Mais virão. Confesso que me dá alento saber que dentro de um mês estou novamente de férias.
Das férias de agosto, ora começo por partilhar que andei a suspirar pelas férias (para depois elas durarem o tempo de um suspiro) e crente que seria apenas uma semana, melhor que nada. No início de agosto, na plataforma de registos de assiduidade apercebo-me que afinal tinha marcado duas semanas. Não sei o que é ganhar a lotaria, mas o que senti deve ser semelhante.
Foram umas férias em casa (eu moro na praia) e em modo sem planos. E souberam tão bem. Dias de descanso, relax, sem horários, sem listas de tarefas ou compromissos. As manhãs estavam mais frescas, as tardes foram excecionais para estender a toalha na praia. Alguns mergulhos de mar. Não li tanto quanto gostaria, mea culpa que me deixei ficar a vegetar nas redes sociais tempo que teria sido melhor aproveitado a ler. Comprei um livro no mercadinho de verão que decorre durante o mês de agosto na praia onde moro. É um livro para ler com atenção. E calma. Para ir absorvendo e integrando. Estou a adorar.
Jantei fora, fiz churrascos no terraço, fui cliente diária do meu bar de praia preferido. Bebi caipirinhas. E cidras. Também bebi muita água com gás. Comi gelados. E churros. Fui a concertos patrocinados pela Câmara Municipal no âmbito do programa Anima o Verão. Praticamente não andei de carro nessas duas semanas.
Desfrutei da vila piscatória onde moro. E também senti os constrangimentos que o turismo de massas traz: a confusão generalizada, espaços cheios, estacionamentos à pinha, restaurantes e esplanadas a abarrotar, os serviços num caos, e a boa educação e civismo e irem pelo esgoto. Impressão minha ou as pessoas estão cada vez piores naquilo que seriam os mínimos olímpicos de respeito e consideração ao próximo?
Enfim...
As férias foram boas. Tão boas que, por mim, continuava
E ontem o regresso ao trabalho. O post está tão leve que vou ficar por aqui.
Seria de esperar que morando na praia, eu já estivesse com um bonze de fazer inveja. Não estou.
Seria de esperar que já tivesse feito muitas incursões à praia (entenda-se munida da parafernália necessária para estar estendida na areia, em modo "frango de churrasco"). Não fiz.
Aproveito muitas coisas que advêm do facto de morar numa praia. Estender-me na areia, de biquíni, é uma das que fica no fim da lista.
Há pessoas que se surpreendem. Ou acham que eu na verdade não aproveito este morar na praia, como se isso significasse ter o tempo todo a toalha estendida no areal e o corpinho ao sol.
O verão tem sido generoso, com boas temperaturas e poucas nortadas, sim. E durante a semana trabalho, a 17 km da praia onde moro. E aos fins de semana tenho, muitas vezes, outros compromissos e afazeres. E aproveito a esplanada, o passadiço, o comércio local, o mercado do peixe, os restaurantes. Aproveito o meu terraço em fins de dia bons, a fazer uma petiscada com o marido, a brincar com os gatos quando vão esticar-se ao sol, a beber uma água com gás, a ler.
Ontem fui finalmente de saco de praia preparado para me estender na areia. Saí da zona de conforto porque fui sozinha. Ultrapassei um bocadinho a resistência de vestir simplesmente o biquíni e ir, cagando na barriga pochete ou nos kilos a mais (eu sei, medo do julgamento alheio, quando eu sou a primeira a julgar-me com os filtros do que consideram padrão de beleza, para chegar à conclusão que: não sou assim tão importante, que fique tudo a olhar para mim quando passo e a julgar-me pelo corpo). Sobrevivi. E o que me soube melhor? Ter lido muito (um livro de fio a pavio e mais de metade de outro), ter estado só deitada, a ouvir o som do mar, de olhos fechados, a isolar todos os outros ruídos para focar só no som das ondas. Som esse que todas as noites ouça da minha varanda... enquanto inspiro devagarinho o cheiro da maresia. E quando me apeteceu, voltei a casa e continuei a sessão de leitura no terraço. Ah, isto sim, são os privilégios de morar na praia. Porque ir à praia de saco às costas qualquer um vai. Ter a praia ao pé de casa, quase como se fosse o quintal, ouvir todas as noites o mar, sentir todos os dias o cheiro a maresia, sim, também levar com a humidade própria de quem mora junto ao mar, faz parte, estar a 5/10 minutos (se tanto) de casa num raio de cerca de 4 km (perímetro da localidade onde moro, com mar de um lado e Ria do outro), ter peixe fresco todos os dias no mercado, entre outras coisas. Tudo isto vale-me muito mais do que o estender-me na toalha, ora vira para cima, ora vira para baixo.
Deixarei para outro dia a partilha destas leituras, até porque uma ainda se encontra em curso. Há algum tempo que um livro não me agarrava assim tão envolvida e sôfrega, para ler mais de metade de uma assentada.
Estou naquela altura do ano em que "deprimo" a ver as redes sociais.
Época de férias para muitos, o tempo tem estado extraordinário para praia (até para as praias no norte) e eu aqui a definhar entre o horário de entrada e o de saída.
Evito redes sociais. Não me apetece levar com as fotos das férias, pés na areia, corpos na piscina, vida em pausa para o merecido descanso. Bate a inveja por estar fechada no gabinete, a ver o verão pela janela.
Depois penso que eu gosto de gozar as férias "grandes" no final do verão, quando já todos foram e voltaram e estão a deprimir com o pós férias... nessa altura vou eu meter nojo
Portanto, as minhas férias "grandes" estão marcadas para o final do verão. É esperar um pouco, que há-de chegar a minha vez. Até lá, usufruir o possível e não abrir redes sociais, para não ser acometida por invejite.
Curiosidade: exatamente há um ano atrás estava eu de férias, excecionalmente cedo, por motivos de mudança de emprego. E, caneco, que apanhei tempo fresco e chuva.
E já agora, para terminar a divação, já elegi o gelado verão 2025. Normalmente é um dos Magnum de edição especial. Só que este ano, o special one é... rufos... Perna de Pau Cone (ou corneto de perna de pau, como lhe chamo). E agora marchava um... assim a olhar pela janela, por cima do monitor do computador.
Sinto o verão a despedir-se , quando na verdade pouco o senti. A expectativa criada pela informação que preconizava o verão mais quente dos últimos anos saiu defraudada. Ou então é só e apenas impressão minha.
Este ano as férias de verão começaram na primavera, que se despediu chuvosa. Mudanças profissionais assim o ditaram. Nota para o futuro: fazer férias em junho é uma treta.
Consegui, ainda assim, aproveitar uns dias de sol, passei uns dias de descanso naquele que se tornou o meu refúgio para aquela pausa de dolce fare nienti, entre mergulhos, leituras e petiscos.
Li três livros nessa semana. Dormi sestas ao som das ondas. Também apanhei uma alergia qualquer na pele que me fez ficar dois dias debaixo de sombra. Fiz o reset possível para o regresso a casa e o início de uma nova etapa profissional.
Quase dois meses depois do início desta nova jornada, sinto-me bem, confiante, segura, como há muito não me sentia no sítio onde estava há mais de 10 anos. Sinto-me integrada na equipa, a aprender muito e também a contribuir com as ferramentas que a minha experiência e conhecimento me dá. Dois meses que mais parecem seis, pelo menos.
A expectativa de neste verão poder gozar do privilégio de morar na praia (quase há um ano) saiu um bocado ao lado. Durante a semana calor e sol, ao fim de semana frio e tempo encoberto. Em agosto consegui ir três horas estender a toalha à praia, a um domingo. E soube maravilhosamente bem tomar o pequeno almoço, sair de casa e ir tomar café à esplanada frente ao mar, descer para a praia, esticar os presuntos ao sol, voltar a casa e fazer um churrasco no terraço para um almoço tardio, ficar o resto da tarde a vegetar em casa. Também sabe bem, nos dias em que consigo sair cedo, chegar a casa por volta das 18h, com sol e calor para aproveitar o fim de tarde na esplanada. Quando está sol. Muitos dias deste verão foram marcados por neblinas e céu encoberto ao fim de tarde, muita humidade no ar, que mais parecia estar a chuviscar, e um ventinho, daqueles fresquinhos e desagradáveis. Nesses dias, e foram muitos, lá se ia o estar de papo para o ar na esplanada, numa espécie de happy hour após um dia de trabalho.
Carpe diem. Aproveitar o dia e o que é possível. Na verdade, o problema é criar expectativas. Quando não as há, aproveita-se o momento com maior leveza e entrega.
Sobre a experiência de morar na praia, vou deixar a partilha para outro dia, quem sabe em breve, em jeito de assinalar a data em que oficialmente passei para a nova morada, com o mar ao fundo da rua.
Agosto vai a meio e hoje é aquele difícil dia de regresso à rotina depois das férias. Na vida de adulto duas semanas de férias são quase uma eternidade. Quem tira três semanas seguidas deve ser a "loucura".
As férias foram muito boas. Chego ao fim das férias com esta sensação de leveza e plenitude. Mais. De estar a fazer as pazes com o mês de agosto, que nos últimos anos não tem sido meigo comigo.
Em 2020 agosto começou com morte: o meu pai partiu.
Em 2021 agosto terminou com outra morte: o meu relacionamento acabou de forma extremamente dolorosa.
Os lutos que tive de viver foram de uma dor atroz. E leva tempo para reerguer desse sofrimento e transmutar a dor que se sente.
Agosto de 2022 traz alguma tranquilidade. Pelas boas memórias criadas nestas férias, pela leveza dos dias vividos e aproveitados. Pelos banhos de mar, pelos petiscos, pelos passeios a descobrir novas paisagens e lugares. Tranquilidade neste viver devagar, aproveitar as pequenas coisas como uma boa noite de sono, sentir o sol na pele, o mergulho nas ondas do mar, o petisco na esplanada, o livro. Aproveitar a companhia, beijar e abraçar, rir, conversar, ser vulnerável e permitir-me pedir ao outro o que preciso. Mesmo quando vem a dor despertada por um qualquer gatilho emocional, respirar fundo e voltar ao presente. Com uma mão que se estende num abraço e me resgata para este presente. Está tudo bem. Eu estou bem. Nós estamos bem. Continuemos.
Espero chegar ao fim do mês de agosto e olhar para o último ano com a mesma tranquilidade e serenidade. Fechar o mês pacificada. E sempre grata. Até pela dor que me atravessou e me rasgou até às profundezas do meu ser. Foi essa dor que me fez crescer, amadurecer e transformar-me.
Aos agostos do passado, obrigada. Ao agosto presente, obrigada.
Na segunda quinzena de julho, depois de ler O Boneco de Neve, escolhi outro thriller de uma autora de quem já tinha lido um livro.
A Mulher Desaparecida, de Sara Blaedel (considerada a rainha dinamarquesa do thriller?) é um thriller razoável. Faz lembrar um episódio de uma série policial, onde investigação de um crime se mistura com a vida pessoal dos protagonistas. Não foi mau, mas também não foi nada que me causasse aquela sensação de wow, por esta é que eu não esperava.
O enredo está bem construído, a determinada altura há ali um pequeno twist, bem conseguido por sinal, que conduz à revelação do assassino. O contexto da trama é um tema polémico que volta e meia está na ordem do dia da discussão pública: o direito à eutanásia. Tema que poderia ter sido melhor explorado, na minha opinião. O assassino não é um cruel e impiedoso serial killer ou psicopata, é antes um assassino passional, pois move-o um sentimento (irracional) de vingança provocado pela dolorosa perda de uma pessoa que muito amava.
Tem uma escrita fluída, não se perde em muitos detalhes e pormenores, conduz bem a narrativa, e sim, vale a pena ler. Da mesma autora já tinha lido Raparigas Esquecidas que, mais uma vez, não sendo um thriller inesquecível, também não é daqueles que considero pura perda de tempo.
Se vou ler as outras obras da autora? Provavelmente. Pelas sinopses, a personagem protagonista é um investigadora policial, portanto estamos perante uma saga (espécie de série policial), o que não me desagrada de todo. Como thrillers, pelos menos os dois que li, pode-se dizer que são relativamente softs. Não são daqueles quebra cabeças, constantemente a mudar a direção das pistas, e por conseguinte, dos suspeitos. Por vezes também é bom ler algo mais policial e menos profiler. Eu, pessoalmente, gosto dos mais complexos, que envolvem perfis psicológicos, uma caça a um criminoso que pode ser qualquer um, pois as pistas estão em constante mudança de direção. E obviamente gosto de ser surpreendida no fim, embora também me sinta toda contente quando "descubro" quem é o assassino.
Bem, não consegui acabar de ler antes de ir de férias, pelo que ainda me acompanhou na mala de viagem. Acabei de o ler em viagem (sim, eu leio no carro e sem qualquer "problema", há quem não consiga, a mim não me faz confusão).
Para as férias tinha escolhido o Kafka à Beira-Mar, versão livro de bolso que comprei por uma pechincha na Feira do Livro.
Ora, este livro andou nas bocas do povo há uns bons tempos. Ficou-me na ideia um dia lê-lo. Deixei passar a febre. Haruki Murakami é um aclamado e consagrado escritor da atualidade. Iniciei-me agora na sua obra. E não, não me seduziu. Aborrecido. Tanto que cheguei a adormecer na praia com o livro aberto em cima da barriga (e fiquei um dia com a marca de um quadrado, coisa linda, sóquenão). Esmiuçando, a história tem tanto potencial, mas perde-se em tanta fantasia, o que é sonho, realidade, universos paralelos (e sei que é cultura oriental esta história de projeção de espírito e cenas que tais). Houve umas quantas histórias que ficaram sem um fim, uma resposta, por exemplo, o que aconteceu com aquele grupo de crianças e porque ficou Nakata assim? E aquela história que a professora conta, e fica ali um capítulo solto, sem qualquer ligação, explicação ou lógica, sem acrescentar mais valia no enredo geral. A velhinha história da transição entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Há ali, em termos estruturais, a recriação do que seria uma tragédia grega, as profecias, a fatalidade do destino, do qual não se pode fugir, há na voz de uma das personagens, Oshima (muito interessante, por acaso), aquilo que seria o coro da tragédia grega, a voz da razão, da consciência, da sabedoria. A voz que avisa das consequências das ações e escolhas, e tenta mostrar o melhor caminho a seguir, sendo que a decisão de acatar ou não o conselho é sempre do outro.
Há partes interessantes no livro. Reflexões que nos ficam cá dentro, nos ficam a martelar na cabeça. Há lições de vida que emergem das subtis entrelinhas dos relatos fantasiosos, onde é difícil distinguir o que é real do que é sonho.
Pode ser um tipo de escrita muito interessante para umas pessoas. A mim, confesso, não me prendeu. Aborreceu-me. Senti-me muitas vezes confusa nas várias histórias, nas passagens de tempo e realidades paralelas. Há personagens que são fascinantes pela sabedoria que apresentam, outras que dão ali um cunho mais comum, cómico, realista, há personagens sem interesse, como por exemplo, Saeki-san, que a dada altura parece ser o centro de todo o enredo, a origem das premonições e desgraças anunciadas, mas afinal é apenas um fantasma vivo, com uma história de amor, daquelas eternas e intemporais, que acabou de forma abrupta, mergulhando-a num sofrimento mais atroz que a própria morte.
O percurso de Kafka Tamura faz-me lembrar a viagem de Dante ao inferno. E talvez, no meio deste enredo tão complexo e cheio de artifícios, seja exatamente isto: a viagem de um adolescente de 15 anos em busca de si mesmo, um adolescente que se sente sozinho no mundo, abandonado pela mãe e rejeitado pelo pai.
E pouco mais tenho a dizer. Efetivamente, a escrita de Murakami não me seduziu ou conquistou por aí além. Não sei se darei outra oportunidade, porque até estou minimamente curiosa com o 1Q84. Talvez. Mas não já.
E isto porque o sexto volume da saga Sebastian Bergman só será lançado a 3 de setembro. Sim, já está encomendado. Portanto, enquanto chega e não chega, vou entreter-me com um romance histórico.
Nota: decidi, sei lá que raio de bicho me mordeu, abir conta no Goodreads. Tenho estado a adicionar os livros que tenho na estante e já li. Mas há tantos que eram do meu pai e com ele ficaram, outros que me foram emprestados, outros lidos da biblioteca da escola. Vai ser impossível registar a totalidade de leituras da minha vida. Ainda ando a explorar a aplicação. Ainda estou na fase do "não percebo nada disto, para que raio estou a ter este trabalhão?". Mas pronto, agora que comecei e estou quase, quase a ter em dia, pelo menos a estante de casa, não vou desistir. Seria morrer na praia.
Para começar, sim, usei-os, uma vez cada um nas férias a sul. Sim, senti-me super bem com eles. Mas também estava confortável com os biquínis, pelo que acabaram por ser a escolha na maior parte dos dias. Não senti mais calor com eles vestidos, e até davam imenso jeito para entrar na água, porque minimizavam o impacto naquela zona crítica, ali da barriga, depois de estar a tostar ao sol levar com água fresca
Ora de regresso às praias locais, aí vou eu de fato de banho e uma triste e desagradável surpresa: o fecho de encaixe atrás partiu. Eh pá fiquei danada e podre da vida. Era a segunda vez que vestia o fato de banho (o azul e rosa com o nó no peito), ainda por cima o meu preferido, e não é de todo aceitável que um fato de banho de 40€ (bem sei que há mais caros), de uma marca com nome no mercado, ficasse assim inutilizado por partir a peça do encaixe do fecho.
Fiz a compra em maio. Obviamente já não tinha talão. Pensei e repensei se valia a pena ir à loja. Decidi que sim. O "não podemos fazer nada" estava garantido, pelo que, e sem intenção de ir armar peixeirada, ia simplesmente demonstrar o meu desagrado perante a situação. Não é um fato de banho comprado ali na loja dos chineses por 10€.
Fui verdadeiramente surpreendida. Primeiro, agradeço ao universo ter-me posto aquela assistente de loja à frente. Super simpática, prestável, explicou que pelo cartão cliente não têm acesso ao histórico de compras, mas se eu sabia o dia exato da compra, ela pediria o relatório de vendas desse dia, acederia à minha compra e poderia registar uma troca. Comentou que, em fatos de banho era o primeiro, mas em biquínis têm tido devoluções pelo mesmo motivo, pelo que é óbvio que a marca deve repensar os acessórios que aplica nos seus artigos de banho. Perguntou-me se queria trocar por um igual. Fui sincera: adoro o fato de banho, mas para levar igual e voltar a acontecer, se puder então trocar prefiro outro. Sem problema. Escolhi outro, mas de apertar com laçada (não me voltam a apanhar com aqueles fechos de encaixe em plástico). Só havia o S disponível, tive receio que não me servisse, já que os outros eram M, mas serviu (lá está, apertar com laçada torna o fato de banho mais ajustável).
Estava eu, além de surpreendida, toda satisfeita da vida por me trocarem o fato de banho (embora tenha pena porque o outro ficava-me mesmo bem), quando a menina ainda me diz: ah, mas vai ter de escolher outra coisa, senão fica no prejuízo, porque o preço deste que vai levar fica abaixo do que pagou pelo outro. Eu ainda disse que não fazia mal, prejuízo era ficar com um fato de banho inutilizado e usado apenas duas vezes. Insistiu que não, que em sistema a troca tinha de ser feita pelo mesmo valor, portanto (e porque estamos em saldos e o fato de banho que escolhi está com um preço para além de extraordinário, 18,99€, quando o preço original era 39,99€), tinha até X€ para escolher artigos. Andei lá de volta dos vestidos de praia e trouxe dois:
O azul com os pompons já não se encontra no site.
E pronto, para quem estava numa de vai, não vai, não vai valer de nada, acabou por ir e ficar bastante surpreendida com o serviço pós-venda. Assim se conquista e fideliza um cliente, em vez de o perder por falta de qualidade em artigos, cujo preço não é assim tão barato para que tenha este tipo de problemas.
Agora venham mais fins de semana de sol e calor para eu usar e abusar (abusar já fica para o ano) destes novos mimos.
Entretanto, e porque reformei dois biquínis que me estavam um tanto ou quanto desconfortáveis no peito, fiquei apenas com um estampado, cuja parte de cima tanto uso com a tanga igual como com uma azul escura, e comprei uma parte de cima amarela para conjugar com a tanga preta e a tanga azul escura.
Posso começar as férias outra vez?!
A verdade é que é nesta altura de fim de saldos que se encontram bons preços e vale a pena investir.
Nesta história toda, dentro do azar tive sorte, que um fato de banho novo estragado rendeu-me três peças novas.
Moral da história: o "não" está garantido, portanto, é perder a vergonha, não dar como certo que não vão resolver nada e ainda vão gozar com a nossa cara, e ir. É que podemos estar redondamente enganados, e o serviço pós-venda ser cinco estrelas e resolver, da melhor maneira possível, o problema do cliente.
Duas semanas e meia pareciam uma eternidade de férias, assim quase quase como os três meses de férias dos idos tempos de escola, que eram sempre uma seca descomunal (ohhhhhh que burros que somos quando jovens inocentes).
Duas semanas e meia voaram. E no entanto deu para tanto e para tão pouco (ou é aquele gostinho do quero mais).
Kms percorridos, reencontros e abraços, banhos de mar, modo frango de churrasco na toalha, vira para um lado, vira para o outro. Ler, dormir, namorar, passear, petiscar, caminhar, sentir a brisa, o cheiro a maresia entranhado na pele. Sem relógio, sem maquilhagem, sem roupas muito aprumadas, sem mil tralhas na carteira (afinal nem são assim tão essenciais para andarem comigo todos os restantes dias do ano), cabelo em desalinho (mais que o normal). A vida de chinelo no pé ou pé descalço na areia assenta-me tão bem.
Contemplei o mar sem me cansar. Como se ele fosse um espelho da minha alma: um longo e cristalino horizonte de água e luz. Sereno. Encontrei o meu equilíbrio, que tanto me tem faltado este ano. A sensação de paz e sossego depois de uma longa tempestade.
Dentro de horas toca o despertador. Volta a tirania dos dias, dos horários, das rotinas, das tarefas, das pessoas que me sugam a energia positiva (e a paciência).
Afastei de mim aquela aura negra. E espero, sincera e verdadeiramente, que ela não volte. Que eu tenha a coragem e sabedoria necessárias para a afastar. Relativizar, não dar importância a pessoas e atitudes mesquinhas, hipócritas. Que eu consiga manter-me a uma distância de segurança dos problemas dos outros, para que não tenha de carregar o mundo deles nos meus ombros. Estarei aqui para quem merece toda a minha dedicação e estima, mas terei de aprender a não absorver tanto os dramas e problemas dos outros. Posso ouvir, comentar, dar opinião, se ma pedirem. Mas não posso mais, de forma alguma, carregar o mundo dos outros como se meu fosse.
Quero lembrar-me da leveza e enorme harmonia que senti quanto contemplei o horizonte do mar, respirei fundo a sua brisa, e deixei-me embalar no som das ondas. Quero lembrar-me da leveza que senti quando, dentro de água, me deixava enlevar no vai e vem da ondulação, sentindo o sol e a água em simultâneo no corpo.
Quero que esta leveza fique dentro de mim.
Preparada para regressar ao trabalho? Ao trabalho sim, que não é o trabalho que me causa stress. São as pessoas, a luta de egos, a forma como se descartam problemas para os outros até que haja alguém que resolva. A responsabilidade que tenho nas funções que desempenho por um ordenado totalmente desadequado. Ficar a saber de quem teve progressões e aumentos salariais e ficar com aquele ar de ingénua, como se fosse o mérito reconhecido, o trabalho, esforço e dedicação. Não. É quem lambe melhor as botas. Quem sabe cair nas graças das pessoas certas e com poderes para...
Respira. Inspira. Sente a brisa do mar. O som ao fundo das ondas. A maresia que trazes entranhada na pele. Faz o que te compete, o melhor que sabes, para que no final do dia venhas de consciência tranquila: o que era da tua responsabilidade ficou feito.
E é neste mantra que me estou a concentrar para não estar já com um ataque de ansiedade, com um nó no estômago, porque vou regressar e vou voltar a ter de trabalhar com pessoas que afetam negativamente. E é porque eu deixo. Eu sei. É o desafio, agora que me sinto rejuvenescida e com novas energias recarregadas: não permitir que me afetem. Só têm a importância que eu lhes dou.
E para que o primeiro dia não custe assim tanto, já combinei com uma colega/amiga irmos almoçar. Também ela regressa amanhã das férias. Nem tudo é mau, e regressar implica rever pessoas que me são queridas, de quem tenho saudades e com quem quero partilhar esta boa vibe das férias. É isto que tenho de valorizar.
Manter o foco para ser mais positiva e feliz no trabalho (algumas dicas disponíveis ao clicar na imagem).
Corria o ano de 2016 quando regressei, depois de muitos anos, ao Algarve e com ele fiz as pazes. Para quem quiser recordar, aqui está o primeiro volume
Este ano a decisão foi assim quase de última hora. Estávamos em maio (pelo que me lembro) e não havia ideias para férias, exceptuando a visita do ano aos nossos amigos no nosso Alentejo do , Redondo city. Ainda mais este ano era o ano das famosas Ruas Floridas, portanto um motivo acrescido para não faltar.
Só que, havia cá dentro qualquer coisa que me fazia querer outro sítio. Um sítio onde pudesse estar eu, estarmos nós, depois dos meses intragáveis que temos tido e merecíamos um descanso, um tempo para nós. Lembrei-me de regressar a Cabanas de Tavira, já que temos a possibilidade de alojamento "amigo" da carteira, e foi um sítio que adorámos. Aquela história do "não se deve voltar aos lugares onde já fomos felizes"? Caguem nisso e voltem. As vezes que quiserem.
Sorte das sortes a semana que pretendíamos ainda estava vaga a casa, portanto agradeci ao universo estar do meu lado para ter as minhas merecidas e retemperadoras férias.
Uns dias antes das férias, um susto. Aliás, dois grandes sustos que nos fizeram ponderar não ir, cancelar tudo e ficar em casa. A sogra no espaço de 48h teve duas crises cardíacas. Literalmente o batimento estava ao rubro, no primeiro dia a 180, no segundo a 190. Ela é doente cardíaca. Reformou-se inclusivamente por causa disso. Toma diarimanente medicação e tem desde que lhe foi diagnosticado o problema recomendações para: não se cansar, não se cansar, não se enervar, não se enervar, NÃO SE ENERVAR.
Ora, nervos é o nome do meio da sô dona sogra, e sinceramente não sei bem em que coisas anda a cismar que tanto a afligem. Confessou que não dormia bem há algumas semanas, que se sentia ofegante constantemente, que só de subir a escada ficava com os bofes de fora.
Foram muitas horas nas urgências, exames, desfibrilador para regular o batimento (e eu a achar que isto só era usado quando o coração estava a parar), no primeiro dia veio para casa com as recomendações do costume. 48h depois veio para casa com Xanax. Ou acalmas ou acalmas.
Passámos o resto da semana neste vai não vai de férias, que isto de estar a muitos kms de distância e acontecer mais um episódio destes é coisa para não nos deixar ir sossegados e ter de vir embora num ápice. Ela, à força do Xanax, lá acalmou. E depois de falar com a irmã do Gandhe, ela estaria de férias e viria para cá ficar uns dias com a mãe (meramente prevenção) e assim podíamos ir descansados. Acabou por não acontecer, não sei se foi a sô dona sogra que não quis que a filha viesse "tomar conta dela", ou se foi a filha que desistiu da ideia. Acabou por correr tudo bem, nós íamos ligando praticamente todos os dias e ela estava bem e andava entretida com (mais) dois gatinhos bebés que tem, até nos pediu ajuda para batizar um deles, levou-os ao veterinário, e tem sido uma companhia e uma diversão para ela, já que os dois pequenos só fazem tropolias.
Eu só entrei de férias dia 1, Gandhe dia 2. Pelo que rumámos ao Alentejo no fim-de-semana antes de descer para Cabanas. Uma visita rápida, mas que encheu o coração com aquele abraço forte, pôr a maior parte da conversa em dia e poder descontrair com amigos.
Enfim, descemos mais para sul e rumámos ao nosso destino já conhecido: Cabanas de Tavira.
Ah e tal a Pipoca também lá esteve. Pois, só vi fotos no Instagram e gráçadeus não devia lá estar quando eu estive, porque aquilo é um meio pequeno e não me cruzei com a vedeta. A menos que só lá tenha ido para a sessão fotográfica e aqueles textos (já repararam que sempre que fala de um sítio ou de um produto/marca, é desde pequenina?) altamente idílicos e saudosistas. Se a memória não me atraiçoa, há uns anos li um texto em que descrevia as suas memórias de menina e adolescente que ia dois meses para Manta Rota, onde os pais têm casa, e era uma seca, mas agora, na vida adulta adora lá voltar e mimimimi. Ok, Manta Rota é lá "ao lado". Mas este ano a ladaínha foi sobre as memórias de Cabanas de Tavira e Cacela Velha e mimimimi.
Não vou descrever a experiência de Cabanas porque foi em tudo semelhante a 2016 (link em cima). Continua igual a si própria, e eu senti-me em casa. Este ano o pretendido era descansar e reduzir os dias ao mínimo indispensável, pelo que não houve grandes passeios ou explorações por novos sítios. Houve uma tarde que se levantou muito vento na praia de Cabanas e viemos embora mais cedo, fomos dar uma volta e acabámos em Monte Gordo, numa esplanada na praia. Não gostei. Muito grande, muita gente, demasiado turístico. Outra vez fomos à noite até Vila Real de Santo António (sim, fomos abastecer o carro a Espanha para a viagem de regresso, e isto foi a meio da semana, a corrida aos combustíveis, com jerricãs e tudo, já era tal que o senhor do posto de combustível, se calhar a estranhar só termos posto 40€, também ainda tínhamos combustível, não seria o suficiente para a viagem de regresso, perguntou se a greve em Portugal já tinha começado. Mas não. Eram só os atrasados mentais do costume).
Vila Real de Santo António pareceu-me uma cidade muito bonita para se visitar, e ainda não foi desta que fui a Castro Marim e ao seu magnífico castelo (fica para visitas futuras).
Como estava a dizer, reduzimos os nossos dias ao mínimo: comer, dormir, descansar, namorar, caminhar na praia, dormir a sesta ao sol feita lagartixa, mergulhos naquele mar verde absolutamente deslumbrante. Chegar a casa ao fim da tarde e desfrutar de umas minis e de uma empalhada (cá no norte é uma mix de amendoins, tremoços e pode também levar azeitonas), depois fazer uns grelhadinhos com salada, lambrusco fresquinho, comer ao ar livre todos os dias, num bairro que, apesar de ter alguns moradores permanentes, é essencialmente de turistas e é tão, mas tão sossegado que até os "vizinhos" do lado só víamos de passagem, porque em casa passávamos a vida no terraço e víamo-los a passar (chegar ou sair). À noite descer a avenida até cá abaixo, procurar, sem dificuldade, um lugarzinho numa esplanada, desfrutar da Ria Formosa, do café e caipirinhas (descobrimos um sítio com caipirinhas a 4,50€). Ficar a ver os turistas a passar, famílias com crianças, muitas pessoas com animais (o que achei o máximo, porque há esperança que a mentalidade esteja a mudar e as pessoas já se preocupam em levar os seus animais com elas de férias). Era à noite que encontrávamos mais pessoas, mas mesmo assim, nada que nos fizesse sentir no meio de uma multidão. Arranjávamos lugar numa esplanada facilmente, passeávamos calmamente sem encontrões nem nada parecido.
Muitos portugueses, ingleses e franceses. Foram as nacionalidades que mais encontrei.
Felizmente este ano já havia na praia de Cabanas (que é uma ilha) bolas de berlim com creme. Foi a novidade deste ano.
O resto seria repetir o que já escrevi em 2016. Deixo algumas fotos. Não tirei assim muitas, preferi dedicar-me muito mais a viver e sentir o ambiente, respirar aquele ar, sentir a areia nos pés, a brisa no rosto, envolver-me na água do mar e deixar fluir. Encontrei a minha paz interior, encontrei o meu equilíbrio. Desliguei como eu tanto precisava e carreguei a alma com boas energias, com muita luz e sabor a sal na pele. Chinelo no pé e roupa leve. Dias simples, descomplicados, sem horários (nem relógio levei, ok, tinha o do telemóvel, mas era raro pegar nele para ver as horas). E senti-me tão leve, livre, feliz.