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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

29
Mar21

...

E de repente passou outro mês, daqui a nada é abril e não sei para onde o tempo se esvai.

Contraditória esta sensação, já que se vive um novo confinamento e a vida (alegadamente) abranda.

Sabem aquela palavrinha que está muito na moda, burnout? Pois... foi o que tive há algumas semanas atrás. Bati no fundo e a vida tirou-me o chão debaixo dos pés. Aquilo que eu tinha como seguro, os meus alicerces e fundações inabaláveis, abalaram e tremeram, quase ruíram. Quase. 

Aprendi tanta coisa em pouco dias. Aprendi com dor e angústia. Dores de crescimento, chamam-lhe. Crise. A crise é o motor da mudança. Da evolução. Da transformação. Aprendi que eu tenho de ser a primeira a mudar. Se eu mudo, o outro muda. A vida muda. Passei demasiado tempo a querer que o outro mudasse. A exigir aquilo que eu própria não dava nem fazia. Que rica moral?! Conseguir olhar-me com clareza e perceber o quão tóxica tenho sido. Qual a opção? Vitimizar-me no papel da coitadinha ou fazer melhor, ser melhor? Procurar dentro de mim o meu melhor? Descobri que viver em amor é o caminho para ser feliz, e esse amor começa pelo amor próprio. Que não tinha. Não sentia. Não alimentava. Como esperar ser amada por outras pessoas se eu, eu própria, não me amo? 

Esta coisa da terapia, do autoconhecimento, do amor próprio tem sido uma jornada do caraças! Tem mexido com muita coisa. Demasiadas coisas que atirei para debaixo do tapete e esperei que o tempo as levasse, a vida as esquecesse. Ingenuidade. Tenho tomado uma consciência (que não tinha) do que sou, do que faço, por quê. Descobri que sou forte, muito forte. Que houve os momentos em que a vida não me deu outra alternativa que não fosse o ser forte. E caramba, é bom! Eu sou capaz! Eu consigo! E o mais poderoso que pude sentir nos últimos tempos foi este grito do EU POSSO E MEREÇO!! Porque nunca acreditei que eu merecia. Permiti que me fizessem acreditar nisso. Eu não merecia.  

Dói mexer nestas mágoas que guardo como se fossem o meu ADN. Tenho de as enfrentar. E libertar. Porque não me servem mais. São estas emoções negativas que preciso descartar, largar, soltar, deixar ir. E encontrar forma de perdoar quem me fez sofrer tanto. Porque é esse o passaporte para a libertação: o perdão.

Não sei ainda como o conseguirei. Há mágoas muito profundas. E que tenho andado a protelar enfrentar, mexer, dissecar. Olho pelo canto do olho para os exercícios de psicoterapia que tenho para fazer. Fecho os olhos e respiro fundo. Não quero. Não agora. Não hoje. E os dias passam. E nunca é o dia. Agora mesmo escrevo no blog em vez de estar sentada com o caderno à frente. Sou só eu e um caderno, que tem isso de assustador? Sou eu a ir dentro de mim, ao mais fundo de mim resgatar as histórias do passado, soltar as emoções, chorar o que tiver de chorar, e, por fim, soltar e deixar ir. E, foda-se, que dói. 

02
Fev21

Seis meses... tanto e tão pouco.

Há seis meses atrás vi pela última vez o meu pai com vida. 

Dizer que estava vivo é quase um eufemismo. Estava ligado ao ventilador, com falência de vários órgãos e em coma induzido para estar "confortável". 

Recebi um telefonema para ir à UCI despedir-me dele. Em tempos de covid em que o acesso ao hospital esta(va) vedado, foi um gesto de cortesia e humanidade permitir que a família próxima pudesse ver o paciente.

Nem 24 horas depois informam-me do último suspiro. E caí por terra numa nova e assustadora realidade.

Estes seis meses pareceram uma eternidade e simultaneamente passaram a voar. Tanta coisa que me caiu nas mãos e exigiu muito de mim. Tanto que procurei ajuda. E cá estou eu, passito a passito, num percurso de autodesenvolvimento, de amor próprio, de aprender a gerir emoções e a fazer um luto extremamente difícil, a aprender a perdoar e a deixar ir todas as culpas que carreguei a vida toda. 

Nas últimas semanas tive uma espécie de retrocesso. Deixei-me dominar por sentimentos como raiva, revolta e frustração. Uma maior consicência das emoções e algum knowhow de como as trabalhar permitiram-me gerir esta situação de crise de forma mais equilibrada, sem cair no abismo.

Ontem tive sessão de terapia e com muito orgulho da minha evolução e crescimento, da minha maior consciência e maturidade, permiti-me uma palmadinha nas costas pelo bom trabalho. Estou no caminho certo. Mesmo que por vezes tenha de dar alguns passos atrás. 

 

15
Jan21

Ao 15º dia do ano 2021

Dada a situação pandémica que se vive há quase um ano, a passagem de ano, à semelhança do Natal, foi a dois, em casa, com os gatos todos refastelados na manta quentinha do sofá. Nesta passagem de ano pude testar uma das melhores teorias relativas à cor da cueca a usar na passagem de ano. A teoria do SEM CUECA.

Ao dia 15 de janeiro posso dizer: não tentem. Nem em casa, nem fora de casa. 

Então ao dia 15 de janeiro já somei uns quantos episódios insólitos, e dois destacam-se pela gravidade da coisa.

Um carro parado, assim, do nada, congelou ou o raio que o parta. Está há uma semana no mecânico e os prognósticos não abonam a favor da minha conta bancária.

Ontem, numa situação absurda, que por mais que tente perceber como aconteceu, não consigo atingir, deixei o dedo para trás quando fechei a porta do carro (estacionamento de um supermercado, estava a sair do carro de lado, mala numa mão, atenta para não esmurrar o carro encostado, fecho a porta de costas e deixei lá o dedo indicador... como não tinha ângulo para abrir a porta... puxei o dedo ). Foi unha fora, tenho uma micro fratura na ponta do dedo, vai ser tala durante 10 dias, curativos dia sim, dia não e agora toda uma logística que me faz sentir uma inválida para tomar banho ou fazer um xixi. 

De maneiras que no 15º dia do novo ano eu só me lembro desta imagem partilhada pela Desarrumada e não sei se ria ou chore. Dasssssss 

 

11
Jan21

Só mudou mesmo o ano...

Tudo aponta para que estejamos na iminência de novo confinamento geral. Tudo fechado. Tudo em casa.

Agora apontam-se dedos por causa das reuniões natalícias. Curioso. Nos dias que antecederam o natal, sentia o olhar de piedade quando respondia que o natal seria a dois, em casa, com os gatos. Enquanto via a azáfama dos planos para conseguirem ir à família de um lado e depois à do outro, ou outras pessoas a sacrificarem não estarem com familiares de um lado mas a não saberem dizer "não" a outros que insistiam, eu tranquila da minha vida a saber que o natal seria em paz e sem fretes, com a família que tenho todos os dias. Levei com olhares de pena. E tive de lidar com a piedade alheia quando por dentro rejubilava por ter um natal tranquilo, em paz, na minha casa, com a minha família de todos os dias. 

Agora trocam-se acusações como se uns fossem santos e outros pecadores. 

O que me aborrece no dia de hoje é ter-me visto obrigada a deslocar-me à extensão de saúde da minha área de residência, porque na semana passada, todos os dias, todos, liguei 5 a 6 vezes por dia e nunca, NUNCA me atenderam o telefone. Manifestei hoje a minha indignação. Não se admite, em tempos de pandemia, em que nos pedem (exigem) para não fazermos deslocações desnecessárias, as tenhamos que fazer porque não há uma alminha que atenda o raio do telefone para dar informações. 

Não é só a mentalidade das pessoas no geral, e das que quiseram um natal igual aos anos anteriores, que se enfiaram nos centros comerciais (eu também lá passei, apedrejem-me) ou que se juntaram com familiares que possivelmente não viram durante praticamente todo o ano. Há muita coisa a funcionar muito mal neste país, que 10 meses depois do início da pandemia ainda não aprendeu nem reajustou serviços à nova realidade. Andamos feitos tontos, ao sabor das marés, que pelo estado caótico da coisa, só podem ser marés vivas.

Estamos a um passo de novo confinamento geral. Lá terá de ser. Aguentemos. O lado bom? Já sabemos o que nos espera. E alguma coisa aprendemos com o confinamento anterior, como por exemplo, o papel higiénico não vai esgotar. 

 

26
Ago20

O texto que tenho adiado escrever...

Quem segue a Caixa no Instagram sabe o que aconteceu neste último mês. Sabe que há um mês comecei com obras em casa (pinturas de paredes e tetos com alguns arranjos de fissuras pelo meio). Sabe que há um mês o meu pai deu entrada no hospital e depois de uma semana excessivamente intensa a nível emocional, com as notícias dia após dia a conduzirem a um desfecho previsível, esperado mas que nada nos prepara para o derradeiro momento, aquele em que, depois de ter sido chamada ao hospital para me despedir dele, me comunicam que faleceu.

Continuo sem palavras para descrever o momento em que esta realidade se abateu sobre mim. Continuo sem perceber muito bem como me tenho mantido de pé a tratar de uma imensa burocracia que enerva, esgota a paciência, suga toda a energia que resta num momento destes.

As férias deixaram de ser férias para tratar de um funeral e desencadear uma série de processos em diversas entidades, processos que ainda decorrem, e ontem, mais um dia de férias queimado para ultimar burocracias, mas afinal ainda há mais uma declaração que é precisa para entregar nas Finanças e fazer uma adição ao imposto de selo e só depois, só depois é que pode voltar cá e prosseguir... e só para iniciar o processo desembolsa x, e desembolsa y e mais o caralhinho para tanto papel e selos timbrados e o raio que parta esta máquina burocrática que empata e entrava e chateia e nos suga vida e dinheiro. A sério que estamos no séc XXI, em plena era digital? A sério que, alegadamente, devido à pandemia, muitos serviços tiveram de agilizar procedimentos? Ah não. Isso era a expetativa. A realidade é que ainda estão mais bloqueados, difíceis de aceder e resolver de uma vez.

Poupo-vos detalhes, porque tudo isto ainda é uma ferida aberta e dolorosa. Recebo o embate da morte do meu pai e, com todas as vantagens e desvantagens que isso acarreta, sou única herdeira. Em cima de mim caem todas as decisões, responsabilidades, despesas. E isto de herdar propriedades é muito giro na boca do povinho ignorante que acha que agora devo ser uma espécie de condessa lá da terrinha. Eu só vejo dinheiro a sair da conta, tudo se paga, os impostos não esperam, os encargos com as propriedades também não e agora está tudo nos meus ombros.

Respiro fundo. Tudo se resolve. Não escolhi que isto acontecesse na minha vida. Aconteceu. Agora é lidar da melhor forma possível. Se haveria momento ideal para pôr em prática o que, também nesta altura, aprendi naquele desafio de auto coaching, que com tanto entusiasmo me inscrevi, foi este. Na semana do internamento e na semana em que faleceu, valeram-me as meditações diárias do desafio, cada dia com um tema a explorar num pre talking. Valeram-me esses momentos em que, durante cerca de 30 minutos por dia, eu estava comigo e a tratar de mim. Encontrei força onde não julgava haver. Mantive um equilíbrio quando achava que ia simplesmente colapsar.

Houve dias difíceis. Muito difíceis. Sei que os haverá. Ainda este fim de semana fui abaixo e andei a chorar descontroladamente com um sentimento de vazio, de estar sozinha no mundo, porque as pessoas que mais amei e de quem guardo as melhores memórias já se foram. Tal e qual como a casa que acabo de herdar, sinto-me vazia, abandonada. Morreram. Foram-se para sempre e não voltam. Ficam aquelas paredes repletas de anos de memórias e histórias de três gerações de uma família.

Houve um momento que me afastei das redes sociais no geral, de pessoas em particular. A silly season a decorrer, o Instagram repleto de fotos de férias, praias, piscinas, famílias, verão no seu esplendor e leveza que deixa as pessoas felizes. E eu a ter de lidar com a dor que a morte de alguém tão próximo deixa, aquele vazio que nada nem ninguém nunca preencherá, enredada numa teia de burocracia que estava a exigir demasiado de mim, a sugar-me a pouca energia que sentia. Houve dias que não atendi telemóvel nem respondi a mensagens. Agradeci ter pessoas preocupadas e a mostrarem todo o seu carinho e apoio. A seu tempo expliquei-lhes, desculpando-me, que precisava do meu tempo de sossego e solidão para carpir a dor, quando ao mesmo tempo a vida exigia demasiado de mim.

O tempo não cura. Acalma. Cicatriza.

Regressei ao trabalho e isso permitiu-me sentir de volta a vida como a conhecia, na sua normalidade que nos faz sentir numa zona de conforto. Voltei a sentir apetite e vontade de comer, voltei a ler, voltei a estar com as outras pessoas. Voltei à minha vida. Diferente. Eu e a vida.

Estou a voltar. Porque a vida continua e eu tenho de continuar. Por mim. Pela memória dos que partiram. Pelos que estão ao meu lado e foram excecionais neste momento tão difícil e doloroso da minha vida.

Estou a voltar. Aos poucos...

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14
Jul20

"Se eu consigo, vocês também conseguem"...

Só que não!

Não nos comparemos, e digo isto a mim própria, por que é tão fácil cair neste engodo das comparações, como se vidas, corpos, pessoas, sentimentos se pudessem comparar.

Na ordem do dia está a capa da Helena Coelho e a sua transformação. Quer ser inspiradora e é, e em simultâneo levanta aqui uma série de outras questões. E é normal que assim seja, são as duas faces da mesma moeda.

Debate-se se o objetivo de emagrecer para ser capa de revista é válido. Por mim é, como qualquer objetivo individual que apenas diz respeito a quem o decide e se esforça para o atingir. Esta é uma discussão um tanto ou quanto oca, tal como foi há uns anos uma blogger ter dito que o sonho dela era ter uma mala da Chanel. Cada um sonha com o que bem entende, cada um estabelece os seus objetivos pessoais e a isso chama-se aquela coisa fantástica que é a liberdade de escolha.

O busílis da questão reside no facto de ser uma figura dita pública, influencer neste novo mundo onde o digital ganhou tanta importância e visibilidade. E por isto eu compreendo argumentos que li a alertar para o risco de uma pessoa com cerca de meio milhão de seguidoras (considerando que o público alvo é maioritariamente feminino e entre os 20/30 anos) promover ideias de magreza como sinónimo de ser saudável, de ser magra para caber numas calças da secção infantil, como se fosse o grito do Ipiranga da moda, de passar a imagem que a sensualidade (o ser sexy) e felicidade da mulher passa por dedicar a vida ao culto do corpo, no matter what. Fica ali no limbo os possíveis comportamentos obsessivos e pouco saudáveis para atingir fins que são "questionáveis" e o perpetuar de um conjunto de ideias pré concebidas, como: o ser magra é ser linda e sexy, é ter saúde, é ser o exemplo de um estilo de vida e alimentação saudáveis. O resto não cabe aqui, logo é nocivo. A postura de proximidade que procuram ter com o público, porque se ela conseguiu qualquer pessoa consegue. Qualquer pessoa? Seja qual for a vida de cada um, horários, responsabilidades, disponibilidade e condições várias?

Não comparemos. A Joana Roque faz o seu meal prep, que tanta gente ambiciona, às segundas. Ora, uma grande maioria de nós às segundas está a enfrentar trânsito, transportes públicos, picar ponto, trabalhar horas a fio fora de casa. Quando chega o fim de semana há limpezas / arrumações, tratar de roupa, supermercado, e ainda tentar encontrar tempo para lazer e descanso.

A Helena Coelho trabalha no digital onde tudo se mostra e se exibe, e onde, obviamente, se procura mostrar e exibir o melhor, a sua melhor versão. Trabalhar o corpo para ser capa de revista e fazer a campanha dos biquínis faz parte do seu trabalho. Enquanto milhares de mulheres estão sentadas atrás de um computador, ou horas em pé atrás de um balcão de atendimento, ou seja qual for o seu trabalho que as limita a um espaço diminuto e a tarefas que não incluem exercício físico, Helena Coelho pode literalmente trabalhar o corpinho.

Não se fazem omeletes sem ovos. E não se pode proclamar aos quatro ventos que se a Helena Coelho, com a vida que tem e as condições que reúne consegue, outra mulher, daquelas que acorda às 6h30 enfrenta um dia com filhos, trabalho, tarefas domésticas, transportes, trânsito, muito tempo e energia despendidos para outras pessoas e outras tarefas que não passam por tratar de si próprias, também consegue. E já nem estou a entrar naquele campo minado de que cada corpo tem o seu próprio ritmo e características e, se umas para emagrecer basta deixarem de beber refrigerantes e comer pizzas para passar a comer mais saladas e beber mais água e chás e quiçá fazer umas caminhadas, para outras não é bem assim. E deste lado fala uma mulher que está em luta consigo própria e a tentar lidar com a frustração de ter alimentação saudável, exercício físico moderado e o corpo responder de forma oposta: engordo sem perceber porquê. Já fiz despiste em várias especialidades médicas, exames vários, e esbanjo saúde (e não sou magra com o estômago encostado às costas). Muito grata por isso. Agora o que vejo ao espelho não gosto e está a custar muito encaixar, work in progress. E independentemente dos filtros que até considero ter, é fodido levar com as Helenas Coelho deste mundo, que dão aquele ar que  tudo é tão fácil e simples como somar 2 + 2, como se aquilo que exibem fosse o pináculo da existência humana, o atingir o nirvana. E quem não consegue é uma preguiçosa que não mexe o rabo do sofá e não come o que devia.

Por analogia, nem todas temos as segundas feiras livres para nos dedicarmos ao meal prep da semana toda. E nem todos os corpos reagem da mesma maneira à alimentação ou ao exercício (sim gente, não é uma equação matemática com um resultado certo). É que esta aqui que vos escreve, durante a quarentena fez sessões diárias de 30 minutos de indoor cycling, e também fazia aulas de fitness pelo Youtube, e caminhadas e comia legumes e carnes brancas ou peixe, fruta como snacks em vez de bolachas e pão. And guess what? Engordei e ostento uns pneus que fazem uns rolinhos quando me sento. O drama que foi escolher entre fato de banho e biquíni quando, há dois fins de semana atrás, decidi começar a ir à praia. E por falar nisso, expliquem-me como raio é que o fato de banho (alegadamente) disfarça mais a barriga? Eu só me sinto uma grávida de 6 meses (sem o estar). Escolhi o biquíni e assumo os rolinhos. Eu disse, work in progress.

Parte do meu processo de aceitação está a passar pelo Yoga. Trabalhar de dentro para fora. E tem sido diário. às 6h30 acordo e os primeiros 30 minutos do meu dia são dedicados ao Yoga. Os rolinhos estão cá, bem como a celulite. Eu estou é a aprender a aceitar o que vejo ao espelho, agradecendo a bênção de ser saudável e tendo como objetivo, não o six pack, mas ultrapassar a ansiedade e stress que fazem estragos no meu organismo (e não só). Estou a aprender a viver com mais calma, aprender a respirar e a parar, olhar para dentro de mim e procurar equilíbrio e serenidade. E isso faz-me mais feliz que as costelas à mostra.

Só gostava era de sentir menos pressão por não caber nos estereótipos, gostava de não ter vergonha por vestir um biquíni e ficar de rolinhos à mostra, ou gostava de não ter de responder vezes sem conta que não, não estou grávida.

 

10
Jul20

Blackout

Olá, olá! Sim, ainda estou viva e de saúde.

Perdi a conta às vezes que abri o editor de texto e fiquei de olhar perdido na tela em branco. O desfecho era sempre o mesmo: fechar e sair.

Nos blogs estou apenas como espetedora, vou lendo, passando os olhos. No Instagram vou espreitando, publiquei uma ou outra coisa e saio de fininho.

Estou numa fase que me sinto esmagada. Os blogs andam um pouco esquecidos (faço parte desse grupo), poucas atualizações. É normal nesta altura de silly season. Até os canais de séries estão naquela altura que repetem pela milionésima vez temporadas e séries, filmes do tempo da Maria Cachucha (e o piadão que é ver um filme de natal em pleno verão, num dia de calor?). No entanto este "abandono" dos blogs vai além da silly season. É também motivado pela forte presença nas redes sociais, Instagram então está em alta. Publicações imediatas, rápidas visualizações sempre a somar, tudo muito rápido e instantâneo, muito mais visível para quem vive deste e neste mundo digital e das visualizações de conteúdos too fast and too furious... porque lá é tudo estupidamente rápido. Fazem exercício um mês e ficam com um six pack quase digno de Carolina Patrocínio. Começam a comer mais couves e espinafres, e a fazer pequenos almoços com as cenas instantâneas da Prozis e pum, esbanjam saúde e bem estar em corpos magros. Os saldos ainda mal começaram já compraram este mundo e o outro. Ainda há pouco se começou a desconfinar e já correram o país de lés a lés, já mostraram não sei quantos alojamentos perfeitos para férias em tempos de Covid, já jantaram em tantos restaurantes mega seguros em tempos de Covid.

Sim, tudo isto me esmaga na minha insignificância de comum e ordinário mortal que trabalha entre 8 a 10 horas por dia, acumula tarefas domésticas, porque se quero comer tenho de cozinhar, se quero casa limpa e arrumada, tenho de tratar disso, se quero roupa lavada para vestir, pois claro que também tenho de providenciar, porque ainda ninguém inventou uma App que faça isto tudo à distância de um click. E fazer contas, eu que detesto matemática, nunca foi a minha área de eleição, e agora conto euros e cêntimos, peço orçamentos e comparo preços, revejo planos e tenho de fazer escolhas e cedências. 

E sim, até sou uma gaja com filtros, que tem perfeita noção que as influencers do Instagram mostram uma realidade cheia de filtros, camadas de filtros, e até sei algumas curiosidades daquelas que me fazem pensar que os cabazes da Prozis e os trapos que recebem das marcas criadas pelas amigas influencers não pagam as contas da água ou luz ou gás, uma vergonha essas empresas de fornecimento de serviços não criarem parcerias

E não obstante os filtros que aplico, e até saber de fonte segura de alguns "podres" escondidos debaixo dos tapetes magníficos destas influencers de vidas perfeitas, sinto-me esmagada quando percorro redes sociais num momento que esperava que fosse de descontração e distração e levo com tanto exibicionismo e montras de vidas absolutamente fantásticas, felizes e perfeitas que ou desligo ou acabo esmagada como uma barata insignificante.

Olho o mundo em volta e acho que isto está em total descontrolo, um comboio de alta velocidade em vias de descarrilar. Subvertem-se valores, erguem-se bandeiras em lutas sociais que de luta social tem muito pouco, tudo é de um extremismo ofensivo que chegamos ao cúmulo de ter de apagar pedaços da história universal porque, nem sei porquê. Se temos muitos períodos da nossa História que, aos olhos de hoje, são vergonhosos? Sim. Mas a isso chama-se evolução. Sabemos o valor da paz depois de passar pela guerra. Sabemos o valor da vida humana depois de termos conhecido o seu total desrespeito (e aqui não faltam exemplos desde a antiguidade até aos dias de hoje). Sobre isto gostei muito do texto da Carmen Garcia no Público, Politicamente correto? Eu saio aqui.

E tudo isto, confesso, me tem afastado do blog, de escrever e partilhar fragmentos dos meus dias. Podia escrever sobre o meu regresso ao local de trabalho, da adaptação a esta nova realidade, daquilo a que já muitos de nós vão chamando "novo normal". Podia vir aqui partilhar as leituras ou outras banalidades de uma vida comum. Podia partilhar a experiência de regressar às aulas de dança, ou sobre a continuidade e evolução (gradual, passo a passo, com calma e muita paciência comigo mesma) na prática de yoga e o impacto que vou começando a sentir nos meus dias, na minha forma de estar. Podia... mas estou esmagada por esta wrecking ball chamada plataforma digital. Então anulo a minha presença, espreito fugazmente e viro costas. Vou viver a minha vidinha e está tudo bem assim.

 

14
Jun20

Hora de regressar

Três meses. Os últimos três meses foram um desafio constante, a vários níveis: pessoal, profissional, familiar, emocional.

Amanhã regresso ao local de trabalho. Amanhã retomo as aulas de dança. Quer um quer outro estarão diferentes dadas as circunstâncias, mas já se sabe que desde há três meses que o mundo tal como o conhecemos deu uma volta de 180º. As rotinas como as conhecíamos mudaram, sofreram ajustes, readaptaram-se aos novos tempos, às novas necessidades e cuidados.

Estou feliz por voltar.

Estar permanentemente em casa foi um desafio com altos e baixos, com pontos positivos e negativos, com vantagens e desvantagens. 

Agora é hora de regressar ao trabalho de uma forma mais próxima do normal que conhecia há três meses atrás e estou tranquila, aliviada e sedenta de voltar a pôr o pé no mundo lá fora e sentir que a minha casa é o meu ponto de refúgio e não a minha prisão. Voltar a ter este equilíbrio de ter os meus espaços devidamente separados: casa é casa, trabalho é trabalho. 

O que mudou nestes três meses?

Eu.

E como este caminho de transformação e autoconhecimento é difícil de fazer, tomei a difícil (para mim) decisão de procurar ajuda profissional. Já comecei a trilhar o caminho sozinha, com auxílio da prática de Yoga, de meditação. Quero mais, preciso de mais. Acima de tudo sei que preciso de ajuda e orientação neste percurso de autoconhecimento. Porque sei que será difícil, duro de enfrentar, duro de digerir... e por isso o tenho evitado e vou recorrendo a pensos rápidos para ir aguentando. Chega de pensos rápidos. 

O ano 2019 foi mau. Escrevi várias vezes sobre isso por aqui. 2020 chegou com a minha promessa de procurar a minha cura. Ironicamente um vírus atirou o mundo para um isolamento social e fez a vida parar. E se calhar era mesmo isso que precisava(mos). De parar. De ter tempo para olhar para dentro de mim, para a minha vida, sem interferências exteriores que servem sempre de desculpa para ligar o piloto automático, enfiar a cabeça na caixa de areia e deixar rolar porque tem de ser. Se quero mudar, tenho de fazer diferente. Se preciso de ajuda e orientação, então que seja. 

Coincidência ou não (eu acho que não), estou eu há duas semanas a dar os meus primeiros passos (pequeninos) neste processo de cura interior, de autoconhecimento, quando esbarro com uma página de Instagram e subsequentemente o canal de YouTube. E fico ali a explorar e a deixar-me envolver. Quis o acaso que me cruzasse com o que poderá ser a ajuda que preciso? Seja... vou embarcar neste desafio, nesta viagem. 

Respiro fundo. 

Amanhã será o dia de regressar ao mundo e sair desta bolha. Que seja a metáfora para um renascer, o primeiro dia de uma nova fase, uma fase de mudança. Espero que de conquistas também. 

 

17
Fev20

Ca put@ de neura

Uma pessoa anda na merda e tudo acontece. 

Não sei que raio se passou com a última coloração de cabelo, em três semanas tenho o cabelo às manchas e cor de rosa em alguns sítios. Tento arranjar vaga ASAP na cabeleireira... Tinha para dia 21, mas eu não posso que tenho uma consulta médica à hora da vaga. Ora então, só dia 26...  (lado positivo, se quiser posso fantasiar-me de Harley Quinn no Carnaval). 

Tenho manutenção das unhas esta quinta. O que acontece? Tenho a unha do polegar partida até meio (e usar collants está a ser uma verdadeira aventura). Ligo para a moça que me arranja as unhas, afinal eu já a desenrasquei outras vezes a trocar com outras clientes dela. Mas não. Não há vagas, não há trocas. Aguenta até quinta. 

Aquela merda da lei do retorno é um grande mito urbano, não é?! É que, foda-se, estou a colher o que outro cabrão qualquer andou a semear e meteu na minha conta, só pode!!!!

 

15
Jan20

...

A chuva voltou. O céu está cinza. A luz sombria. Sombria também eu estou. 

Algo incomoda-me. Aquele aperto no peito, uma sensação estranha, um arrepio. Um nó na garganta. Uma vontade de chorar, só porque sim. Para aliviar, talvez.

Coloquei os phones, ouço Hans Zimmer no Spotify e tento concentrar-me no trabalho. Contudo, este aperto não desaparece. 

Não sei se isto é uma das minhas fortes intuições (quase premonições), que ainda não consegui perceber, ou se será o início de uma crise de ansiedade (que já não tenho faz tempo)...

Vim aqui escrever numa tentativa de aliviar a pressão. As palavras saem-me sem sentido. E a sensação de aperto intensifica-se...

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