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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

03
Nov19

Altos e baixos, tempestades e previsões de bonança

Eu sei, eu sei, ando meia ausente, incerta por estes lados, e quando venho é quase sempre em lamúria por um ano fodido que está a ser 2019. E dizer fodido é ser simpática.

No entanto, e dando uma de Gustavo Santos, o guru dos clichés, eu posso não controlar o que acontece, mas está nas minhas mãos decidir que importância dou ou o que faço em relação ao que acontece. É o meu poder. E é um poder do caraças, digo-vos já. Por que isso implica tomar as rédeas da vida que é a minha e só minha, da pessoa que sou eu e cujo bem estar depende inteiramente de mim, e só de mim. 

2019.

Um ano marcado por falecimentos (a avó do Gandhe, o pai de uma amiga muito próxima, e o mais recente o meu avô paterno).

Um ano marcado por doenças graves de pessoas ou familiares de pessoas que me são próximas ou extremamente especiais para eu sentir a dor que elas sentem e estar aqui, muitas vezes sei lá como, para lhes dar o apoio que necessitam.

Um ano que, em pouco tempo, a mãe dele foi fonte de aflições e preocupações: primeiro teve um grave acidente de carro que nos deixou sem pinga de sangue, mas do qual saiu milagrosamente ilesa. Houve o prejuízo do carro, que foi para a sucata e, sem contar, teve de comprar outro. Do mal o menor.  Um tempo depois, e num espaço de 48h, duas crises cardíacas graves, muito graves, que nos deixaram literalmente de coração nas mãos e por pouco não suspendemos as férias de verão. Acabou tudo por correr bem, devidamente medicada e nós com olho atento,  tem estado tudo calmo. Por enquanto. Porque ela e o problema cardíaco que tem são uma bomba relógio.

Um ano marcado por constantes desavenças e desentendimentos com o Gandhe... o ano do nosso 15º aniversário (que por pouco nem lá se chegava) tem sido desgastante para ambos, temo-nos deixado levar por uma série de fatores externos, sinto que estamos a remar em direções opostas, com prioridades diferentes, pior, sinto-me sozinha numa relação em que eu tenho ficado para depois porque aparecem sempre outras coisas muito importantes e inadiáveis. Por dois momentos a minha aliança esteve em cima da mesa, num tudo ou nada, assim não quero, não sou feliz, não é o que quero na minha vida nem no meu futuro. Note-se que a segunda vez que isto aconteceu foi há duas semanas. Invariavelmente é quando bate no fundo que ele reage. Que ele mostra o que sente. Que ele luta por mim, por nós. Há duas semanas ele deixou-me sem palavras com todo um discurso em que se expôs emocionalmente como muito poucas vezes o vi expor-se nestes anos todos. E acreditei na força do que nos une, mais do que tudo o que nos parece querer afastar. 

Estes dias de férias em que estive parcialmente sozinha pude dedicar tempo a mim. Também preciso. Dormir, passear, ir tratar da beleza (ajuda ao ego e à auto estima), check up na nutricionista, ir às minhas aulas de dança nas calmas, sem a típica correria do sai do trabalho, come qualquer coisa e corre para não chegar (muito) atrasada. Tive um jantar de amigas. Fomos dançar. E rir. Muito. Comprei uma mini saia de pele (sintética). E senti-me bem. Fui até à praia com o Gandhe (que fez um esforço para, nas horas depois do trabalho, estar comigo, compensando a falha de não ter marcado as férias para esta semana estarmos juntos). Respirei a maresia, ouvi o som das ondas, contemplei um horizonte com uma mistura de nuvens, raios de sol e água. Senti a areia nos pés. O vento no cabelo. Bebi um chocolate quente. Andámos a explorar novos sítios na cidade. Jantámos num sítio diferente (novo para nós). Tivemos tempo para nós, e também para as coisas de cada um. Um bom equilíbrio, que é o que mais nos tem feito falta. Quase que fomos para fora dois dias, acabámos por não ir. Não faz mal. O tempo foi bem aproveitado.

E, como que a marcar uma nova fase, hoje vieram almoçar connosco, cá em casa, a mãe dele e o meu pai. Foi um agradável almoço de uma família que tem perdido tanto e não tem sabido encontrar um rumo que leve a uma união. Somos poucos, contamos com tão poucos e mesmo assim não nos unimos, não nos procuramos, ficamos sozinhos, cada um na sua bolha. Aproveitei que o meu pai faz anos hoje e convidei para almoçarem cá em casa, fiz uma surpresa com o bolo, conversámos sobre muitos assuntos... e foi bom. Há tanto tempo que não me sentia "em família". 

2019 tem sido um ano duro. Sofrido. Penoso. E está nas minhas mãos retirar as lições que a vida quer que eu aprenda, enfrentar as dificuldades e obstáculos com uma postura mais serena, espero que mais sábia, no fim de tanta provação... porque, e recordo uma frase que a Alice partilhou, "o desgosto e a alegria dependem mais do que somos do que daquilo que nos acontece". Portanto, há que arregaçar as mangas e erguer a cabeça, ser eu, inteira, sem medos, ou que seja com medos mas que haja coragem de ir, com fé e confiança em mim e no caminho que escolho trilhar. Quem quiser acompanhar-me, a minha mão está estendida e o meu coração agradece. Quem quiser ficar pelo caminho, só tenho a agradecer as histórias vividas e partilhadas e entender que há algumas pessoas que ficam pelo caminho para que outras melhores possam aparecer, há histórias que têm de terminar para que outras possam acontecer. E acima de tudo: deixar a vida acontecer, porque ela dá muitas voltas, e escolha eu o caminho que escolher, hei-de chegar onde tenho de chegar, com as pessoas que me quiserem acompanhar. 

 

 

 

 

21
Out19

Coisas fantáticas (e não só) de ir almoçar a casa

Isto de morar a cinco minutos do trabalho é um luxo. Verdade.

Regra geral vou almoçar a casa, não que de vez em quando não combine e vá almoçar com colegas a qualquer lado, mas por norma, vou a casa. Um luxo. Verdade.

No entanto, tudo tem o seu revés. E isto de ir almoçar a casa também é muitas vezes andar numa corrida a fazer coisas em casa e quando finalmente me sento para almoçar, fónix, faltam 15 minutos. Ou menos. 

Hoje andei a estender roupa (aproveitar o sol), a apanhar roupa que estendi ontem à noite, a dobrar e arrumar alguma que não precisa de ferro, depois venho para a cozinha e ainda arrumo umas coisas, limpo as caixas de areia dos gatos e... ops tenho de almoçar. 

Pronto, há outros dias que não havendo roupa estendida ou por estender, ou outra coisa qualquer que uma gaja olha e vai de fazer para adiantar serviço, dá para ler um bocadinho enquanto tomo o café descontraída. 

 

15
Out19

É oficial!

Está frio. E veio a chuva.

Regressei aos collants. 

Arrumei as sandálias e coloquei à mão as botas e botins (uso estas caixas para arrumar o calçado, na mudança de estação é só trocar da parte de cima do roupeiro para a parte de baixo o que vai passar a estar em uso, e para a parte de cima seguem as caixas com o calçado que durante os próximos meses não vão ver a luz do dia).

É oficial. Só me apetece enrolar-me num edredão quentinho e dormir até estar novamente calor.

Estamos a meio de outubro e ainda não apanhei uma daquelas gripes de caixão à cova, normalmente com alguma merdite (otite, amigdalite, faringite) associada. Não atiremos foguetes que outubro ainda só vai a meio.

Aguardo ansiosamente pela última semana: mini férias.

Preciso urgentemente descansar, abrandar o ritmo, estar em casa, dar uso ao sofá e às mantas, passar umas belas horas refastelada com os gatos, com um livro nas mãos. Ou a ver filmes. Quero ir ao cinema. Comer pipocas. Quero uns dias em que não tenha horários, e o tempo não é um carrasco impiedoso. Quero ter tempo para estar na cozinha e cozinhar com prazer e não pra desenrascar qualquer coisa para comer, porque tem de ser. Quero desligar do mundo e do stress. Isolar-me na minha bolhinha e estar sossegada a carregar baterias.

Sei que tenho escrito muito isso, mas é um facto e, a entrar na reta final do ano, o balanço é que 2019 está a ser um ano penoso, a testar todos os meus limites de paciência, resistência e resiliência. Um ano cheio de coisas más que me sugaram toda a energia. Um ano cheio de dificuldades, muitos obstáculos, e este agre sabor a frustração e desilusão, de cansaço extremo, de vazio. Tantos esforços, sacrifícios para quê mesmo? Sinto-me a remar sem sair do lugar. Desespero e esgoto-me. 

Há-de melhorar. Repito baixinho a mim mesma. Tem de melhorar... 

 

18
Set19

Era um pau nas costas, não era?

Ando com uma dor "estranha" no braço direito. Na verdade começou no pulso, uma semana depois de regressar ao trabalho, e claro que associei à tendinite que já tenho (a "doença" de quem passa o dia de rato na mão, mesmo com tapete ergonómico com almofadinha e coiso). Depois umas fisgadas pelo braço que me deixavam a ver estrelas. Alguns movimentos era para esquecer. Entretanto noto que em cima, no pescoço, tenho uma inflamação qualquer, havia um ponto em que me doía imenso quando carregava e sentia que estava ali um "alto". Andei a pôr gelo, a evitar esforços no braço, ah e tal, mau jeito, isto passa. Só que não.

Há quatro dias começou a doer-me a perna esquerda, um ponto ali atrás do joelho. 

Comento com o Gandhe que já não bastava doer-me o braço, agora também era a perna. Resposta iluminada da criatura: é a PDI*...

Ontem retomei as aulas de dance fitness e a minha professora é fisioterapeuta e osteopata. Marquei consulta com ela logo no início da aula, mas como me viu com dificuldades nos exercícios foi ver o que se passava. Para já aliviou ali o tal ponto no pescoço. Até uivei com os ossos a estalar. E já me foi adiantando que estou com um problema numa vértebra, provável deslocação, e isso afeta a cervical do lado direito, daí a dor e falta de força no braço. Quanto à dor da perna que entretanto surgiu, sendo a perna contrária é provável que já esteja com uma deslocação da bacia para compensar a da cervical do lado direito. 

Resumindo: estou fodida! E toda torta.

Sábado vou para uma sessão de tortura, vou sentir que me estão a partir os ossinhos todos, vai doer de cara...go. O que dói, cura: não é o que dizem? 

Já o PDI a que o homem se referiu, bem, tem valido ser ele a fazer uma boa parte das tarefas em casa porque eu estou lesionada. E antes isso que um pau nas costas, hã. 

Tou belhaaaaaaaaaaaaaaa 

 

*Puta Da Idade

 

12
Set19

Karma is a bitch

A vida anda, definitivamente, a testar os meus limites. E eu estou esgotada.

Resta-me um enorme sentimento de impotência e frustração.  Poderia dizer revolta,  mas já nem para isso tenho forças. 

Paira no ar se aceito ( dizem que dói menos) e vivo em permanente resignação... ou... ainda não sei bem quais são as outras alternativas.  

 

03
Set19

Banalidades de uma rapariga comum

Sábado. Depois de uma manhã em que Gandhe foi trabalhar e aqui a moçoila desligou o despertador e apagou até às 11h30, eis que há banalidades a fazer. Estender roupa e fazer almoço. Almoçar quando ele chega. Arrumar cozinha. Ir dar uma voltinha,  turistando um pouco pelos bairros típicos e antigos da cidade. Sentar numa esplanada e beber uma Bohemia. 

O fim da tarde aproxima-se e é preciso ir ao supermercado, aquele Doce com promoções o mês inteiro. Douradas para grelhar ao jantar.  Carne para algumas refeições da semana, que preciso adiantar dada a agenda e troca de horários. Fila do talho: 57 pessoas à frente. 😳

Inspira, expira. Entretém-te com o telemóvel,  o Doce até tem Wi-Fi. 

Viajo no Instagram e vejo que uma marca de biquínis xpto entrou em saldos. Vou espreitar. Um dos modelos que eu cobiçava já não havia no meu tamanho.  Continuo a navegar e a apreciar novamente os modelitos e padrões. Mostro três ao homem. Faz cara feia a todos. Por fim mostro o preço,  em saldos. Reação: foda-se!

E assim vai a vida de uma rapariga comum, com uma paciência do coiso (ia-me saindo uma asneira,  mas vamos tentar manter o nível da caixa) para estar perto de 2h à espera de ser atendida. 

Mais valia ter ido ao talho da vila. Provavelmente seria uma conta mais cara. Mas dizem que o tempo vale dinheiro...

 

19
Ago19

Então e que tal a estreia em fato de banho?

Ora, se bem se estão lembrados, aqui a menina, no seu dia de aniversário, presenteou-se com dois fatos de banho todos catitas

Para começar, sim, usei-os, uma vez cada um nas férias a sul. Sim, senti-me super bem com eles. Mas também estava confortável com os biquínis, pelo que acabaram por ser a escolha na maior parte dos dias. Não senti mais calor com eles vestidos, e até davam imenso jeito para entrar na água, porque minimizavam o impacto naquela zona crítica, ali da barriga, depois de estar a tostar ao sol levar com água fresca 

Ora de regresso às praias locais, aí vou eu de fato de banho e uma triste e desagradável surpresa: o fecho de encaixe atrás partiu. 
Eh pá fiquei danada e podre da vida. Era a segunda vez que vestia o fato de banho (o azul e rosa com o nó no peito), ainda por cima o meu preferido, e não é de todo aceitável que um fato de banho de 40€ (bem sei que há mais caros), de uma marca com nome no mercado, ficasse assim inutilizado por partir a peça do encaixe do fecho.

Fiz a compra em maio. Obviamente já não tinha talão. Pensei e repensei se valia a pena ir à loja. Decidi que sim. O "não podemos fazer nada" estava garantido, pelo que, e sem intenção de ir armar peixeirada, ia simplesmente demonstrar o meu desagrado perante a situação. Não é um fato de banho comprado ali na loja dos chineses por 10€.

Fui verdadeiramente surpreendida. Primeiro, agradeço ao universo ter-me posto aquela assistente de loja à frente. Super simpática, prestável, explicou que pelo cartão cliente não têm acesso ao histórico de compras, mas se eu sabia o dia exato da compra, ela pediria o relatório de vendas desse dia, acederia à minha compra e poderia registar uma troca. Comentou que, em fatos de banho era o primeiro, mas em biquínis têm tido devoluções pelo mesmo motivo, pelo que é óbvio que a marca deve repensar os acessórios que aplica nos seus artigos de banho. Perguntou-me se queria trocar por um igual. Fui sincera: adoro o fato de banho, mas para levar igual e voltar a acontecer, se puder então trocar prefiro outro. Sem problema. Escolhi outro, mas de apertar com laçada (não me voltam a apanhar com aqueles fechos de encaixe em plástico). Só havia o S disponível, tive receio que não me servisse, já que os outros eram M, mas serviu (lá está, apertar com laçada torna o fato de banho mais ajustável).

Estava eu, além de surpreendida, toda satisfeita da vida por me trocarem o fato de banho (embora tenha pena porque o outro ficava-me mesmo bem), quando a menina ainda me diz: ah, mas vai ter de escolher outra coisa, senão fica no prejuízo, porque o preço deste que vai levar fica abaixo do que pagou pelo outro. Eu ainda disse que não fazia mal, prejuízo era ficar com um fato de banho inutilizado e usado apenas duas vezes. Insistiu que não, que em sistema a troca tinha de ser feita pelo mesmo valor, portanto (e porque estamos em saldos e o fato de banho que escolhi está com um preço para além de extraordinário, 18,99€, quando o preço original era 39,99€), tinha até X€ para escolher artigos. Andei lá de volta dos vestidos de praia e trouxe dois: 

O azul com os pompons já não se encontra no site. 

E pronto, para quem estava numa de vai, não vai, não vai valer de nada, acabou por ir e ficar bastante surpreendida com o serviço pós-venda. Assim se conquista e fideliza um cliente, em vez de o perder por falta de qualidade em artigos, cujo preço não é assim tão barato para que tenha este tipo de problemas. 

Agora venham mais fins de semana de sol e calor para eu usar e abusar (abusar já fica para o ano) destes novos mimos. 

Entretanto, e porque reformei dois biquínis que me estavam um tanto ou quanto desconfortáveis no peito, fiquei apenas com um estampado, cuja parte de cima tanto uso com a tanga igual como com uma azul escura, e comprei uma parte de cima amarela para conjugar com a tanga preta e a tanga azul escura. 

Posso começar as férias outra vez?! 

A verdade é que é nesta altura de fim de saldos que se encontram bons preços e vale a pena investir.

Nesta história toda, dentro do azar tive sorte, que um fato de banho novo estragado rendeu-me três peças novas. 

Moral da história: o "não" está garantido, portanto, é perder a vergonha, não dar como certo que não vão resolver nada e ainda vão gozar com a nossa cara, e ir. É que podemos estar redondamente enganados, e o serviço pós-venda ser cinco estrelas e resolver, da melhor maneira possível, o problema do cliente.

 

26
Jul19

Só falta a coragem de enfrentar as agulhas

Não é de agora que tenho ideias de fazer tatuagens. Gosto das pequeninas, das que são apenas um desenho delineado, pretendo em sítios discretos, onde só se vêem ocasionalmente. E obviamente que tenham um profundo significado, já que são para a vida.

Então, e reza a lenda que têm de ser em número ímpar, cá deixo as minhas escolhas para o meu top three. 

fenix.jpg

Adoro esta Fénix estilizada. E exatamente neste sítio. 

bigodes de gato.jpg

Para o pé tive várias ideias, mas quando vi esta foi assim a coisa mais fofa que achei para tatuar no pé. Serei uma eterna cat lover. Não tem como me cansar dela. 

gato.jpg

Para o pulso também não faltaram ideias. Foi muito mais difícil escolher para este sítio. Mas gostei muito desta: a silhueta de um gato com o símbolo do infinito. É o chamado "é a minha cara".

 

 

25
Jul19

Nuvens dissipam-se devagarinho

Há uma coisa que vou repetindo a mim mesma nos momentos de crise, aqueles em que o mundo parece que desaba sobre os nossos ombros e nos esmaga: por vezes o melhor sítio para se estar é no fundo do poço, porque dali só para cima.

E é isto. É tão isto que há em mim. Vou suportando até não aguentar mais. Entro em queda livre e bato no fundo do poço. Às vezes é um fundo falso, porque cai mais um bocadinho, e mais um bocadinho e quando acho que já lá cheguei, ainda não.

Já por aqui escrevi e desabafei, lê quem tem paciência, quem quer, que o primeiro semestre deste ano foi negro, numa espiral descendente. Um acumular de tanta coisa, outras tantas à minha volta que me afetavam e me absorviam toda e qualquer energia.

E chegou aquele dia do BASTA! Do atirar-me da ponte e vai dar onde tiver de ir dar.

Há umas semanas acabei com o Gandhe. Foi um término de horas, diga-se... mas não deixou de ser aquele murro na mesa, ou no estômago, ou no cérebro. Aquele balde de água bem fria para ver se acorda. Foi um tudo ou nada. Sendo que eu acreditava que era o nada.

As horas que se seguiram depois que dei por terminada a relação foram incomensuravelmente dolorosas. Uma angústia enorme, um vazio... curiosamente não era o medo do que ia fazer sozinha à minha vidinha (não tenho família que possa ser apoio ou porto de abrigo, e nestas alturas... os amigos estão muito ocupados com as suas vidas, e tudo bem, não condeno) que me atormentava e doía. Era este amor que está cá dentro e a sensação de derradeira derrota de não termos sido capazes de resolver o que estava mau, e fomos deixando piorar e piorar e piorar. Uma relação não vive só de amor. Há tantas gotinhas de água que vão regando a relação e mantendo-a viva.

Genericamente o nosso problema foi o desgaste de anos juntos. Chegar àquele ponto em que a vida é apenas e só uma rotina de horários e picar uma lista de tarefas. Muitas chatices, discussões houve à volta deste tema, e a cada uma haviam promessas de mudanças. Não se concretizaram. Havia um comodismo. Um deixa andar. Eu, por mim falo, usava a técnica da avestruz: enfiava a cabeça na areia, ia vendo o que ia acontecendo, até haver nova explosão. Foi-se tornando demasiado frequente. Desgastante a vários níveis. 

Acabei.

E horas depois está ele a dizer-me que não quer desistir. Que podemos, juntos, trabalhar para que a nossa relação melhore no que tem de melhorar, o que a bem dizer, não é nada que já não tivesse existido, mas foi-se perdendo nas rotinas e no comodismo.

Work in progress. Bati no fundo e ele deu-me a corda para eu voltar à tona. Estamos a trabalhar em conjunto. Juntos. Porque não é só um ou só o outro que tem de mudar ou melhorar. Somos os dois, cada um nas suas coisas.

E foi assim que esta semana atingimos os 15 anos de relação. Muito tempo, não é? Pois. Não é fácil. Não é tudo cor de rosa com unicórnios a voar deixando um rasto brilhante. Não é o "felizes para sempre" das princesas da Disney (já repararam que a história termina sempre no dia do casamento, ninguém conta o depois?).

Entretanto também eu precisei de fazer o meu detox. Afastei-me uns tempos. Apesar de saber que tenho amigas a passar por problemas, eu precisei afastar-me. Recuperar a minha boa energia, a minha calma, o meu equilíbrio. 

É uma equação muito simples: se eu não estiver bem comigo e para mim, não vou estar bem com mais ninguém nem para ninguém (aqui incluo também o Gandhe, que verdade, também não lhe tenho facilitado a vida no último ano).

E sim, podia, como ainda recentemente indiquei, procurar um psicólogo. Sim, podia, ainda não está fora de questão. Mas por ora quero ser eu a reerguer-me. E estou em metamorfose.

Tenho-me dedicado àquelas pequenas coisas que gosto e que fazem toda a diferença no meu bem estar. A dança tem sido o meu antidepressivo e ansiolítico. Ando com os pés feitos num oito, doridos, cansados, mas a alma anda leve. O sorriso voltou. A energia também, ainda que o corpo esteja a precisar de férias para repousar. Eu, pelo menos, fico totalmente esgotada mais por questões a nível emocional, do que por cansaço físico.

Concentrei-me no trabalho, nas minhas funções, estabeleci os meus limites para não me deixar arrastar pelo stress. Foco. 

E estou a regressar aos poucos à superfície. 

Se estou totalmente a 100%? Ainda não. Mas estou mais confiante. Mais crente. Mais forte. Mais equilibrada. 

E para marcar esta fase estou seriamente a pensar em fazer uma tatuagem (ai o pânico das agulhas) de uma fénix. Porque é assim que me sinto: consumi-me em fogo ardente e renasço das cinzas. Está escolhido o desenho, o sítio, já tenho tatuador de referência... só falta mesmo o empurrãozinho de coragem para ir fazer. Mas agora também não é a altura ideal, sol e mar e praia (ainda não pus lá os pés, mas está quaseeeeee)... portanto deixemos para o outono/inverno.

As nuvens vão-se dissipando, o turbilhão à minha volta acalmou, ou pelo menos eu afastei-me do seu centro para poder serenar, e os dias vão correndo a uma velocidade de cruzeiro. Com calma. 

E o que desejo é ter sabedoria e serenidade para continuar com esta metamorfose. Não perder a coragem de ir trepando pela corda para vir à superfície do poço e sentir-me novamente em sintonia comigo mesma. E com o mundo/pessoas que me rodeiam.

Ora, há quem faça detoxs para caber nos vestidos de verão ou nos biquínis. Eu precisei de um detox à alma. Assim como assim, este ano tenho fatos de banho, sa lixe o six pack que não tenho (e pensar em todas as séries macabras de abdominais a que fui sujeita...).

E por ora estou assim, em ritmo de dança, solta, leve, deixa correr, deixa acontecer, dar as voltas que tiver de dar mantendo o equilíbrio e a leveza. 

Peço desculpa pelos recortes, só que por questõs de manter a privacidade e anonimato das outras pessoas, e o meu rosto não é totalmente visível/reconhecível, partilho estas ilustrativas e recentes fotos. 

Não prometo voltar à escrita com frequência. Vai depender dos dias, do que me apetecer. Perdoem-me, mas estou ao sabor da maré e a aproveitar isso. Não me sinto à deriva. Só que também não estou com um mapa traçado num trajeto sem desvios.

 

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