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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

26
Ago20

O texto que tenho adiado escrever...

Quem segue a Caixa no Instagram sabe o que aconteceu neste último mês. Sabe que há um mês comecei com obras em casa (pinturas de paredes e tetos com alguns arranjos de fissuras pelo meio). Sabe que há um mês o meu pai deu entrada no hospital e depois de uma semana excessivamente intensa a nível emocional, com as notícias dia após dia a conduzirem a um desfecho previsível, esperado mas que nada nos prepara para o derradeiro momento, aquele em que, depois de ter sido chamada ao hospital para me despedir dele, me comunicam que faleceu.

Continuo sem palavras para descrever o momento em que esta realidade se abateu sobre mim. Continuo sem perceber muito bem como me tenho mantido de pé a tratar de uma imensa burocracia que enerva, esgota a paciência, suga toda a energia que resta num momento destes.

As férias deixaram de ser férias para tratar de um funeral e desencadear uma série de processos em diversas entidades, processos que ainda decorrem, e ontem, mais um dia de férias queimado para ultimar burocracias, mas afinal ainda há mais uma declaração que é precisa para entregar nas Finanças e fazer uma adição ao imposto de selo e só depois, só depois é que pode voltar cá e prosseguir... e só para iniciar o processo desembolsa x, e desembolsa y e mais o caralhinho para tanto papel e selos timbrados e o raio que parta esta máquina burocrática que empata e entrava e chateia e nos suga vida e dinheiro. A sério que estamos no séc XXI, em plena era digital? A sério que, alegadamente, devido à pandemia, muitos serviços tiveram de agilizar procedimentos? Ah não. Isso era a expetativa. A realidade é que ainda estão mais bloqueados, difíceis de aceder e resolver de uma vez.

Poupo-vos detalhes, porque tudo isto ainda é uma ferida aberta e dolorosa. Recebo o embate da morte do meu pai e, com todas as vantagens e desvantagens que isso acarreta, sou única herdeira. Em cima de mim caem todas as decisões, responsabilidades, despesas. E isto de herdar propriedades é muito giro na boca do povinho ignorante que acha que agora devo ser uma espécie de condessa lá da terrinha. Eu só vejo dinheiro a sair da conta, tudo se paga, os impostos não esperam, os encargos com as propriedades também não e agora está tudo nos meus ombros.

Respiro fundo. Tudo se resolve. Não escolhi que isto acontecesse na minha vida. Aconteceu. Agora é lidar da melhor forma possível. Se haveria momento ideal para pôr em prática o que, também nesta altura, aprendi naquele desafio de auto coaching, que com tanto entusiasmo me inscrevi, foi este. Na semana do internamento e na semana em que faleceu, valeram-me as meditações diárias do desafio, cada dia com um tema a explorar num pre talking. Valeram-me esses momentos em que, durante cerca de 30 minutos por dia, eu estava comigo e a tratar de mim. Encontrei força onde não julgava haver. Mantive um equilíbrio quando achava que ia simplesmente colapsar.

Houve dias difíceis. Muito difíceis. Sei que os haverá. Ainda este fim de semana fui abaixo e andei a chorar descontroladamente com um sentimento de vazio, de estar sozinha no mundo, porque as pessoas que mais amei e de quem guardo as melhores memórias já se foram. Tal e qual como a casa que acabo de herdar, sinto-me vazia, abandonada. Morreram. Foram-se para sempre e não voltam. Ficam aquelas paredes repletas de anos de memórias e histórias de três gerações de uma família.

Houve um momento que me afastei das redes sociais no geral, de pessoas em particular. A silly season a decorrer, o Instagram repleto de fotos de férias, praias, piscinas, famílias, verão no seu esplendor e leveza que deixa as pessoas felizes. E eu a ter de lidar com a dor que a morte de alguém tão próximo deixa, aquele vazio que nada nem ninguém nunca preencherá, enredada numa teia de burocracia que estava a exigir demasiado de mim, a sugar-me a pouca energia que sentia. Houve dias que não atendi telemóvel nem respondi a mensagens. Agradeci ter pessoas preocupadas e a mostrarem todo o seu carinho e apoio. A seu tempo expliquei-lhes, desculpando-me, que precisava do meu tempo de sossego e solidão para carpir a dor, quando ao mesmo tempo a vida exigia demasiado de mim.

O tempo não cura. Acalma. Cicatriza.

Regressei ao trabalho e isso permitiu-me sentir de volta a vida como a conhecia, na sua normalidade que nos faz sentir numa zona de conforto. Voltei a sentir apetite e vontade de comer, voltei a ler, voltei a estar com as outras pessoas. Voltei à minha vida. Diferente. Eu e a vida.

Estou a voltar. Porque a vida continua e eu tenho de continuar. Por mim. Pela memória dos que partiram. Pelos que estão ao meu lado e foram excecionais neste momento tão difícil e doloroso da minha vida.

Estou a voltar. Aos poucos...

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14
Jul20

"Se eu consigo, vocês também conseguem"...

Só que não!

Não nos comparemos, e digo isto a mim própria, por que é tão fácil cair neste engodo das comparações, como se vidas, corpos, pessoas, sentimentos se pudessem comparar.

Na ordem do dia está a capa da Helena Coelho e a sua transformação. Quer ser inspiradora e é, e em simultâneo levanta aqui uma série de outras questões. E é normal que assim seja, são as duas faces da mesma moeda.

Debate-se se o objetivo de emagrecer para ser capa de revista é válido. Por mim é, como qualquer objetivo individual que apenas diz respeito a quem o decide e se esforça para o atingir. Esta é uma discussão um tanto ou quanto oca, tal como foi há uns anos uma blogger ter dito que o sonho dela era ter uma mala da Chanel. Cada um sonha com o que bem entende, cada um estabelece os seus objetivos pessoais e a isso chama-se aquela coisa fantástica que é a liberdade de escolha.

O busílis da questão reside no facto de ser uma figura dita pública, influencer neste novo mundo onde o digital ganhou tanta importância e visibilidade. E por isto eu compreendo argumentos que li a alertar para o risco de uma pessoa com cerca de meio milhão de seguidoras (considerando que o público alvo é maioritariamente feminino e entre os 20/30 anos) promover ideias de magreza como sinónimo de ser saudável, de ser magra para caber numas calças da secção infantil, como se fosse o grito do Ipiranga da moda, de passar a imagem que a sensualidade (o ser sexy) e felicidade da mulher passa por dedicar a vida ao culto do corpo, no matter what. Fica ali no limbo os possíveis comportamentos obsessivos e pouco saudáveis para atingir fins que são "questionáveis" e o perpetuar de um conjunto de ideias pré concebidas, como: o ser magra é ser linda e sexy, é ter saúde, é ser o exemplo de um estilo de vida e alimentação saudáveis. O resto não cabe aqui, logo é nocivo. A postura de proximidade que procuram ter com o público, porque se ela conseguiu qualquer pessoa consegue. Qualquer pessoa? Seja qual for a vida de cada um, horários, responsabilidades, disponibilidade e condições várias?

Não comparemos. A Joana Roque faz o seu meal prep, que tanta gente ambiciona, às segundas. Ora, uma grande maioria de nós às segundas está a enfrentar trânsito, transportes públicos, picar ponto, trabalhar horas a fio fora de casa. Quando chega o fim de semana há limpezas / arrumações, tratar de roupa, supermercado, e ainda tentar encontrar tempo para lazer e descanso.

A Helena Coelho trabalha no digital onde tudo se mostra e se exibe, e onde, obviamente, se procura mostrar e exibir o melhor, a sua melhor versão. Trabalhar o corpo para ser capa de revista e fazer a campanha dos biquínis faz parte do seu trabalho. Enquanto milhares de mulheres estão sentadas atrás de um computador, ou horas em pé atrás de um balcão de atendimento, ou seja qual for o seu trabalho que as limita a um espaço diminuto e a tarefas que não incluem exercício físico, Helena Coelho pode literalmente trabalhar o corpinho.

Não se fazem omeletes sem ovos. E não se pode proclamar aos quatro ventos que se a Helena Coelho, com a vida que tem e as condições que reúne consegue, outra mulher, daquelas que acorda às 6h30 enfrenta um dia com filhos, trabalho, tarefas domésticas, transportes, trânsito, muito tempo e energia despendidos para outras pessoas e outras tarefas que não passam por tratar de si próprias, também consegue. E já nem estou a entrar naquele campo minado de que cada corpo tem o seu próprio ritmo e características e, se umas para emagrecer basta deixarem de beber refrigerantes e comer pizzas para passar a comer mais saladas e beber mais água e chás e quiçá fazer umas caminhadas, para outras não é bem assim. E deste lado fala uma mulher que está em luta consigo própria e a tentar lidar com a frustração de ter alimentação saudável, exercício físico moderado e o corpo responder de forma oposta: engordo sem perceber porquê. Já fiz despiste em várias especialidades médicas, exames vários, e esbanjo saúde (e não sou magra com o estômago encostado às costas). Muito grata por isso. Agora o que vejo ao espelho não gosto e está a custar muito encaixar, work in progress. E independentemente dos filtros que até considero ter, é fodido levar com as Helenas Coelho deste mundo, que dão aquele ar que  tudo é tão fácil e simples como somar 2 + 2, como se aquilo que exibem fosse o pináculo da existência humana, o atingir o nirvana. E quem não consegue é uma preguiçosa que não mexe o rabo do sofá e não come o que devia.

Por analogia, nem todas temos as segundas feiras livres para nos dedicarmos ao meal prep da semana toda. E nem todos os corpos reagem da mesma maneira à alimentação ou ao exercício (sim gente, não é uma equação matemática com um resultado certo). É que esta aqui que vos escreve, durante a quarentena fez sessões diárias de 30 minutos de indoor cycling, e também fazia aulas de fitness pelo Youtube, e caminhadas e comia legumes e carnes brancas ou peixe, fruta como snacks em vez de bolachas e pão. And guess what? Engordei e ostento uns pneus que fazem uns rolinhos quando me sento. O drama que foi escolher entre fato de banho e biquíni quando, há dois fins de semana atrás, decidi começar a ir à praia. E por falar nisso, expliquem-me como raio é que o fato de banho (alegadamente) disfarça mais a barriga? Eu só me sinto uma grávida de 6 meses (sem o estar). Escolhi o biquíni e assumo os rolinhos. Eu disse, work in progress.

Parte do meu processo de aceitação está a passar pelo Yoga. Trabalhar de dentro para fora. E tem sido diário. às 6h30 acordo e os primeiros 30 minutos do meu dia são dedicados ao Yoga. Os rolinhos estão cá, bem como a celulite. Eu estou é a aprender a aceitar o que vejo ao espelho, agradecendo a bênção de ser saudável e tendo como objetivo, não o six pack, mas ultrapassar a ansiedade e stress que fazem estragos no meu organismo (e não só). Estou a aprender a viver com mais calma, aprender a respirar e a parar, olhar para dentro de mim e procurar equilíbrio e serenidade. E isso faz-me mais feliz que as costelas à mostra.

Só gostava era de sentir menos pressão por não caber nos estereótipos, gostava de não ter vergonha por vestir um biquíni e ficar de rolinhos à mostra, ou gostava de não ter de responder vezes sem conta que não, não estou grávida.

 

10
Jul20

Blackout

Olá, olá! Sim, ainda estou viva e de saúde.

Perdi a conta às vezes que abri o editor de texto e fiquei de olhar perdido na tela em branco. O desfecho era sempre o mesmo: fechar e sair.

Nos blogs estou apenas como espetedora, vou lendo, passando os olhos. No Instagram vou espreitando, publiquei uma ou outra coisa e saio de fininho.

Estou numa fase que me sinto esmagada. Os blogs andam um pouco esquecidos (faço parte desse grupo), poucas atualizações. É normal nesta altura de silly season. Até os canais de séries estão naquela altura que repetem pela milionésima vez temporadas e séries, filmes do tempo da Maria Cachucha (e o piadão que é ver um filme de natal em pleno verão, num dia de calor?). No entanto este "abandono" dos blogs vai além da silly season. É também motivado pela forte presença nas redes sociais, Instagram então está em alta. Publicações imediatas, rápidas visualizações sempre a somar, tudo muito rápido e instantâneo, muito mais visível para quem vive deste e neste mundo digital e das visualizações de conteúdos too fast and too furious... porque lá é tudo estupidamente rápido. Fazem exercício um mês e ficam com um six pack quase digno de Carolina Patrocínio. Começam a comer mais couves e espinafres, e a fazer pequenos almoços com as cenas instantâneas da Prozis e pum, esbanjam saúde e bem estar em corpos magros. Os saldos ainda mal começaram já compraram este mundo e o outro. Ainda há pouco se começou a desconfinar e já correram o país de lés a lés, já mostraram não sei quantos alojamentos perfeitos para férias em tempos de Covid, já jantaram em tantos restaurantes mega seguros em tempos de Covid.

Sim, tudo isto me esmaga na minha insignificância de comum e ordinário mortal que trabalha entre 8 a 10 horas por dia, acumula tarefas domésticas, porque se quero comer tenho de cozinhar, se quero casa limpa e arrumada, tenho de tratar disso, se quero roupa lavada para vestir, pois claro que também tenho de providenciar, porque ainda ninguém inventou uma App que faça isto tudo à distância de um click. E fazer contas, eu que detesto matemática, nunca foi a minha área de eleição, e agora conto euros e cêntimos, peço orçamentos e comparo preços, revejo planos e tenho de fazer escolhas e cedências. 

E sim, até sou uma gaja com filtros, que tem perfeita noção que as influencers do Instagram mostram uma realidade cheia de filtros, camadas de filtros, e até sei algumas curiosidades daquelas que me fazem pensar que os cabazes da Prozis e os trapos que recebem das marcas criadas pelas amigas influencers não pagam as contas da água ou luz ou gás, uma vergonha essas empresas de fornecimento de serviços não criarem parcerias

E não obstante os filtros que aplico, e até saber de fonte segura de alguns "podres" escondidos debaixo dos tapetes magníficos destas influencers de vidas perfeitas, sinto-me esmagada quando percorro redes sociais num momento que esperava que fosse de descontração e distração e levo com tanto exibicionismo e montras de vidas absolutamente fantásticas, felizes e perfeitas que ou desligo ou acabo esmagada como uma barata insignificante.

Olho o mundo em volta e acho que isto está em total descontrolo, um comboio de alta velocidade em vias de descarrilar. Subvertem-se valores, erguem-se bandeiras em lutas sociais que de luta social tem muito pouco, tudo é de um extremismo ofensivo que chegamos ao cúmulo de ter de apagar pedaços da história universal porque, nem sei porquê. Se temos muitos períodos da nossa História que, aos olhos de hoje, são vergonhosos? Sim. Mas a isso chama-se evolução. Sabemos o valor da paz depois de passar pela guerra. Sabemos o valor da vida humana depois de termos conhecido o seu total desrespeito (e aqui não faltam exemplos desde a antiguidade até aos dias de hoje). Sobre isto gostei muito do texto da Carmen Garcia no Público, Politicamente correto? Eu saio aqui.

E tudo isto, confesso, me tem afastado do blog, de escrever e partilhar fragmentos dos meus dias. Podia escrever sobre o meu regresso ao local de trabalho, da adaptação a esta nova realidade, daquilo a que já muitos de nós vão chamando "novo normal". Podia vir aqui partilhar as leituras ou outras banalidades de uma vida comum. Podia partilhar a experiência de regressar às aulas de dança, ou sobre a continuidade e evolução (gradual, passo a passo, com calma e muita paciência comigo mesma) na prática de yoga e o impacto que vou começando a sentir nos meus dias, na minha forma de estar. Podia... mas estou esmagada por esta wrecking ball chamada plataforma digital. Então anulo a minha presença, espreito fugazmente e viro costas. Vou viver a minha vidinha e está tudo bem assim.

 

14
Jun20

Hora de regressar

Três meses. Os últimos três meses foram um desafio constante, a vários níveis: pessoal, profissional, familiar, emocional.

Amanhã regresso ao local de trabalho. Amanhã retomo as aulas de dança. Quer um quer outro estarão diferentes dadas as circunstâncias, mas já se sabe que desde há três meses que o mundo tal como o conhecemos deu uma volta de 180º. As rotinas como as conhecíamos mudaram, sofreram ajustes, readaptaram-se aos novos tempos, às novas necessidades e cuidados.

Estou feliz por voltar.

Estar permanentemente em casa foi um desafio com altos e baixos, com pontos positivos e negativos, com vantagens e desvantagens. 

Agora é hora de regressar ao trabalho de uma forma mais próxima do normal que conhecia há três meses atrás e estou tranquila, aliviada e sedenta de voltar a pôr o pé no mundo lá fora e sentir que a minha casa é o meu ponto de refúgio e não a minha prisão. Voltar a ter este equilíbrio de ter os meus espaços devidamente separados: casa é casa, trabalho é trabalho. 

O que mudou nestes três meses?

Eu.

E como este caminho de transformação e autoconhecimento é difícil de fazer, tomei a difícil (para mim) decisão de procurar ajuda profissional. Já comecei a trilhar o caminho sozinha, com auxílio da prática de Yoga, de meditação. Quero mais, preciso de mais. Acima de tudo sei que preciso de ajuda e orientação neste percurso de autoconhecimento. Porque sei que será difícil, duro de enfrentar, duro de digerir... e por isso o tenho evitado e vou recorrendo a pensos rápidos para ir aguentando. Chega de pensos rápidos. 

O ano 2019 foi mau. Escrevi várias vezes sobre isso por aqui. 2020 chegou com a minha promessa de procurar a minha cura. Ironicamente um vírus atirou o mundo para um isolamento social e fez a vida parar. E se calhar era mesmo isso que precisava(mos). De parar. De ter tempo para olhar para dentro de mim, para a minha vida, sem interferências exteriores que servem sempre de desculpa para ligar o piloto automático, enfiar a cabeça na caixa de areia e deixar rolar porque tem de ser. Se quero mudar, tenho de fazer diferente. Se preciso de ajuda e orientação, então que seja. 

Coincidência ou não (eu acho que não), estou eu há duas semanas a dar os meus primeiros passos (pequeninos) neste processo de cura interior, de autoconhecimento, quando esbarro com uma página de Instagram e subsequentemente o canal de YouTube. E fico ali a explorar e a deixar-me envolver. Quis o acaso que me cruzasse com o que poderá ser a ajuda que preciso? Seja... vou embarcar neste desafio, nesta viagem. 

Respiro fundo. 

Amanhã será o dia de regressar ao mundo e sair desta bolha. Que seja a metáfora para um renascer, o primeiro dia de uma nova fase, uma fase de mudança. Espero que de conquistas também. 

 

17
Fev20

Ca put@ de neura

Uma pessoa anda na merda e tudo acontece. 

Não sei que raio se passou com a última coloração de cabelo, em três semanas tenho o cabelo às manchas e cor de rosa em alguns sítios. Tento arranjar vaga ASAP na cabeleireira... Tinha para dia 21, mas eu não posso que tenho uma consulta médica à hora da vaga. Ora então, só dia 26...  (lado positivo, se quiser posso fantasiar-me de Harley Quinn no Carnaval). 

Tenho manutenção das unhas esta quinta. O que acontece? Tenho a unha do polegar partida até meio (e usar collants está a ser uma verdadeira aventura). Ligo para a moça que me arranja as unhas, afinal eu já a desenrasquei outras vezes a trocar com outras clientes dela. Mas não. Não há vagas, não há trocas. Aguenta até quinta. 

Aquela merda da lei do retorno é um grande mito urbano, não é?! É que, foda-se, estou a colher o que outro cabrão qualquer andou a semear e meteu na minha conta, só pode!!!!

 

15
Jan20

...

A chuva voltou. O céu está cinza. A luz sombria. Sombria também eu estou. 

Algo incomoda-me. Aquele aperto no peito, uma sensação estranha, um arrepio. Um nó na garganta. Uma vontade de chorar, só porque sim. Para aliviar, talvez.

Coloquei os phones, ouço Hans Zimmer no Spotify e tento concentrar-me no trabalho. Contudo, este aperto não desaparece. 

Não sei se isto é uma das minhas fortes intuições (quase premonições), que ainda não consegui perceber, ou se será o início de uma crise de ansiedade (que já não tenho faz tempo)...

Vim aqui escrever numa tentativa de aliviar a pressão. As palavras saem-me sem sentido. E a sensação de aperto intensifica-se...

10
Jan20

O regresso à rotina

Só esta semana é que senti o verdadeiro regresso à rotina, depois de uma pequena pausa e das festividades.

Ainda que tenha regressado ao trabalho no dia 02, a verdade é que a semana de trabalho foi mini, chegar num dia e no dia seguinte já ia de fim de semana. Assim nem custou tanto.

Esta semana, não só por ser já a semana inteira, mas também porque foi a semana de regresso às aulas de dança e dance fitness, é que senti o verdadeiro regresso à rotina, aos horários, ao ram ram do dia a dia.

Ainda assim, há mudanças que já provaram ser positivas e portanto, serão para manter. Estou a entrar mais cedo no trabalho. Como tenho horário flexível, a hora de entrada é entre as 08h e as 10h, a de saída entre as 17h e as 18h. Ora, a lógica é se entrar mais cedo, mais cedo posso sair. Em tempos andava a entrar mais cedo, mas ainda era uma fase que eu permitia que me fizessem ficar no trabalho até tarde e más horas, pelo que andar a entrar às 08h e pouco para sair às 20h deixou de ser praticável. 

Primeiro mudei essa de sair tarde. Não digo que não aconteça, mas é ocasionalmente e só se o trabalho assim o justificar. Por exemplo, na véspera de ir de férias saí perto das 20h. Tinha uma série de processos em mãos que queria deixar fechados em sistema, devidamente arquivados, para que os colegas do atendimento pudessem consultar caso fosse necessário. Justificado e foi uma opção minha. Não foi porque o Sr. Eng.º tal achou que boa hora para trabalhar é depois das 18h, como tantas vezes me chamou a essa hora e eu, burra, ia. 

Demorou eu entender que os limites sou eu que os coloco. Portanto, e sem qualquer tipo de falta de respeito, comecei a mostrar que se entro a uma determinada hora, não tenho de estar, só porque sim, só porque se lembram de mim ao fim do dia para trabalhar e analisar processos. Eu abri os precedentes. Estava nas minhas mãos alterá-los. 

Agora chegou a vez de conseguir acordar mais cedo, chegar mais cedo ao trabalho, e mesmo que na maioria das vezes, em vez de sair até às 17h30, saia às 18h, se não passar disso eu já me dou por muito satisfeita, porque não tenho de andar com o credo na boca e os bofes de fora numa correria para ir onde tenho de ir, sem falhar ou chegar atrasada aos compromissos que assumi. E isto traz-me mais calma, muito menos stress, menos ansiedade e por aí fora, que isto está tudo interligado. 

Mas para acordar mais cedo vem a necessidade de me deitar mais cedo, e esse é o grande desafio. Sou uma pessoa noctívaga, facilmente estou até às 2h da manhã acordada e bem desperta. 

Portanto, novas rotinas, deitar-me no máximo às 23h, ler um bocadinho (nada de telemóvel e redes sociais), e antes da meia noite já estou de luz apagada a dormir, ou quase.

Pequenas mudanças a manter, até porque em poucos dias já vejo os benefícios que me traz, logo, se me faz bem, é para continuar.

E se o novo ano trouxe esta vontade de ir fazendo pequenas mudanças, que trazem grandes benefícios, há coisas que ainda vêm do ano anterior. Como uma mal fadada gripe que apanhei no início de dezembro, já fui duas vezes a médicos, já tomei medicações diferentes, incluindo antibiótico dos potentes, e apesar de ter melhorado substancialmente, a tosse persiste e ando fartinha. 

Além da gripe, ando a recuperar de uma queda que dei e na qual magoei nada mais nada menos que o cóccix. Foi uma queda digna de ver a dignidade de uma pessoa ir pela escada abaixo. O pé escorregou numa escada, revestida a calçada portuguesa, que estava húmida e literalmente desci uns dois degraus de rabo. Vejo agora a vantagem que é ter este bundão, porque me amorteceu muito a queda. Ainda assim o impacto de cair sentada teve repercussões no cóccix, e tenho andado em cuidados. As dores vão diminuindo, mas com o regresso ao exercício físico percebi que ainda vai levar algum tempo até, espero, poder fazer tudo sem sentir dor. Work in progress, muita calma e paciência que isto vai ao sítio.

O que também já aconteceu neste novo ano, ainda tão fresquinho, foi uma discussão com Gandhe, algo que definitivamente marcou pela negativa o ano 2019 e, espero, que não volte a ser uma constante neste ano, até porque a paciência atingiu os limites e se não conseguirmos dar a volta às diferenças, o melhor é ponderar se a relação (que este ano completa os 16 anos) tem ainda motivos para continuar. 

Eu disse que queria que 2020 fosse um ano de cura. E na busca dessa cura, eu vou até onde tiver de ir, e se tiver de deixar algumas coisas ou pessoas pelo caminho, paciência. 

 

07
Jan20

O drama, o horror, a tragédia... vá, menos. A vida como ela é.

Depois deste investimento em casacos, nas mini férias de natal aproveitei a campanha de 50% de desconto na Tiffosi e fui comprar uns jeans para substituir outros que estão prestes a finarem-se (é o que dá a mania de puxar as calças pelas presilhas do cinto... tanto puxa que rebenta). 

Como, por norma, nessa marca estava a vestir o 36 de calças, foi o tamanho que levei para o provador e... o drama, o horror, passar na anca até passavam, depois de alguma ginga, apertar está quieto. Ou então não respirava e podia ser que apertassem. Mas eu não podia respirar.

Ora, vim cá fora e levei umas 38 para dentro. Experimentei, passavam sem puxões e gingas na anca, apertavam sem ter de parar de respirar, assentavam bem e permitiam-me mexer sem sentir que as pernas iam gangrenar ou que ia ter de suster a respiração para o botão não rebentar. De modos que, acima de tudo conforto e bem estar e sa foda o tamanho. 

Em 2018, quando tive a minha crise de identidade com o corpo e as alterações que sofri, isto teria sido motivo para uma crise de angústia, de me sentir gorda, feia e o diabo a sete. Agora, foi com tamanha naturalidade que vesti um 38, senti-me bem, comprei as calças, cheguei a casa e fui ver as outras que tinha com tamanho 36, que pouco vesti. Igualmente sem dramas, separei as ditas cujas para as dar a uma amiga, e voltei à loja para comprar, pelo menos, mais um par de jeans, tamanho 38, whatelse?! 

Ponderei perder a cabeça (e umas dezenas de euros) e ir comprar aquele modelo xpto da marca portuguesa Salsa, as gap não sei das quantas, que supostamente são indicadas para quem tem anca larga e cintura fina, sem que fique aquele espaço aberto na cintura. Mas tinha um vale de 50% para usar na Tiffosi e vai daí, pelo mesmo preço dos jeans da outra marca comprei uns jeans, uma sweat para oferta de natal, e 4 camisolas de malha para o Gandhe. Pelintra mind fashion. E guess what? Os jeans (modelo light push up com cintura média) que me ficaram por 15€ assentam que nem uma luva, e não fica espaço nenhum na cintura... 

E finalmente cá estou eu neste estágio de aceitação. Reaprendi a gostar e aceitar o que vejo ao espelho, seja lá qual for o tamanho. É só um número. E números há muitos... 

Nota: as marcas aqui referidas não patrocinaram qualquer vírgula ou palavra deste post. O único patrocínio foi mesmo a minha conta bancária. 

 

11
Dez19

Das futilidades que por vezes são um "mal" necessário

O meu corpo mudou. Facto. A idade contribui e muito para isso. Facto.

Depois do período em que engordei cerca de 10 kgs num ápice, em que a roupa deixou de me servir, em que eu deixei de me reconhecer e a autoestima, que nunca foi grande merda, foi pelo ralo, comecei uma luta para recuperar o corpo que conhecia e com o qual me sentia bem.

A verdade é que, com acompanhamento nutricional de dois médicos distintos (a nutricionista que me segue regularmente e o especialista em nutrição e obesidade que consulto mais ou menos de três em três meses), com exercício físico numa carga moderada de cerca de 5h semanais, com cardio e localizada, com alimentação regrada, mas sem restrições radicais, o corpo está a recuperar. A massa muscular está a aumentar, a massa gorda a diminuir. O peso não se alterou como inicialmente eu tanto queria, mas, e há aqui que compreender que ter um corpo de 65kg tonificado e um com mais massa gorda que muscular é totalmente diferente. E portanto, estou progressivamente a reduzir volume, com um corpo mais firme e tonificado, ainda que o peso pouco se tenha alterado.

Se o ano passado, no auge da minha figura "gorda" as calças não me serviam e passei o inverno de vestidos (e à conta disso passei muitas vezes por grávida), este ano já visto calças que há um ano não vestia. Continuo a usar vestidos porque gosto, mas sem ser porque usar calças não são opção. 

Ainda assim, e não sei bem explicar, talvez pelo aumento da massa muscular, estou mais larga de costas e portanto este ano o que verifiquei foi que alguns casacos de inverno não me serviam. Ou até apertavam e ficava uma espécie de alheira de Mirandela (bem boa) a rebentar pelas costuras. 

Praticando a arte do desapego, não serve, não uso, aproveitei uma campanha solidária de recolha de vestuário, roupa e bens alimentares que está a decorrer na Junta de Freguesia e separei umas quantas coisas, em bom estado, claro, incluindo esses casacos de inverno que me estão apertados.

Resultado: fiquei reduzida a um kispo comprido de penas, a um sobretudo verde caqui e a outro camel, também "compridos", (o camel foi feito à medida há uns 3 ou 4 anos e curiosamente continua a servir, talvez porque a ter em conta a medida da anca, os compridos não deixaram de me servir nas costas, problema que notei nos casacos mais curtos). 

Investimento neste inverno: casacos. Na Lefties comprei um kispo curto com capuz escondido e gola de pelo, em cru (bege claro), na Zara um casaco estilo canadiana em cinza claro, a um preço bárbaro. E na Mango Outlet um sobretudo vermelho.

Agora que está o investimento feito, que me durem muitos anos, até porque os que saltaram fora do meu roupeiro já vêm de 2012, se não estou em erro, era eu uma magricela (na parte de cima, porque anca larga sempre tive) com menos de 55 kgs. 

Um investimento necessário, mais que futilidade, uma necessidade. Agora estou bem apetrechada de casacos para os invernos vindouros... e com margem para, caso o corpo volte a mudar aos 40's que se aproximam a passos largos, continuarem a servir (ou assim espero, a menos que engorde 30 kg's... vade reto!).

 

09
Dez19

A 9 de dezembro...

A lista de pessoas a mimar este Natal com um presente foi pensada ao longo do ano, está "fechada" desde outubro.

Prendas escolhidas, umas compradas em loja, outras encomendadas online, outras personalizadas (porque optei uma vez mais por artigos handmade, que têm todo um outro valor afetivo). Já tenho praticamente tudo em casa (quase) pronto a distribuir.

Um jantar de natal já foi, com sorteio de amigo secreto. Próximo fim de semana mais dois jantares: o da turma de Dance Fitness (com amigo secreto, mas sei a quem vou dar prenda), e o convívio dançante com jantar da escola de dança. Segue-se o da empresa. Por fim virá o da família, que ainda não sei se será na sogra (caso venha a filha e a neta) ou se será os dois em casa (o que não seria a primeira vez e ainda aqui estamos). Ainda está em agendamento outros dois jantares com amigos "família".

Já a passagem de ano está a ser preparada. Um grupo de pessoas que se juntam, amigos que foram trazendo amigos e fomo-nos conhecendo e convivendo em diversas ocasiões. Amigos que podem trazer outros amigos. Objetivo: arranjar um sítio razoável para jantar e siga para junto do povo, fazer a festa na rua, ver o fogo de artifício na Ria de Aveiro, e depois o estado de espírito logo dirá como prosseguir a noite. À partida está escolhido o restaurante. japonês. Sem ementas e menus xpto de Réveillon, daqueles que quase é preciso deixar lá um rim para pagar o jantar.

O ano está na reta final e eu sei que não é por mudar o número do calendário que a vida muda e melhora num passe de mágica. O ano está na reta final e o único balanço que faço é : finalmente, foda-se!

Venha lá 2020 que já estou em modo estágio para comprovar que as pancadas da vida e as respetivas lições do ano 2019 serviram para enfrentar com maior maturidade e sabedoria o que estiver para vir. E se ainda há muita porcaria que está para vir, oh se há...

 

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