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Estórias na Caixa de Pandora

Estórias na Caixa de Pandora

29
Jan14

Tema da atualidade: praxes!

De vez em quando surge assim um destes temas polémicos, que divide opiniões, incendeia acesas discussões. Alguns desses temas são rotativos. Já foram debatidos, caem no esquecimento, até acontecer alguma coisa que ressuscita a discussão e a polémica.

Praxes.

Não gosto, nunca gostei, não concordo. Pouco fui praxada. Não praxei.

Para mim a praxe não é integração é HUMILHAÇÃO. A mais simples praxe que é logo tratar os caloiros por burros é humilhação. A partir daí é sempre a descer, até, muitas vezes, os limites da integridade moral e física serem seriamente comprometidos, ultrapassados e violados.

Pode-se dizer não às praxes. Pode. Mas aqui também entendo que esta suposta liberdade é utópica. Imaginem miúdos de 17 ou 18 anos, longe de casa, numa cidade desconhecida, sozinhos. É-lhes vendida a ideia da praxe como integração. E o medo de não serem "integrados" e não pertenceram ao grupo universitário, serem excluídos da proclamada vida (qual El Dorado) académica, deve realmente ser aterradora para muitos. Depois já é tradição, já faz parte. É academicamente aceite: quando os veteranos vão bater às portas das salas de aula a chamarem os caloiros para as praxes, e os professores DEIXAM, isso é aceitar e participar nesta "brincadeira", ser conivente, ou em termos criminais, cúmplice. É socialmente aceite: os caloiros andam pelas ruas das cidades a ser praxados e o povo acha piada, porque vão ali os (futuros) Drs. de capa negra - tão lindos - a receberem os colegas novos. Ah ah ah (e sim, ouço comentários destes pela rua quando passam os Drs. com os caloiros todos pintados, literalmente cagados, com cânticos ridículos, muitas das vezes obscenos e ofensivos, entre outras coisas).

Depois acontece uma tragédia. E as praxes são o horror. O bode expiatório para um monte de abusos que, sabe Deus porquê, não são punidos por lei.

Sou contra as praxes. Ponto. Sempre fui. E tive a minha vida académica, e fiz amigos, e fiz o curso, e passei bem sem praxes. Como quero que respeitem a minha opinião e posição, respeito quem adora as praxes, vive para isso, com quase 40 anos ainda anda na Universidade, com um rol de matrículas, devem ter mais anos de casa que o próprio reitor, e os súbditos que se subjugam, de livre e espontânea vontade, a estes rituais medievais, ou até mesmo primitivos. 

O que aconteceu no Meco foi um ACIDENTE TRÁGICO. Assim como seria um acidente trágico se os 6 jovens estivessem a regressar de um noite bem bebida e tivessem um acidente de carro. Estavam a desafiar os limites, correu mal. Como correm mal tantas outras brincadeiras e desafios dos limites do que será o bom senso.

Crime é o espacamento de caloiros, a violação de caloiras, entre outras coisas que, na maioria das vezes, são abafadas pelas vítimas, pelos agressores, pela Instituição, pela própria sociedade que come a treta da praxe de integração.

Acredito que os pais e famílias das vítimas queiram saber o que aconteceu. É importante para o seu luto. Mas, sociedade, a sério, debatam o tema das praxes, mas não creio que o que aconteceu no Meco tenha sido uma praxe criminosa. Não me parece que estivesse alguém lá coagido, obrigado. Foram de livre e espontânea vontade, se os ditos rituais são tradição já conhecida na Instituição, então já sabiam ao que iam. Lamentavelmente correu mal. Muito mal. Eles pagaram com a vida, as famílias com um sofrimento atroz. 

 

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