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Estórias na Caixa de Pandora

Ca pontaria

Férias marcadas. Estão para aprovação.

Para já os planos mais imediatos são para maio.

Como faço anos a meio da semana, tirei os restantes dias e a ideia é rumar à capital, até porque ofereci ao Gandhe um voucher da Odisseias no natal que inclui visita ao Estádio da Luz, ao museu do SLB e ainda um cachecol. Claro que eu quero é despachar o homem para o estádio enquanto vou calcorrear aquela basílica de seu nome Colombo.

É o chamado matar dois coelhos de uma cajadada: ele usufrui da sua prenda de natal, eu vou festejar os anos longe de casa. Aproveito para abraçar uma amiga especial e dar uma de blogger féxion que vai passear-se pelas ruas da capital. 

Tudo muito lindo até àquele momento em que reparo que tinha mesmo de decidir ir a Lisboa na altura do Festival da Eurovisão!

Ca puta da pontaria!! 

Ou altero planos (e férias), ou vou mas é começar já a ver se arranjo alojamento sem preço ultra inflacionado. 

 

E o que isto revela de mim?!

Pandora junta-se à trupe de colegas no trabalho que volta e meia fazem encomendas na Mango Outlet. Pandora encomenda uma blusa fluída branca, básica mais básica não há, pela módica quantia de 4,99€ (preço original 29,99€). Pandora recebe confirmação da colega que submeteu a encomenda e só tem a pagar 3,74€. Parece que, por ser dia da mulher, havia 25% de desconto adicional. Pandora rejubila com a pechincha e ainda diz que "isto, nem nos ciganos da Feira de Espinho"! 

Pandora, já em casa, no conforto do lar doce lar, decide ir ler as condições da campanha da WOOK:

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E acha tão interessante, mas tão interessante que vai à sua wishlist, escolhe dois entre as dezenas que por lá moram. Envios grátis, 10% de desconto imediato, uso um vale que tinha e resultado final um estrago de 20,30€, convertidos posteriormente num vale para usufruir em futuras compras.

 

Ora, 3,74€ numa blusa. 20,30€ em livros... Isto faz de mim uma consumista fútil que utiliza o dia da mulher para gastar dinheiro.

Bem, a vida não pode ser só pagar contas e diz que hoje é dia para nos mimarmos (um pouco mais que nos outros). 

 

Começa o terceiro mês de 2018

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E para primeiro dia, apesar da tempestade lá fora, cá dentro começa-se a ver luz ao fundo do túnel, começa-se a acreditar que a tempestade tem os dias contados e em breve viverei a tão desejada bonança. Acredito que em breve poderei respirar e sentir-me mais leve, sem carregar o peso do mundo nos ombros.

Janeiro e fevereiro foram um prolongamento natural do ano 2017 que correu mal do princípio ao fim. Lá está, não é por virar o ano no calendário que a vida muda instantaneamente e melhora substancialmente. 

Fevereiro veio com um anúncio de tréguas, mas foi falso alarme. Uma bomba há muito anunciada explodiu finalmente e ainda estamos envoltos numa nuvem de estilhaços e poeiras. 

Toda aquela vontade de ser mais positiva, mais otimista, mais confiante, mais grata foi pelo ralo e nos últimos dias tenho-me esgotado em angústias e lágrimas, em medos e frustrações. E tenho-me sentido tão revoltada, que a minha grande ambição é largar-me para uma ilha deserta para não ter de levar com certa gentinha de merda. 

Que este anúncio de bonança com que entro em março seja o meu ano novo, aquele que se inicia com promessas de sonhos a conquistar e esperanças renovadas. 

 

Amanhecer

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Agradeço o privilégio de ter esta vista do meu terraço.

De poder ver o amanhecer e não o vizinho da frente em cuecas.

Agradeço este cenário que contemplo ao longo do ano, assistindo à transição das estações.

Não tarda as árvores começarão a florir, as andorinhas a sobrevoar, as manhãs começarão mais cedo e mais luminosas.

Não tarda é primavera.

Que chegue e leve embora este inverno que trago dentro de mim.

 

 

A vida vai acontecendo

Mais uma fase de desaparecimento. Sim, voltei a dias tão cheios de tudo e eu tão vazia por dentro.

Muito trabalho, muito stress, muito duvidar de mim, das minhas capacidades ou competências.

Muitas dúvidas existenciais. Os ses da vida, se tivesse escolhido outro caminho, se agora atirasse tudo ao ar e partisse, se, se, se...

Mais uma crise de ansiedade e pânico. Mais uma discussão feia por causa da sogra.

E o frio que me tira energia. Só dá vontade de hibernar e acordar lá para Julho.

Só me apetece estar sozinha. Numa solidão e isolamento que me protege. Cansada das desilusões, cansada das pessoas.

Mas a vida vai acontecendo e resolvendo.

O abraço que termina a discussão.

Os problemas que se vão resolvendo por si.

A luz ao fundo do túnel.

O trabalho que vou conseguindo despachar e resolver e me deixa mais confiante e segura em mim mesma e nas minhas competências/capacidades.

E quando tudo parece ruir, eu teimosa, persisto em viver, lutar e tentar ser, um pouco, feliz.

 

Let it be...

O blog é o meu diário de bordo. Reflete os meus dias e estados anímicos. Portanto é sobejamente conhecida, para quem por aqui passa, a maré de azar que anda por estes lados. Nuvem negra, tempestade, má fase, dêem-lhe os nomes que quiserem.

O ano passado foi um ano duro, complicado, levou-me aos limites a nível de stress emocional. E para quem já teve uma depressão, é fácil reconhecer os alertas e sinais iminentes da sua chegada. E eu reconheci. E antes que voltasse a sucumbir à doença, reuni as energias que me restavam para um derradeiro esforço: vale tudo (até o Gustavo Santos, se necessário) para me reunir das ferramentas necessárias para sair da espiral depressiva em que me estava a afundar.

Uma vez mais, aproveitei a energia contagiante que se vive no ano novo, aquela vontade indómita de conquistar objetivos e sonhos, para me reaminar. A par da minha lista de resoluções de ano novo, decidi experimentar o diário de gratidão. Quando se passa por uma tempestade na vida, em que tudo corre mal, em que os imprevistos se sucedem e não deixam tempo para uma pessoa respirar e recuperar de uma pancada, porque vem logo outra de seguida, totalmente inesperada, é difícil ver o outro lado, um lado melhor, mais positivo, um lado que mostra que mesmo por entre as nuvens mais densas e carregadas, é possível vislumbrar um raio de sol. O objetivo do diário de gratidão é mesmo esse: todos os dias ter os meus cinco minutos para pensar no dia que vivi e agradecer algo de positivo. 

É um desafio interessante. Mais difícil do que aparenta. Principalmente quando, lá está, se anda numa fase em que os dias são difíceis, e as más notícias sucedem-se em catadupa. 

Ao 23º dia vejo como me tem ajudado este refletir o dia e agradecer algo bom. Mesmo que seja o chá que tomo todas as noites, ou a conversa inesperada com uma amiga que está longe e não vejo há imenso tempo, como num dia particularmente difícil ver que ainda há mãos que se estendem e oferecem ajuda. E vou controlando a minha ansiedade. Vou quebrando esta corrente de negatividade. Vou acreditando que as boas notícias também surgem e que mesmo os azares podem não ser assim tão maus.

Estou a aprender a respirar fundo e a deixar acontecer. Confiar no universo. O que tiver de ser, será. E para tudo a vida encontra uma solução.

 

Home alone

Ontem não tive a habitual aula de cardio fitness. Ontem o Gandhe foi jantar com colegas de trabalho, uma espécie de jantar de despedida de dois que iam mudar de departamento e de funções. E eu delirei com a perspetiva de um serão sozinha em casa, ainda mais a uma 5ª, onde o cansaço já se faz sentir e a vontade de vegetar é imensa.

Assim, fui buscar ao Pingo Doce uma pizza para jantar (as pizzas que fazem na hora são uma delícia, e tão bem recheadas), comi nas calmas a olhar distraidamente para a televisão (um episódio de Mentes Criminosas), em menos de nada tratei dos gatos e arrumei a cozinha, fui tomar um duche quente, vesti o pijama, peguei no tablet e estive a vegetar nas redes sociais (note-se, colocar leituras dos blogs em dia, passar os olhos pelo instagram, ainda abri o facebook, mas fechei logo a seguir). Quando fui ao ritual do chá antes de dormir, chegou o homem. Um pouco ainda de conversa, hora de dormir.

Dormi tão bem, tão em paz comigo, com a vida. É tanto disto que eu preciso.

O que umas fatias de pizza não fazem ao bem estar de uma pessoa?! 

 

Fui aos saldos da Zara e sobrevivi

Nas minhas deambulações pelos saldos online, um casaco na Zara chamou-me a atenção. Um casaco curto, de pelo, numa cor neutra, bom preço e que não me fazia lembrar nenhum marreta ou desenho animado peludo (como o famoso casaco de pelo amarelo da Lefties que quando o vi só me veio à mente o Poupas da Rua Sésamo, ou outros que fui vendo e me ia lembrando do Elmo, do Monstro das Bolachas, da ovelha Choné... preciso de psicoterapia, não?!).

Ontem era dia de regressar à nutricionista. Convenhamos que tinha noção que a coisa não ia correr bem. Foram as festas, estive de férias, nas quais vegetei na horizontal no sofá, petisquei tudo o que me apeteceu e... bom, não ia à espera de milagres. Ainda assim não contava com o desastre que aconteceu.

Terminada a consulta, regresso ao carro que estava no centro comercial. Passei pela Zara e lembrei-me do casaco. Sem esperança, entrei, calcorreei a loja em busca do pelinho. E eis que vislumbro o casaco, mas no modelo comprido. Já a esmorecer vou ver se junto desse tinha o que eu queria. E não é que tinha? Um. Umzinho bem lá atrás dos outros todos compridos. Um S. Ora bolas, isto não me vai servir. No entanto, e numa de dar luta, lá fui eu aos provadores experimentar o casaco. E servia. E ficava tão bem. E não me senti a ovelha Choné nem nada parecido.

Enfrentei a fila e trouxe esta fofura comigo.

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Daqui 

E nos entretantos, passou-me a vontade de ir comer junk food para o McDonald´s, em jeito de afogar as mágoas que a balança deixou em mim.