, diminuíram. Durante a noite ainda tive, a manhã, depois do antibiótico, tem sido mais calma, mas precisamente quando respondia a uma amiga, que me perguntou como eu estava, deu-me um. Não tão intenso e forte. Ok, parece que agora estou no bom caminho para a cura.
E aqui está a minha despedida do verão e uma "bela" entrada na época das mantas, dos chás, do frio e das maleitas. Ohhhhh que eu adoro o tempo frio (SÓ QUE NÃO!). Posso voltar para o verão, posso?