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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

06
Jul18

Sobre-vivendo!

Os dias têm sido difíceis. Quem me conhece antecipará que as minhas ausências são motivadas por isso mesmo: dias difíceis, a vários níveis. 

Para começar, muito trabalho. Fui nomeada team-leader de um projeto relacionado com o famigerado RGPD (Regulamento Geral de Proteção de Dados) o que me tem valido horas de formação e reuniões.

O trabalho normal do dia a dia, que já não é pouco, continua e não pára de acumular, pelo que na maioria dos dias dava jeito clonar umas quantas Pandoras.

Há um desgaste físico, um cansaço acumulado. Há, também, muito stress. Muitos nervos à flor da pele. Voltaram as crises de ansiedade. A falta de descanso. Vem a falta de paciência. Para tudo. 

Aconteceram umas situações profissionais que me derrubaram. Me fizeram sentir uma enorme sensação de impotência, de frustração, também de revolta. Quando se acredita no mérito e na competência, mas se trabalha com uma equipa onde o que interessa é a palmadinha das costas, a hipocrisia e os egos de muita gente, há uma constante luta inglória, condenada ao fracasso dos mesmos. Imaginem de que lado estou?

E tudo isto a troco de um salário de merda, que dá para pagar contas e pouco mais.

Preciso urgentemente de férias, mas as férias vão ser em casa. Não há dinheiro para ir para fora, uns dias que sejam. Está a ser um ano complicado em termos financeiros, cenário que se desenhou logo no início do ano, quando passámos pelo que passámos com a história do acidente e o absurdo de dinheiro que tivemos de adiantar até ter o problema resolvido. Foi um enorme rombo. E como um mal parece que nunca vem só, outros imprevistos aconteceram que se traduziram em gastos não previstos num orçamento não muito avantajado. 

Foram-se reservas, foi-se tudo e nos dois primeiros meses a conta bateu no vermelho. Equilibramos as coisas, mas não sobra para férias. E já foi um esforço três dias em Lisboa.

Portanto a frustração aumenta. Tanto trabalho para isto. Tantas horas dedicadas para isto. 

Haja saúde. 

Pois. Já tenho o resultado da panóplia de análises hormonais que fiz. Ainda não regressei ao endocrinologista (só tenho consulta no fim do mês), mas já as mostrei à nutricionista.

Boas notícias: está tudo bem, os valores estão todos dentro dos parâmetros normais.

Más notícias: voltamos à estaca zero, sem saber de onde vem a extrema retenção de líquidos, o inchaço das pernas, tornozelos, pés. 

Nem dá para gozar as boas notícias. Há algo que não está bem. E não há meio de encontrar a origem para poder tratar.

Prevejo uma corrida a especialistas vários, numa demanda que não sei onde vai dar. 

Faço o esforço para (sobre)viver. Mantenho as minhas atividades, vou a convívios com amigos, o verão (supostamente) começou e com ele vem uma quantidade obscena de eventos: é tasquinhas, é festas disto e daquilo, as feiras temáticas, este fim de semana tenho na agenda o Vagos Sensation Gourmet e começa o AgitÁgueda, que já é uma espécie de tradição.

Não me rendo a ficar afundada no sofá, fechada em casa, a chorar as mágoas e remoer a frustração. Não me entrego a este cansaço extremo que me suga toda e qualquer energia.

Só que não é fácil.

Dias há que me sinto num pântano de areias movediças e rapidamente percebo que para sobreviver tenho de ficar quieta. Há dias que é simplesmente isso a única coisa a fazer: parar, sossegar, acalmar, serenar. Esperar. Há momentos em que lutar é precisamente PARAR e deixar que a vida se vá resolvendo por si. 

E então é isto. Estou num momento em que estou quieta, deixando os dias passar, acompanhando o ritmo da maré, sem remar contra a corrente. Demasiado cansada para isso. E quiçá não será mais sábio, neste momento, simplesmente deixar ir, deixar acontecer, o que tiver se ser, será.

 

07
Jun18

Eu mereço!

Com o problema com que me tenho debatido, e apesar de já ter a consulta marcada, há alguns cuidados que já comecei a ter. Um deles é o repouso das pernas com os pés levantados. Cheguei a dormir algumas noites assim, com duas almofadas de apoio nas pernas para fazer altura.

Coincidência ou sorte, o Lidl hoje tem uma campanha de artigos de Bem-Estar, onde consta esta almofada própria para o repouso de pernas e pés.

almofada.JPG

Ora, o preço é estupidamente apelativo, já que nas casas da especialidade (equipamento médico) uma almofada destas custa três vezes mais.

Aguardei pacientemente por hoje e, pelo sim pelo não, levantei-me mais cedo, e saí mais cedo de casa para lá ir comprar a almofada na abertura.

8h25 chego ao Lidl. Primeiro pensamento: oferecem o pequeno almoço às primeiras vinte pessoas???!!!!

Deixo-me estar no carro, até porque está frio e a chover. Só que começa o aglomerado da brigada do reumático a colar-se à porta de entrada. 

Começam a abrir e... 

Sigo na cauda do pelotão sénior, lá vou à procura das almofadas e eis que me vejo sem qualquer concorrência a ver os artigos de saúde e bem estar. A corrida matinal afinal foi para os trapos do Lidl. 

Pelo que vi, nitidamente os saldos da Zara perderam clientela. 

Moral da história: podia ter feito o meu horário normal, ter ficado mais meia hora (pelo menos) na caminha, passava lá na hora de almoço e certamente não faltavam almofadas terapêuticas para as perninhas cansadas e inchadas aqui da velhota. 

 

06
Jun18

Prova superada

Na segunda lá foi o Smart para a oficina. Accionámos o carro de substituição pelo seguro e eis-me ao volante de um carro com três pedais e uma caixa de velocidades manual.

Oh good Lord, e lembrar-me como é que aquilo se conduz?!

Claro que lembro. Mais fácil que andar de bicicleta. Não deixei o carro ir nenhuma vez abaixo, embora me tenha esquecido de engatar a primeira depois de estar parada nuns semáforos. 

Também foi fácil estacionar, o que pode ser um desafio para quem está habituada a um Smart. 

E pronto, agora que já estou tu cá tu lá com o 208, assim amigos para a vida, lá se vai ele embora.

O que vale é que eu e o Smart somos assim almas gémeas, perfeitos um para o outro, um amor para a vida toda. Que regresse às minhas mãozinhas o pequenino, e que o rombo no orçamento para lhe pôr um kit de embraiagem novo renove os votos de uma longa e duradoura relação. Amor para a vida todaaaaaa! 

 

30
Mai18

Do verbo panicar

Paniquei ontem. Sim, paniquei, deu-me os cinco minutos, dei o tilt, fritei do miolo. Tive um espasmo de hipocondríaca. 

Agora é respirar, esperar (im)pacientemente pelo dia da consulta de especialidade que, finalmente, marquei. Provavelmente esperar mais um pouco por exames e análises, e o que seja necessário, e enfrentar o que tiver de ser.

Até lá, nada de esforços, nada de exercício físico, nada de dança... e como sou bem mandada, hoje vou à aula de dança. Aguento até onde aguentar. Faço aula de sapatilhas em vez de salto alto. 

 

28
Mai18

Oh vida de pobre

Recebi o subsídio de férias.

Devia era receber aquela quantia todos os meses, e não seria nenhuma fortuna para o que faço e a responsabilidade que tenho nos ombros. Adiante...

Recebi o subsídio de férias e podia estar aqui a rejubilar a fazer planos para as férias, ou para umas comprinhas, para qualquer coisa que me desse verdadeiro prazer.

Mas não. Nada disso.

Recebi o subsídio de férias e posso finalmente mandar o meu Smart para arranjar. Além de uma revisão com mudança de óleo e tal, precisa de um kit de embraiagem novo. Depois deste susto ficámos avisados que mais cedo ou mais tarde (sendo que o "mais cedo" seria o mais provável) iria voltar a acontecer e sem arranjo possível que desenrascasse mais uns tempos. 

De maneira que o subsídio de férias já tem destino. Para a semana o pequenino vai dormir dois dias à oficina e espero que o orçamento previsto não sofra derrapagens.

E pode ser, pode ser, que sobre uns trocos para um gelado. Ou dois. 

 

22
Mar18

Ca pontaria

Férias marcadas. Estão para aprovação.

Para já os planos mais imediatos são para maio.

Como faço anos a meio da semana, tirei os restantes dias e a ideia é rumar à capital, até porque ofereci ao Gandhe um voucher da Odisseias no natal que inclui visita ao Estádio da Luz, ao museu do SLB e ainda um cachecol. Claro que eu quero é despachar o homem para o estádio enquanto vou calcorrear aquela basílica de seu nome Colombo.

É o chamado matar dois coelhos de uma cajadada: ele usufrui da sua prenda de natal, eu vou festejar os anos longe de casa. Aproveito para abraçar uma amiga especial e dar uma de blogger féxion que vai passear-se pelas ruas da capital. 

Tudo muito lindo até àquele momento em que reparo que tinha mesmo de decidir ir a Lisboa na altura do Festival da Eurovisão!

Ca puta da pontaria!! 

Ou altero planos (e férias), ou vou mas é começar já a ver se arranjo alojamento sem preço ultra inflacionado. 

 

08
Mar18

E o que isto revela de mim?!

Pandora junta-se à trupe de colegas no trabalho que volta e meia fazem encomendas na Mango Outlet. Pandora encomenda uma blusa fluída branca, básica mais básica não há, pela módica quantia de 4,99€ (preço original 29,99€). Pandora recebe confirmação da colega que submeteu a encomenda e só tem a pagar 3,74€. Parece que, por ser dia da mulher, havia 25% de desconto adicional. Pandora rejubila com a pechincha e ainda diz que "isto, nem nos ciganos da Feira de Espinho"! 

Pandora, já em casa, no conforto do lar doce lar, decide ir ler as condições da campanha da WOOK:

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E acha tão interessante, mas tão interessante que vai à sua wishlist, escolhe dois entre as dezenas que por lá moram. Envios grátis, 10% de desconto imediato, uso um vale que tinha e resultado final um estrago de 20,30€, convertidos posteriormente num vale para usufruir em futuras compras.

 

Ora, 3,74€ numa blusa. 20,30€ em livros... Isto faz de mim uma consumista fútil que utiliza o dia da mulher para gastar dinheiro.

Bem, a vida não pode ser só pagar contas e diz que hoje é dia para nos mimarmos (um pouco mais que nos outros). 

 

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